domingo, dezembro 13, 2015

O melhor de 2015 - EPs + LPs



EPs

10 - Okzharp - Dumela 113
9 - Melé - Ambience
8 - Danny L Harle - Broken Flowers
7 - KiNK - Cloud Generator
6 - Etch - The Serpent And The Rainbow
5 - Mark Ernestus' Ndagga Rhythm Force - Yermande
4 - Girl Band - The Early Years
3 - Nomine - Blind Man
2 - Annie - Endless Vacation
1 - Louisahhh!!! - Shadow Work



Álbuns

25 - Years & Years - Communion
24 - Jaakko Eino Kalevi - Jaakko Eino Kalevi
23 - Kauan - Sorni Nai
22 - Lonelady - Hinterland
21 - Purity Ring - Another Eternity

20 - City Calm Down - In a Restless House
19 - K-X-P - III Pt.1
18 - Protomartyr - The Agent Intellect
17 - Nocturnal Sunshine - Nocturnal Sunshine
16 - CHVRCHES - Every Open Eye

15 - DJ Sotofett - Drippin' For A Tripp
14 - Chelsea Wolfe - Abyss
13 - Jenny Hval - Apocalypse, Girl
12 - The Weeknd - Beauty Behind the Madness
11 - Everything Everything - Get To Heaven

10 - Courtney Barnett - Sometimes I Sit and Think, And Sometimes I Just Sit
9 - Sonic Jesus - Niether Virtue Nor Anger
8 - Tame Impala - Currents
7 - Viet Cong - Viet Cong
6 - Floating Points – Elaenia

5 - Jazmine Sullivan - Reality Show
Voz e presença portentosas, fez com que “Reality Show” arrebatasse a concorrência no campeonato Rn’B. Trata-se de uma obra surpreendentemente glamorosa e heterogénea, tanto brilha nesse género mais dançável, como na sua vertente mais clássica/soul.

4 - Wolf Alice - My Love Is Cool
Um dos vários problemas dos festivais de verão em Portugal está no recorrente atraso de um ano (pelo menos) na contratação de artistas. Exemplos? Os The War On Drugs e os Future Islands deviam ter vindo aos festivais no ano do lançamento dos seus respectivos últimos discos, em 2014, e os Wolf Alice, que já nesse ano andavam a espalhar o seu charme e pujança ao vivo, deviam ter feito um festival ‘tuga este ano, como se este “My Love Is Cool” não reunisse razões de sobra para tal...  Aposto que em 2016 estão cá batidos!

3 - Mew - +-
Os dinamarqueses Mew até têm sido uma banda consistente, até que apareceu este disco e muitos dos seus ouvintes e respectiva crítica, salientam um certo retrocesso. Ora eu penso justamente o oposto: há uma evolução. Ora vão lá escutar outra vez algumas das melhores faixas “indie pop-rock” do ano, como a “Rows”, por exemplo.

2 - Desperate Journalist - Desperate Journalist
Outra das grandes surpresas do ano também aterrou logo no início de 2015 em forma de disco de estreia. Quem os escuta pela primeira vez diz que eles não passam de uma banda de tributo aos The Smiths – como se isso fosse até algo assim muito desprestigiante – só que estas 11 faixas necessitam muito mais dedicação do que catalogações espontâneas. A gratificação desse trabalho será mesmo excepcional.

1 - Beach House - Thank Your Lucky Stars
Na modesta opinião de um fã: os Beach House cometeram dois erros este ano. O primeiro foi terem lançado dois discos de originais no mesmo ano; o segundo e mais prejudicial, foi terem deixado o melhor dos dois para o fim. Quem gosta verdadeiramente da banda ficou ligeiramente dividido (eu sou uma das excepções) entre duas obras que nem têm assim tantos pontos de contacto e a crítica nem teve tempo para degustar o primeiro, quanto mais o segundo e os resultados estão à vista de todos nas várias listas de final de ano por essa “net-a-fora”. Das mais lamentaveis injustiças, é o que eu digo.

quinta-feira, dezembro 10, 2015

Uma aurora



“One Girl. One City. One Night. One Take.”, o subtítulo de “Victoria”, o mais recente filme do alemão Sebastian Schipper, serve de mote para lhe fazer uma abordagem superficial.
Uma rapariga, Victoria, madrilena, jovial, entre a ingenuidade e a audácia, capaz de dizer coisas tão tontas como intensas: “You touched my ass!... Say sorry with the heart!”. Uma cidade: Berlim, multicultural, noctívaga, capital mundial do techno. Uma noite, como qualquer outra, entre os últimos vestígios da obscuridade e os primeiros momentos da alvorada. Um (único) plano-sequência, onde os telespectadores, como quaisquer outros portagonistas deste filme, ficam, desde o seu primeiro segundo, refém do desenlace da narrativa, não deixando opções de fuga ou formas de ruptura com a realidade – um dos inúmeros atributos deste filme. Mas falta acrescentar: uma acção.
Uma acção, irreflectida e inofensiva, que desencadeiam muitas outras. Mais que uma pequena acção/decisão originar grandes consequências, “Victoria” também pretende demonstrar que uma paixão ou a solidão pode-nos levar a cometer actos inconsequentes.
A camara segue Victoria ao longo de mais de duas horas que dura esta assombrosa obra, até ao momento em que a paixão é substituída pelo desalento e a solidão volta a invadir a sua alma, enquanto caminha, nas primeiras horas da manhã, por uma qualquer rua de Berlim.
A “cereja” no topo deste magnífico e surpreendente “bolo” é a banda sonora minimalista e intimista - contrastando com a batida techno e a violência das imagens - que ficou a cargo de Nils Frahm.

segunda-feira, novembro 23, 2015

segunda-feira, novembro 09, 2015

Uma corrente de ar de mudança



Demasiadas pessoas estão alheadas da política porque não conseguem distinguir os políticos nem os respectivos partidos. Os grandes partidos disputam o centro, como se esse espaço tivesse algum significado. Como se fosse sinónimo de sensatez. Ora, países como a Grécia ou Portugal, que praticamente sempre foram governados por partidos do centro, estão na situação que estão hoje justamente por terem sido tomadas medidas muito pouco sensatas. Esses partidos evitam diferenciar-se do seu mais directo rival e renunciam à sua matriz ideológica com receio de perder eleitorado (mas depois surpreendem-se com o crescimento dos partidos mais extremistas).

O que está a acontecer na actualidade política portuguesa é inédito porque finalmente se constatou que a democracia vive sobretudo da diferença e para que ela – a democracia - não seja posta em causa é necessário que os partidos assumam claramente os seus projectos para a sociedade e se diferenciem, renovando a sua base ideológica, assumindo os seus traços distintivos. Ao contrário do que a maioria dos analistas políticos já profetizaram, este reforço e confronto de posições (esquerda vs. direita) pode trazer benefícios para a nossa democracia. Nem que seja porque sabemos que a partir daqui, pouco ou nada vai ser como dantes.  

domingo, novembro 01, 2015

Mas quem será a mãe das crianças




Parte de uma história “normal”, onde encontramos dois irmãos gémeos meio perdidos entre as suas brincadeiras tipicamente (nem tanto da nossa actualidade) de crianças, no exterior da sua moderna e grande casa no meio do campo, e o regresso de uma mãe irreconhecível, em todos os sentidos, após uma cirurgia facial.
Depois, “Goodnight Mommy” ,"Ich seh, Ich seh" (título original – qualquer coisa como um mais interessante “eu vejo, eu vejo”, a remeter-nos para a revelação final e o confronto dos sentidos ver/sentir), da dupla austríaca semi-estreante Severin Fiala e Veronika Franz e que teve estreia por cá na mais recente edição do IndieLisboa, passa por uma fase de obsessão daquelas crianças para essa ideia inicial de que aquela mulher não é a sua mãe. Esta revela-se perante o telespectador também como uma estranha, sobretudo (estranhamos) quando tem um comportamento tão diferenciado perante cada um dos seus dois filhos.
Há uma atmosfera de suspense, um quase thriller psicológico que nunca chega a ser propriamente concretizado ou visionado, nem no seu clímax. Há antes uma opção típicamente herdada pela “escola austríaca”, aka Michael Heneke, de revelar o terror pelo seu lado mais cru e macabro: a tortura física. Sem rodeios, sem auxílio a uma banda sonora, sem sustos, sem histerismos.
Este filme é tudo isso: terror mudo, em todo o seu esplendor, brutal, inteligente e magnífico.

quinta-feira, outubro 29, 2015

Selecção artificial



Este não será o primeiro (nem o último) filme “minimalista” a não fornecer qualquer tipo de referência de tempo ou espaço aos telespectadores. Nem será propriamente original na forma como nos remete, logo desde os primeiros segundos de película, para o centro de uma espécie de experiência sociológica, onde é possível observar a espécie humana a interagir numa situação limite. No entanto, este “Circle” nunca deixa de surpreender.


Cinquenta pessoas posicionadas em forma circular acordam numa sala escura. Logo nos primeiros minutos são confrontadas com as “regras do jogo”, sendo que a mais importante é aquela que estipula que de dois em dois minutos alguém tem que ser eliminado, que é como quem diz: ser morto, mas cada um dos concorrentes tem esse poder (de voto) de eliminação de outrem (ou de suicídio).

O interesse do “jogo”, ou inclusive do próprio filme, começa justamente com as tentativas de persuasão de cada um e com a troca de argumentos - se por um lado há quem se refugie nos preconceitos, também surge abundantemente as ordenações politicamente correctas, mesmo que por vezes algumas delas venham a ser desmascaradas lá mais para o final. Por uma questão de sobrevivência, tudo é possível. Acho até que por tal razão, este filme acaba por ser mais um interessante “case study” político que uma atípica experiência social.


Os dois realizadores de “Circle” até admitem algumas influências de “12 Angry Men” de 1957, e isso também pode não chegar para o elevar ao estatuto de filme de culto, ao nível de um “Cube” de 1997, por exemplo. Estes também são outros tempos e já não ficará nada mal se ficar catalogado como o melhor “sci-fi com twist” que a Netflix comprou até à data.