segunda-feira, dezembro 21, 2015
domingo, dezembro 13, 2015
O melhor de 2015 - EPs + LPs
EPs
10 - Okzharp - Dumela 113
9 - Melé - Ambience
8 - Danny L Harle - Broken Flowers
7 - KiNK - Cloud Generator
6 - Etch - The Serpent And The Rainbow
5 - Mark Ernestus' Ndagga Rhythm Force - Yermande
4 - Girl Band - The Early Years
3 - Nomine - Blind Man
2 - Annie - Endless Vacation
1 - Louisahhh!!! - Shadow Work
Álbuns
25 - Years & Years - Communion
24 - Jaakko Eino Kalevi - Jaakko Eino Kalevi
23 - Kauan - Sorni Nai
22 - Lonelady - Hinterland
21 - Purity Ring - Another Eternity
20 - City Calm Down - In a Restless House
19 - K-X-P - III Pt.1
18 - Protomartyr - The Agent Intellect
17 - Nocturnal Sunshine - Nocturnal Sunshine
16 - CHVRCHES - Every Open Eye
15 - DJ Sotofett - Drippin' For A Tripp
14 - Chelsea Wolfe - Abyss
13 - Jenny Hval - Apocalypse, Girl
12 - The Weeknd - Beauty Behind the Madness
11 - Everything Everything - Get To Heaven
10 - Courtney Barnett - Sometimes I Sit and Think,
And Sometimes I Just Sit
9 - Sonic Jesus - Niether Virtue Nor Anger
8 - Tame Impala - Currents
7 - Viet Cong - Viet Cong
6 - Floating Points – Elaenia
5 - Jazmine
Sullivan - Reality Show
Voz e presença
portentosas, fez com que “Reality Show” arrebatasse a concorrência no
campeonato Rn’B. Trata-se de uma obra surpreendentemente glamorosa e heterogénea,
tanto brilha nesse género mais dançável, como na sua vertente mais clássica/soul.
4 - Wolf
Alice - My Love Is Cool
Um dos
vários problemas dos festivais de verão em Portugal está no recorrente atraso
de um ano (pelo menos) na contratação de artistas. Exemplos? Os The War On Drugs e os Future Islands
deviam ter vindo aos festivais no ano do lançamento dos seus respectivos últimos
discos, em 2014, e os Wolf Alice, que já nesse ano andavam a espalhar o seu charme
e pujança ao vivo, deviam ter feito um festival ‘tuga este ano, como se este “My
Love Is Cool” não reunisse razões de sobra para tal... Aposto que em 2016 estão cá batidos!
3 - Mew -
+-
Os dinamarqueses
Mew até têm sido uma banda consistente, até que apareceu este disco e muitos dos seus ouvintes e respectiva crítica, salientam um certo retrocesso.
Ora eu penso justamente o oposto: há uma evolução. Ora vão lá escutar outra vez
algumas das melhores faixas “indie pop-rock” do ano, como a “Rows”, por
exemplo.
2 - Desperate
Journalist - Desperate Journalist
Outra
das grandes surpresas do ano também aterrou logo no início de 2015 em forma de
disco de estreia. Quem os escuta pela primeira vez diz que eles não passam de
uma banda de tributo aos The Smiths – como se isso fosse até algo assim muito
desprestigiante – só que estas 11 faixas necessitam muito mais dedicação do que
catalogações espontâneas. A gratificação desse trabalho será mesmo excepcional.
1 - Beach House - Thank Your Lucky Stars
Na
modesta opinião de um fã: os Beach House cometeram dois erros este ano. O primeiro
foi terem lançado dois discos de originais no mesmo ano; o segundo e mais
prejudicial, foi terem deixado o melhor dos dois para o fim. Quem gosta
verdadeiramente da banda ficou ligeiramente dividido (eu sou uma das excepções)
entre duas obras que nem têm assim tantos pontos de contacto e a crítica nem
teve tempo para degustar o primeiro, quanto mais o segundo e os resultados
estão à vista de todos nas várias listas de final de ano por essa “net-a-fora”.
Das mais lamentaveis injustiças, é o que eu digo.
quinta-feira, dezembro 10, 2015
Uma aurora
“One Girl. One
City. One Night. One Take.”, o subtítulo de “Victoria”, o mais recente filme do
alemão Sebastian Schipper, serve de mote para lhe fazer uma abordagem
superficial.
Uma rapariga, Victoria, madrilena, jovial,
entre a ingenuidade e a audácia, capaz de dizer coisas tão tontas como intensas:
“You touched my ass!... Say sorry with the heart!”. Uma cidade: Berlim, multicultural,
noctívaga, capital mundial do techno. Uma noite, como qualquer outra, entre os
últimos vestígios da obscuridade e os primeiros momentos da alvorada. Um
(único) plano-sequência, onde os telespectadores, como quaisquer outros
portagonistas deste filme, ficam, desde o seu primeiro segundo, refém do desenlace
da narrativa, não deixando opções de fuga ou formas de ruptura com a realidade –
um dos inúmeros atributos deste filme. Mas falta acrescentar: uma acção.
Uma acção,
irreflectida e inofensiva, que desencadeiam muitas outras. Mais que uma pequena
acção/decisão originar grandes consequências, “Victoria” também pretende
demonstrar que uma paixão ou a solidão pode-nos levar a cometer actos
inconsequentes.
A camara segue
Victoria ao longo de mais de duas horas que dura esta assombrosa obra, até ao
momento em que a paixão é substituída pelo desalento e a solidão volta a
invadir a sua alma, enquanto caminha, nas primeiras horas da manhã, por uma qualquer
rua de Berlim.
A “cereja” no
topo deste magnífico e surpreendente “bolo” é a banda sonora minimalista e intimista - contrastando com a batida techno e a violência
das imagens - que ficou a cargo de Nils Frahm.
segunda-feira, novembro 23, 2015
segunda-feira, novembro 09, 2015
Uma corrente de ar de mudança
Demasiadas
pessoas estão alheadas da política porque não conseguem distinguir os políticos
nem os respectivos partidos. Os grandes partidos disputam o centro, como se
esse espaço tivesse algum significado. Como se fosse sinónimo de sensatez. Ora,
países como a Grécia ou Portugal, que praticamente sempre foram governados por
partidos do centro, estão na situação que estão hoje justamente por terem sido
tomadas medidas muito pouco sensatas. Esses partidos evitam diferenciar-se do
seu mais directo rival e renunciam à sua matriz ideológica com receio de perder
eleitorado (mas depois surpreendem-se com o crescimento dos partidos mais
extremistas).
O que está a
acontecer na actualidade política portuguesa é inédito porque finalmente se
constatou que a democracia vive sobretudo da diferença e para que ela – a
democracia - não seja posta em causa é necessário que os partidos assumam
claramente os seus projectos para a sociedade e se diferenciem, renovando a sua
base ideológica, assumindo os seus traços distintivos. Ao contrário do que a
maioria dos analistas políticos já profetizaram, este reforço e confronto de
posições (esquerda vs. direita) pode trazer benefícios para a nossa
democracia. Nem que seja porque sabemos que a partir daqui, pouco ou nada vai
ser como dantes.
sexta-feira, novembro 06, 2015
domingo, novembro 01, 2015
Mas quem será a mãe das crianças
Parte de uma
história “normal”, onde encontramos dois irmãos gémeos meio perdidos entre as
suas brincadeiras tipicamente (nem tanto da nossa actualidade) de crianças, no
exterior da sua moderna e grande casa no meio do campo, e o regresso de uma mãe
irreconhecível, em todos os sentidos, após uma cirurgia facial.
Depois, “Goodnight
Mommy” ,"Ich seh, Ich seh" (título original – qualquer coisa como um mais
interessante “eu vejo, eu vejo”, a remeter-nos para a revelação final e o confronto
dos sentidos ver/sentir), da dupla austríaca semi-estreante Severin Fiala e
Veronika Franz e que teve estreia por cá na mais recente edição do IndieLisboa,
passa por uma fase de obsessão daquelas crianças para essa ideia inicial de que
aquela mulher não é a sua mãe. Esta revela-se perante o telespectador também
como uma estranha, sobretudo (estranhamos) quando tem um comportamento tão
diferenciado perante cada um dos seus dois filhos.
Há uma atmosfera
de suspense, um quase thriller psicológico que nunca chega a ser propriamente concretizado
ou visionado, nem no seu clímax. Há antes uma opção típicamente herdada pela “escola
austríaca”, aka Michael Heneke, de revelar o terror pelo seu lado mais cru e
macabro: a tortura física. Sem rodeios, sem auxílio a uma banda sonora, sem
sustos, sem histerismos.
Este filme é tudo
isso: terror mudo, em todo o seu esplendor, brutal, inteligente e magnífico.
quinta-feira, outubro 29, 2015
Selecção artificial
Este não será o
primeiro (nem o último) filme “minimalista” a não fornecer qualquer tipo de
referência de tempo ou espaço aos telespectadores. Nem será propriamente
original na forma como nos remete, logo desde os primeiros segundos de
película, para o centro de uma espécie de experiência sociológica, onde é
possível observar a espécie humana a interagir numa situação limite. No
entanto, este “Circle” nunca deixa de surpreender.
Cinquenta pessoas
posicionadas em forma circular acordam numa sala escura. Logo nos primeiros
minutos são confrontadas com as “regras do jogo”, sendo que a mais importante é aquela
que estipula que de dois em dois minutos alguém tem que ser eliminado, que é
como quem diz: ser morto, mas cada um dos concorrentes tem esse poder (de voto)
de eliminação de outrem (ou de suicídio).
O interesse do
“jogo”, ou inclusive do próprio filme, começa justamente com as tentativas de
persuasão de cada um e com a troca de argumentos - se por um lado há quem se
refugie nos preconceitos, também surge abundantemente as ordenações
politicamente correctas, mesmo que por vezes algumas delas venham a ser
desmascaradas lá mais para o final. Por uma questão de sobrevivência, tudo é
possível. Acho até que por tal razão, este filme acaba por ser mais um interessante “case study”
político que uma atípica experiência social.
Os dois
realizadores de “Circle” até admitem algumas influências de “12 Angry Men” de 1957, e isso também pode não chegar para o elevar ao estatuto de filme de culto, ao nível de um
“Cube” de 1997, por exemplo. Estes também são outros tempos e já não ficará nada mal se
ficar catalogado como o melhor “sci-fi com twist” que a Netflix comprou até à
data.
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