sexta-feira, julho 24, 2015
quinta-feira, julho 16, 2015
Isto de andar por aí no engate tem muito que se lhe diga (II)
(...)
Mas eu também fiz
algumas coisas lixadas. Uma vez em que voltei da estrada, disse olá e subi para
aliviar a tripa e quando estava ali sentado reparei numa grande pilha de
revistas de caça e de pesca ao lado da sanita. E então quando acabei, puxei as
calças para cima e saí a perguntar aos berros quem era o pescador de rolha no
cu com quem ela andava a foder. Fartei-me de berrar. É mesmo o teu género, ir
sacar um panhonhas incapaz de fazer um lançamento com mosca ou de largar um
cagalhão. Estou mesmo a vê-lo ali sentado, a cara toda vermelha, a ler alguma
coisa sobre a perigosa pesca ao lúcio nas águas tempestuosas do Norte.
Disse-lhe que era o que ela merecia, que bastava olhar para ela para ver que o
destino dela era ser fodida por um daqueles gasolineiros borbulhentos que vão à
pesca nas revistas e que são incapazes de largar um cagalhão. Então ela pôs-se
a chorar, a chorar e passado uma hora lembrei-me que eu é que tinha feito uma
assinatura de todas aquelas revistas de caça e de pesca e quando lhe pedi
desculpa ela não quis saber e eu fiquei mesmo na merda.
(...)
“Falconer”, John Cheever – Sextante Editora
“Falconer”, John Cheever – Sextante Editora
quarta-feira, julho 15, 2015
Isto de andar por aí no engate tem muito que se lhe diga
(...)
Vai então que ela
diz aos amigos, em voz muito alta, que não queria sobremesa, que ia meter-se no
carro e ficar sozinha em casa a ler. Disse aquilo tudo de maneira que ele a
ouvisse e ficasse a saber que não havia marido nem filhos por perto. Ela conhecia
o empregado do bar e sabia que ele passava ao tal sujeito o endereço dela. Foi
para casa, enfiou um roupão e às tantas tocou a campainha e lá estava ele. E
então mesmo ali na entrada ele desatou a beijá-la, a pôr a mão dela na piça
dele e a despir as calças, mesmo ali na entrada, e então ela reparou que se ele
era realmente muito bonito era também muito porco. Disse que ele não devia
tomar um banho há mais de um mês. Mal lhe chegou aquele pivete, ela errefeceu
um bocado e começou a pensar numa maneira de o levar para o duche. Então ele
continuou aos beijos e a tirar a roupa e o cheiro cada vez pior e então ela
sugeriu que talvez ele quisesse tomar um banho. Vai então ele ficou furioso e
disse que o que precisava era de uma cona e não de uma mãe, que a mãe dele lhe
dizia quando é que devia tomar banho, que não andava pelos bares à procura de
putas para que elas lhe dissessem quando é que devia tomar banho ou cortar o
cabelo ou lavar os dentes. E então vestiu-se e foi-se embora e ela contou-me
tudo para me mostrar que isto de andar por aí no engate tem muito que se lhe
diga.
(…)
“Falconer”, John Cheever – Sextante Editora
quarta-feira, julho 08, 2015
sexta-feira, julho 03, 2015
Some days I feel like my body is straightened
... held up by thin braces, metal spikes embrace my spine, my face, my cunt.
I can feel myself from above, but I can't see who's holding them. It would be easy to think about submission, but I don't think it's about
submission, it's about holding and being held.
(...)
(...)
segunda-feira, junho 29, 2015
Vamos à praia? Não... Get a room!
são uns metros a pé por um dia no paraíso
Esta praia é
bonita mas não é todo esse paraíso que lhe chamam.
Só confirmo os
tons turquesa do mar. De resto, da temperatura do mar e antes que se coloque um
pé dentro de água, é preciso não esquecer que estamos à beira do Oceano
Atlântico... E se estamos à procura de algum sossego, é preciso não esquecer
que estamos em Portugal, onde os aglomerados populacionais sucedem
espontaneamente por cada novidade ou fenómeno em ascensão.
Ainda assim, tal
facto acontecer ali, não deixa de ser surpreendente. Sobretudo se tivermos em
consideração as difíceis condições de acesso à praia – a parte final é um
autêntico labirinto, onde convém estar muito atento à “bolinha vermelha” (às
tantas isto também podia ser um sinal de aviso para o que se podia ver lá em
baixo) pintada em algumas pedras encontradas ao longo do percurso, já para não
falar de que este é feito em acentuado declive.
Também acredito
que muitos visitantes cheguem à praia através do mar: de barco, de kayak, de
“stand up paddle”... a nado – presenciei um pouco de tudo. O que também é certo
é que a meio de uma escaldante tarde de um dia útil, aquela suposta praia
deserta devia fazer concorrência às mais populares da vizinhança.
Eram sobretudo
casais de namorados. Aliás, para ser mais preciso, excluindo a meia dúzia de
turistas e o respectivo guia que “estacionaram” os seus kayaks na beira-mar,
esta praia era populada somente por casais com uma média de idades que rondaria
os vinte e poucos anos... E as suas infinitas “selfies”... E os “selfie
sticks”... E está mais que provado que não há limites para o narcisismo humano.
Ainda pensei se
não tinha sido inadvertidamente apanhado em plena rodagem de um remake do novo
filme do cineasta grego Yorgos Lanthimos: The Lobster.
Lá mais para o
final da tarde, quando a temperatura do ar ameaçava baixar dois ou três graus,
o clima daquela praia aqueceu. Era vê-los abraçados, enrolados, aos longos
beijos, algumas mãos que não se conseguem esconder dentro de biquínis
reduzidos, corpos semi-suados e emparelhados... Foi o momento que considerei
ideal para arranjar forças para fazer o percurso de regresso ao carro e fugir
de cena.
Olhei uma última
vez para aquele “paraíso perdido” (o da natureza, atenção) e lá fui eu, qual
bode do Atlas marroquino, declive acima!
terça-feira, junho 16, 2015
Subscrever:
Mensagens (Atom)




