quarta-feira, abril 15, 2015

We all think that we're nobody but everybody is somebody else's somebody


(...)
We either think that we're invincible or that we are invisible
When realistically we're somewhere in between

We all think that we're nobody but everybody is somebody else's somebody

Don't ask me what I really mean
I am just a reflection
Of what you really wanna see
So take what you want from me
So take what you want from me
(...)

domingo, abril 12, 2015

A linguagem universal do amor e do ódio




Ainda sobre as relações intrínsecas entre as misérias social e moral... Lembrei-me de um filme ucraniano que vi recentemente. “The Tribe” relata a história de integração de um jovem numa escola, ou mais concretamente, num grupo (numa “tribo”) com alunos provenientes de classes baixas e com condições especiais, neste caso: a surdez. Durante todo o filme não se fala (nem se escuta) uma única palavra; todos os protagonistas comunicam por linguagem gestual e os seus diálogos tornam este filme num desafio muito interessante para a sua assistência. No entanto, mesmo que os únicos e perceptíveis sons que saiam daquelas bocas sejam de exclamação, raiva e dor (um aborto é sempre uma situação desagradável de se ver em cinema, a cena de aborto neste filme eleva para um outro patamar qualquer nível de desconfortabilidade que se possa ter), toda a narrativa do filme é facilmente compreensível. Aliás, em termos de intercomunicação (e não só), “The Tribe” deve ser bastante superior a qualquer um dos filmes que estão em cartaz este momento em Portugal.
Trata-se, também por isso, de um filme cru, ríspido e muito violento e no meio de um ambiente gélido, ocupado por seres humanos insensíveis “em construção”, entra uma emoção em jogo, que vai tornar a história ainda mais devastadora e trágica. Sobretudo, porque uma paixão facilmente se converte em obsessão e não se encontra um amante mais fiel e indestrutível que um obsessivo. 

sexta-feira, abril 10, 2015

Da miséria moral






Desemprego, álcool, droga... A comunicação social evidencia o quadro de miséria social, quando o crime acontece sobretudo pela miséria moral. É sempre mais fácil tentar desculpabilizar parte da tragédia, colocando essas culpas numa entidade abstracta, em detrimento de algo material, reconhecível e acessível, como outro ser humano. Perverso e egoísta, ao ponto de utilizar um filho como "arma de arremesso" para atingir o outro progenitor. Infelizmente, é o que há mais por aí nesta sociedade, com os desfechos mais ou menos macabros que se conhecem (ou não).

quarta-feira, março 11, 2015

Trailer do ano (do documentário do ano)

Kurt Cobain: Montage of Heck (estreia prevista para 4 de Maio, no canal HBO)


terça-feira, março 03, 2015

Madonna @ P4K






segunda-feira, março 02, 2015

A vingança é um prato que se serve frio, mas, ao servi-lo, também se pode morrer congelado




“Relatos Selvagens”, do argentino Damián Szifron (e co-produzido por Pedro Almodóvar), é composto por seis histórias surrealistas de vingança com muito sarcasmo e com o dobro de humor.
Todos os protagonistas deste filme estão à beira do abismo, e é justamente nesses momentos que eles revelam o seu lado perverso, animalesco, selvagem, onde parece haver um certo desejo em acentuar ainda mais o seu descontrolo. Há muito pouco de racional neste filme e há quem o critique por aquelas pessoas não terem profundidade (“figuras sem passado, sem memória”)... Porque não se pede à National Geographic para fazer telenovelas com uma manada de elefantes?
Enfim, em todos os seus sentidos, um filme bestial.

sexta-feira, fevereiro 27, 2015

Nós somos apenas um conjunto de corpos... e alguns de nós têm pénis



Depois de ver a sua primeira temporada, consigo perceber porque o relato intimista da vida de uma “atípica” família de classe média americana é tão impopular quanto premiada (ganhou, entre outros, o Globo de Ouro e o Satellite Award para a melhor série do ano). “Transparent” (Amazon) é uma série muito mais educativa do que de entretenimento.

O pai desta família, interpretado por um inacreditável Jeffrey Tambor (também recebeu um Globo de Ouro por este papel), decide, após algumas investidas no mesmo sentido no passado, transformar-se numa mulher... que continua a ter atracção por mulheres. Interpreto isto como sendo uma espécie de veneração suprema do mundo feminino, ao ponto de querer transformar-se (visualmente, sobretudo) numa mulher. É aqui que se aprende a diferença entre identidade sexual e identidade de género. No entanto, a complexidade desta personagem não se fica por aqui, aliás, a complexidade da vida íntima acaba por ser um facto comum aos seus três filhos.

Estamos perante uma série que desafia as noções mais básicas do que é um género, ou melhor, como os órgãos sexuais e os cromossomas acabam por ser insuficientes para qualificar um género. É aqui que se aprende e celebra a ideia de que somos todos, acima de todas e quaisquer outras catalogações, seres humanos. Como alguém diz lá pelo meio: “We’re just a bunch of bodies... and some of us have penis”.