Não quero tirar o
mérito às contratações já anunciadas para os nossos próximos festivais de verão
- sobretudo os Portishead no Marés Vivas, JT e os Arcade Fire no RiR, Erlend
Øye e os Tame Impala que voltam ao SBSR, os The War on Drugs (excelente novo
album), Parquet Courts, Elbow (outro belo novo disco acabadinho de sair),
Daughter e mais alguns no Alive, a pop a invadir Paredes de Coura com os
Chvrches e os Cut Copy e praticamente todo o cartaz do Primavera – mas eu
gostava que anunciassem algo (ainda) mais arrojado. Uma banda mesmo
desconhecida do grande público, mas que depois da sua actuação, ficássemos
todos verdadeiramente surpreendidos e profundamente comovidos – mesmo quem já
se tenha surpreendido e comovido antes com eles.
Provavelmente
estou enganado e seria um completo desperdício, porque uma banda destas nunca
conseguirá ser devidamente apreciada por entre copos com amigos e pelas euforias
típicas de um festival de verão. Tragam então os Future Islands a uma das
nossas mais modestas salas de espectáculos. Sejamos então poucos a emocionar-nos, mas
emocionemo-nos em condições e deixem o Sam Herring fazer o mesmo!
A propósito, até o
próprio David Letterman que apresenta quase-épicas actuações todas as semanas
mas ainda assim, desta vez, a avaliar pelo seu surpreendente nível de
entusiasmo, parece querer mesmo dizer: “já apresento esta merda há mais de 30
anos e finalmente apareceu-me algo genuinamente encantador!”.










