segunda-feira, junho 29, 2015

Vamos à praia? Não... Get a room!





são uns metros a pé por um dia no paraíso




Esta praia é bonita mas não é todo esse paraíso que lhe chamam.

Só confirmo os tons turquesa do mar. De resto, da temperatura do mar e antes que se coloque um pé dentro de água, é preciso não esquecer que estamos à beira do Oceano Atlântico... E se estamos à procura de algum sossego, é preciso não esquecer que estamos em Portugal, onde os aglomerados populacionais sucedem espontaneamente por cada novidade ou fenómeno em ascensão.

Ainda assim, tal facto acontecer ali, não deixa de ser surpreendente. Sobretudo se tivermos em consideração as difíceis condições de acesso à praia – a parte final é um autêntico labirinto, onde convém estar muito atento à “bolinha vermelha” (às tantas isto também podia ser um sinal de aviso para o que se podia ver lá em baixo) pintada em algumas pedras encontradas ao longo do percurso, já para não falar de que este é feito em acentuado declive.


Também acredito que muitos visitantes cheguem à praia através do mar: de barco, de kayak, de “stand up paddle”... a nado – presenciei um pouco de tudo. O que também é certo é que a meio de uma escaldante tarde de um dia útil, aquela suposta praia deserta devia fazer concorrência às mais populares da vizinhança.

Eram sobretudo casais de namorados. Aliás, para ser mais preciso, excluindo a meia dúzia de turistas e o respectivo guia que “estacionaram” os seus kayaks na beira-mar, esta praia era populada somente por casais com uma média de idades que rondaria os vinte e poucos anos... E as suas infinitas “selfies”... E os “selfie sticks”... E está mais que provado que não há limites para o narcisismo humano.

Ainda pensei se não tinha sido inadvertidamente apanhado em plena rodagem de um remake do novo filme do cineasta grego Yorgos Lanthimos: The Lobster.



Lá mais para o final da tarde, quando a temperatura do ar ameaçava baixar dois ou três graus, o clima daquela praia aqueceu. Era vê-los abraçados, enrolados, aos longos beijos, algumas mãos que não se conseguem esconder dentro de biquínis reduzidos, corpos semi-suados e emparelhados... Foi o momento que considerei ideal para arranjar forças para fazer o percurso de regresso ao carro e fugir de cena.

Olhei uma última vez para aquele “paraíso perdido” (o da natureza, atenção) e lá fui eu, qual bode do Atlas marroquino, declive acima!

quinta-feira, junho 04, 2015

Retro por retro

O novo disco de Jamie XX é uma proposta interessante para revisitar as várias tendências da música de dança dos anos 90, mas a verdade deve ser dita: é um disco muito previsível e está longe de ser a revolução que muitos lhe pintam. Sem procurar muito, algo que foi editado também nos últimos dias e mais surpreendente que "In Colour", recomendaria como alternativa o projecto paralelo de Maya Jane Coles: Nocturnal Sunshine.



O novo disco de Jamie XX é uma proposta interessante para revisitar as várias tendências da música de dança dos anos 90, mas a verdade deve ser dita: é um disco muito previsível e está longe de ser a revolução que muitos lhe pintam. Sem procurar muito, algo que foi editado também nos últimos dias e mais surpreendente que "In Colour", recomendaria o projecto paralelo de Maya Jane Coles: Nocturnal Sunshine.
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domingo, maio 10, 2015

Eu sei com quem fornicaste na noite passada

"It Follows", o mais recente fenómeno de terror americano de/para adolescentes, tinha tudo para ser  bom: uma excelente técnica cinematográfica, expeditos jovens actores e uma banda sonora simultaneamente arrepiante e harmoniosa... Só lhe faltou uma boa história. Ou, vá lá, uma história razoável, coisa que uma maldição que se transmite por contacto sexual - tipo Clamídia, mas com consequências mais danosas para o contagiado, como ser perseguido por mortos-vivos desnudados - está muito longe de o ser.

quinta-feira, maio 07, 2015

Okay, my ass!



Sinceramente acho que um dos mais claros sinais de demência desta humanidade aparecem quando alguém escreve críticas desta natureza sobre discos do calibre de “+-“ dos Mew. É certo que não se trata do último grito vanguardista do indie rock, (provavelmente) nem sequer será o melhor disco desta banda dinarmarquesa, mas é mais que certo que este disco, com canções soberbas como a "Rows", "Water Slides" e a "Satellites", está a anos-luz de distância de ser essa mediocridade que a maioria da crítica apregoou.


quarta-feira, maio 06, 2015

Esta vida é um paradoxo que (para o bem da nossa sanidade mental) não deve ser controvertido




Os seres humanos são contraditórios por natureza, mas essa situação tem tendência a agravar-se quando o mundo à sua volta torna-se ainda mais incoerente. Como alguém que deseja a serenidade absoluta ao mesmo tempo que vai exaltando a anarquia.

Assim foi Kurt Cobain. Alguém que utilizou o isolamento, a humilhação e a (consequente) raiva como impulsionadores do seu processo criativo. O seu rancor não se deveu tanto a um reconhecimento ou uma integração tardia (sobretudo depois de ter encontrado algum aparo na pior das suas companhias – não, nem foi a Courtney Love, foi mesmo a heroína), mas sobretudo porque esse reconhecimento/integração surgiu subitamente de uma forma estrondosa, em modo de fenómeno musical à escala global: os Nirvana. Ninguém estaria a espera disso, principalmente o Kurt Cobain. Num dia vives atrapalhadamente numa pequena cidade do estado de Washington, no outro já és a porta-voz de uma geração! É aqui que a anarquia, a pacatez e o mediatismo se tornam totalmente incompatíveis. Um conflito que a constituição de uma família e o nascimento de uma filha não resolveram. Recordo: era um conflito interior.

O documentário “Cobain: Montage of Heck” também é uma viagem até ao interior da mente de um dos últimos grandes génios da cultura norte-americana. A questão é que nem todos estaremos preparados para uma viagem tão atormentada. Aliás, como se sabe pelo final “desta história”, nem o próprio estaria.