quarta-feira, julho 15, 2015

Isto de andar por aí no engate tem muito que se lhe diga



(...)
Vai então que ela diz aos amigos, em voz muito alta, que não queria sobremesa, que ia meter-se no carro e ficar sozinha em casa a ler. Disse aquilo tudo de maneira que ele a ouvisse e ficasse a saber que não havia marido nem filhos por perto. Ela conhecia o empregado do bar e sabia que ele passava ao tal sujeito o endereço dela. Foi para casa, enfiou um roupão e às tantas tocou a campainha e lá estava ele. E então mesmo ali na entrada ele desatou a beijá-la, a pôr a mão dela na piça dele e a despir as calças, mesmo ali na entrada, e então ela reparou que se ele era realmente muito bonito era também muito porco. Disse que ele não devia tomar um banho há mais de um mês. Mal lhe chegou aquele pivete, ela errefeceu um bocado e começou a pensar numa maneira de o levar para o duche. Então ele continuou aos beijos e a tirar a roupa e o cheiro cada vez pior e então ela sugeriu que talvez ele quisesse tomar um banho. Vai então ele ficou furioso e disse que o que precisava era de uma cona e não de uma mãe, que a mãe dele lhe dizia quando é que devia tomar banho, que não andava pelos bares à procura de putas para que elas lhe dissessem quando é que devia tomar banho ou cortar o cabelo ou lavar os dentes. E então vestiu-se e foi-se embora e ela contou-me tudo para me mostrar que isto de andar por aí no engate tem muito que se lhe diga.
(…)

Falconer”, John Cheever – Sextante Editora

sexta-feira, julho 03, 2015

Some days I feel like my body is straightened

... held up by thin braces, metal spikes embrace my spine, my face, my cunt. I can feel myself from above, but I can't see who's holding them. It would be easy to think about submission, but I don't think it's about submission, it's about holding and being held.

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segunda-feira, junho 29, 2015

Vamos à praia? Não... Get a room!





são uns metros a pé por um dia no paraíso




Esta praia é bonita mas não é todo esse paraíso que lhe chamam.

Só confirmo os tons turquesa do mar. De resto, da temperatura do mar e antes que se coloque um pé dentro de água, é preciso não esquecer que estamos à beira do Oceano Atlântico... E se estamos à procura de algum sossego, é preciso não esquecer que estamos em Portugal, onde os aglomerados populacionais sucedem espontaneamente por cada novidade ou fenómeno em ascensão.

Ainda assim, tal facto acontecer ali, não deixa de ser surpreendente. Sobretudo se tivermos em consideração as difíceis condições de acesso à praia – a parte final é um autêntico labirinto, onde convém estar muito atento à “bolinha vermelha” (às tantas isto também podia ser um sinal de aviso para o que se podia ver lá em baixo) pintada em algumas pedras encontradas ao longo do percurso, já para não falar de que este é feito em acentuado declive.


Também acredito que muitos visitantes cheguem à praia através do mar: de barco, de kayak, de “stand up paddle”... a nado – presenciei um pouco de tudo. O que também é certo é que a meio de uma escaldante tarde de um dia útil, aquela suposta praia deserta devia fazer concorrência às mais populares da vizinhança.

Eram sobretudo casais de namorados. Aliás, para ser mais preciso, excluindo a meia dúzia de turistas e o respectivo guia que “estacionaram” os seus kayaks na beira-mar, esta praia era populada somente por casais com uma média de idades que rondaria os vinte e poucos anos... E as suas infinitas “selfies”... E os “selfie sticks”... E está mais que provado que não há limites para o narcisismo humano.

Ainda pensei se não tinha sido inadvertidamente apanhado em plena rodagem de um remake do novo filme do cineasta grego Yorgos Lanthimos: The Lobster.



Lá mais para o final da tarde, quando a temperatura do ar ameaçava baixar dois ou três graus, o clima daquela praia aqueceu. Era vê-los abraçados, enrolados, aos longos beijos, algumas mãos que não se conseguem esconder dentro de biquínis reduzidos, corpos semi-suados e emparelhados... Foi o momento que considerei ideal para arranjar forças para fazer o percurso de regresso ao carro e fugir de cena.

Olhei uma última vez para aquele “paraíso perdido” (o da natureza, atenção) e lá fui eu, qual bode do Atlas marroquino, declive acima!

quinta-feira, junho 04, 2015

Retro por retro

O novo disco de Jamie XX é uma proposta interessante para revisitar as várias tendências da música de dança dos anos 90, mas a verdade deve ser dita: é um disco muito previsível e está longe de ser a revolução que muitos lhe pintam. Sem procurar muito, algo que foi editado também nos últimos dias e mais surpreendente que "In Colour", recomendaria como alternativa o projecto paralelo de Maya Jane Coles: Nocturnal Sunshine.



O novo disco de Jamie XX é uma proposta interessante para revisitar as várias tendências da música de dança dos anos 90, mas a verdade deve ser dita: é um disco muito previsível e está longe de ser a revolução que muitos lhe pintam. Sem procurar muito, algo que foi editado também nos últimos dias e mais surpreendente que "In Colour", recomendaria o projecto paralelo de Maya Jane Coles: Nocturnal Sunshine.
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