terça-feira, fevereiro 03, 2015
quarta-feira, janeiro 28, 2015
Dos pilares da memória
Muitas das casas da
região oeste, construídas no século passado, têm tijolos produzidos nesta antiga
Fábrica de Cerâmica. Segundo a ficha informativa do imóvel (e “terrenos
rústicos”), em questão, à venda por 190 mil euros, ela era composta por: “A -
Fábrica com 4 pisos, fornos, casa das máquinas e secagem| B - telheiro para
arrecadação de materiais| C - cozinha, refeitório, posto médico e oficina| D -
central eléctrica| E - barracão para depósito de barros| F - habitação do
pessoal| G - balneário e vestiário”.
A vida também é
feita destas coisas - um dia foram imponentes, hoje estão decadentes. Ainda
assim, vão resistindo os alicerces, como que a sustentar a ideia de que um dia,
subitamente, volte tudo a erguer-se, ou um mero suporte para a memória de quem viveu
aqueles tempos.
sexta-feira, janeiro 16, 2015
O Melhor de 2014 - Cinema - "Force Majeure"
Uma quase-tragédia desencadeia uma série de questões no
seio de uma família aparentemente equilibrada. Até esse momento vivia-se pacatamente
umas férias de neve e uma relação mais ou menos controlada. Até ao momento em
que o casal é confrontado com esse súbito descontrolo – como uma avalanche - e, ao depararem-se com os instintos de
sobrevivência da sua cara-metade, surgem as divergências, as desconfianças e as
inseguranças.
Mais do que realçar as diferenças entre sexos em situação
de crise/acidente, o realizador sueco Ruben Östlund manobrou com mestria, neste
seu “Force Majeure”, as suas duas principais personagens no sentido de
demonstrar que qualquer uma delas (ou qualquer um de nós) pode ser vítima dos
seus próprios instintos. Será por isso que todas as personagens deste filme (e
os seus telespectadores), quase no final, são levados para dentro de um autocarro,
que vai circulando, desastrosamente, à beira do abismo. É o derradeiro teste
aos instintos primários de todos ou, talvez, para que questionemo-nos de quanto
eles (os instintos) devem ser representativos daquilo que realmente somos.
Para reforçar o ambiente gélido e angustiante vivido
dentro de portas, no quarto da estância de ski, Östlund mostra também imagens
do exterior (excelente fotografia – é uma das razões que faz com que nunca nos
queixemos de um certo abuso dos planos fixos), ao som dos pungentes violinos de
“Le Quattro Stagioni, L'Estate” de Vivaldi.
Um filme incrível e um retrato inteligentíssimo da mente
humana. De longe, o melhor que vi da colheita de 2014... (E sim, eu também vi todas
as propostas “indie” americanas: Boyhood, Birdman, The Grand Budapest Hotel, etc.)
quarta-feira, janeiro 14, 2015
Ainda têm alguma esperança de que o realizador M. Night Shyamalan* faça mais alguma coisa boa nesta vida?
Parece
que 2015 poderá ser um daqueles anos em que ele pretende provar
qualquer coisa... Ou não tivesse já programado duas estreias, em
duas frentes: para além de um filme, "The Visit", já adquirido pela
Universal e com estreia marcada para Setembro; a surpresa pode estar
na sua estreia, em Maio, numa produção para TV - "Wayward Pines", uma
série de 10 episódios para a FOX com Matt Dillon, Terrence Howard,
Juliette Lewis, ... que só pela amostra do trailer parece ser um
"mash-up" de outras séries, como "Twin Peaks", "Identity", "Lost", com o
filme "The Truman Show"... Ninguém sabe se será de facto bom ou - como nos tem habituado nos últimos tempos - péssimo, mas toda a gente já sabe que vai ter,
pelo menos, um grande "twist" lá para o final.
Já que falo nisso, talvez este realizador esteja mesmo amaldiçoado por tanto "twist" e, assim sendo, não vale a pena perdermos tempo com o que anda a fazer, pois só o seu derradeiro filme será (de novo) brilhante.
(*Sexto Sentido, Sinais, A Vila, etc)
Já que falo nisso, talvez este realizador esteja mesmo amaldiçoado por tanto "twist" e, assim sendo, não vale a pena perdermos tempo com o que anda a fazer, pois só o seu derradeiro filme será (de novo) brilhante.
(*Sexto Sentido, Sinais, A Vila, etc)
terça-feira, janeiro 06, 2015
Portugal, um país de estruturas falhadas, tão imperfeito quanto inspirador
Não é novidade
para ninguém. Portugal é um país especial para muita gente. Curiosamente (ou nem por isso), não
tanto para os portugueses que sempre por cá viveram e que acabam por ser um reflexo
do "estado de alma" da sua economia, como para os estrangeiros, nomeadamente, os
artistas que andam à procura de um certo “empurrão” no seu método criativo. Mais
do que o Sol, a Caparica, as sardinhas ou os Jerónimos, talvez seja esse nosso lado
mais imperfeito, deprimente ou decadente que serve agora de inspiração a estes
artistas contemporâneos.
Ainda no ano
passado tivemos o caso de Grouper, aka Liz Harris, que se refugiou em Aljezur
para gravar, com o mínimo de condições, o seu mais recente (e belíssimo) disco.
Sublinho o que disse ela sobre esse processo de gravação:
A obra,
entitulada justamente por “Ruins”, acabou por ser, como ela almejava, um
reflexo dos locais por onde passeou e, sobretudo, da solidão de uma casa perdida
algures num monte do Alentejo.
O mais recente artigo da Pitchfork começa mais ou menos assim: “Por uma década, Noah Lennox tem vivido dentro do brilho e sombra de Lisboa”. Pois é, “o” Panda Bear, ex-membro dos Animal Collective, já é um artista residente e, certamente, tudo o que foi vendo e adquirindo nos últimos anos está reflectido nas suas obras.
Destaca-se deste
artigo uma paixão por uma cidade renascida de um sismo e por um país com
muitas cicatrizes do passado:
São as
nossas irregularidades que captam a atenção de Mr. Noah. Das Torres das Amoreiras... aos
surfistas desajeitados:
Quem diria que são
portanto todos essas falhas e limitações que nos tornam tão populares e
inspiradores! Portugal (e os seus portugueses) não é assim tão diferente de qualquer outro país, mas às tantas são alguns desses pequenos e amáveis defeitos,
tão condenáveis e tão humanos, que torna este país acolhedor e onde um estrangeiro mais facilmente se reconhece. Tendo
em conta os resultados finais (este último disco de Panda Bear também é estupendo), talvez deva até sentir algum orgulho deste país que me viu nascer.
quarta-feira, dezembro 31, 2014
O Melhor de 2014 - Músicas (Top 50) 3ª parte
No family is safe
When I sashay
When I sashay
…
14.
Institute - Salt
11. Deadboy- Return
6.
Merchandise - After The End
terça-feira, dezembro 30, 2014
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