segunda-feira, julho 07, 2008
quinta-feira, julho 03, 2008
Pode-se dizer que ganhou com uma enorme diferença (horária) face à concorrência
"Prémios MAC": Pela quarta vez consecutiva, o CARTAZ DAS ARTES (TVI) ganhou o prémio de Programa de Divulgação Cultural, que também foi distinguido por melhor apresentador, realizador e jornalista.
O nosso melhor programa de divulgação cultural passa uma vez por semana às 2 da manhã. Mais hora menos hora - depende sempre se há um especial "Fascínios" ou d' "A outra".
quarta-feira, julho 02, 2008
Polamordeus!
Poliamor é um tipo de relação em que cada pessoa tem a liberdade de manter mais do que um relacionamento ao mesmo tempo. Não segue a monogamia como modelo de felicidade, o que não implica, porém, a promiscuidade. Não se trata de procurar obsessivamente novas relações pelo facto de ter essa possibilidade sempre em aberto, mas sim de viver naturalmente tendo essa liberdade em mente. (...)
O Poliamor aceita como facto evidente que todas as pessoas têm sentimentos em relação a outras que as rodeiam. E que isto não põe necessariamente em causa sentimentos ou relações anteriores. Aliás, o ciúme não tem lugar neste tipo de relação. Primeiro porque nenhuma relação está posta em causa pela mera existência de outra, mas sim pela sua própria capacidade de se manter ou não. Segundo, porque a principal causa do ciúme, a insegurança, é praticamente eliminada, já que a abertura é total. Não havendo consequências restritivas para um comportamento, deixa de haver razão para esconder seja o que for. Cada pessoa tem o domínio total da situação, e a liberdade para fazer escolhas a qualquer momento.
Portanto estamos perante um tipo de relacionamento que se aprogoa mais livre que todos os outros, em que não há lugar a ciumeiras e inseguranças e por aí a fora... Diz que é o futuro das relações no século XXI. Ora bem, enquanto não me transformo em robot, ainda vou a tempo de levantar algumas questões (muito básicas).
1. Com todas as vantagens apresentadas – que se podem resumir ao facto de não haver cornudos nestas relações – e de quererem afastar-se dos estereótipos conventuais, a maioria dos poliamorosos (“tradicionalmente”) casa-se exactamente porquê?
2. Este grupo associou-se a um movimento LGBT num desfile no passado sábado em Lisboa. O movimento LGBT passou a ser o último reduto onde cabe todo o tipo de "sexualidades alternativas"? Alguém me ilumine e faça ver as semelhanças porque eu só vejo diferenças. Sobretudo em questões discriminatórias, práticas e realistas: eu (infelizmente) ainda continuo a viver numa sociedade em que um gajo que assuma publicamente a sua homossexualidade nunca deixará de ser, para a maioria, um grandessíssimo rabeta - vá lá no melhor dos casos, um maricas* - enquanto se trocar de parceira frequentemente, o pior que lhe pode acontecer é apanhar uma doença venérea - mas nunca deixará de ser apreciado, socialmente, como um enorme garanhão.
3. E há inconvenientes? Ou o único problema do poliamor é saber, terminada a “confusão”, a quem pertence um determinado polichinelo?
4. E a pergunta final que se impõe será: as pessoas que se cansam de uma relação poliamorosa, ficarão polisaturadas?
*Como a mãe de um bailarino de renome disse ontem, em prime time, numa reportagem da RTP1. Estaria receosa que fosse esse o destino do seu primoroso filho quando aquele optou por enveredar por tal temida e “socialmente apaneleirada” carreira. Mas não, para seu abismal agrado, o filho apaixonou-se por uma colega de profissão. Haleluja!
Um desgosto pode ser como a estupidez: insuperável.
O Poliamor aceita como facto evidente que todas as pessoas têm sentimentos em relação a outras que as rodeiam. E que isto não põe necessariamente em causa sentimentos ou relações anteriores. Aliás, o ciúme não tem lugar neste tipo de relação. Primeiro porque nenhuma relação está posta em causa pela mera existência de outra, mas sim pela sua própria capacidade de se manter ou não. Segundo, porque a principal causa do ciúme, a insegurança, é praticamente eliminada, já que a abertura é total. Não havendo consequências restritivas para um comportamento, deixa de haver razão para esconder seja o que for. Cada pessoa tem o domínio total da situação, e a liberdade para fazer escolhas a qualquer momento.
Portanto estamos perante um tipo de relacionamento que se aprogoa mais livre que todos os outros, em que não há lugar a ciumeiras e inseguranças e por aí a fora... Diz que é o futuro das relações no século XXI. Ora bem, enquanto não me transformo em robot, ainda vou a tempo de levantar algumas questões (muito básicas).
1. Com todas as vantagens apresentadas – que se podem resumir ao facto de não haver cornudos nestas relações – e de quererem afastar-se dos estereótipos conventuais, a maioria dos poliamorosos (“tradicionalmente”) casa-se exactamente porquê?
2. Este grupo associou-se a um movimento LGBT num desfile no passado sábado em Lisboa. O movimento LGBT passou a ser o último reduto onde cabe todo o tipo de "sexualidades alternativas"? Alguém me ilumine e faça ver as semelhanças porque eu só vejo diferenças. Sobretudo em questões discriminatórias, práticas e realistas: eu (infelizmente) ainda continuo a viver numa sociedade em que um gajo que assuma publicamente a sua homossexualidade nunca deixará de ser, para a maioria, um grandessíssimo rabeta - vá lá no melhor dos casos, um maricas* - enquanto se trocar de parceira frequentemente, o pior que lhe pode acontecer é apanhar uma doença venérea - mas nunca deixará de ser apreciado, socialmente, como um enorme garanhão.
3. E há inconvenientes? Ou o único problema do poliamor é saber, terminada a “confusão”, a quem pertence um determinado polichinelo?
4. E a pergunta final que se impõe será: as pessoas que se cansam de uma relação poliamorosa, ficarão polisaturadas?
*Como a mãe de um bailarino de renome disse ontem, em prime time, numa reportagem da RTP1. Estaria receosa que fosse esse o destino do seu primoroso filho quando aquele optou por enveredar por tal temida e “socialmente apaneleirada” carreira. Mas não, para seu abismal agrado, o filho apaixonou-se por uma colega de profissão. Haleluja!
Um desgosto pode ser como a estupidez: insuperável.
segunda-feira, junho 30, 2008
sexta-feira, junho 27, 2008
"Os preconceitos obscurecem sempre a verdade" - nem de propósito

No filme “12 Homens em Fúria”, 12 Angry Men (1957) de Sidney Lumet, um dos doze jurados, a quem lhes foi submetida para apreciação a sentença de um jovem acusado de ter morto o seu pai, diz:
It's always difficult to keep personal prejudice out of a thing like this. And wherever you run into it, prejudice always obscures the truth. I don't really know what the truth is. I don't suppose anybody will ever really know. Nine of us now seem to feel that the defendant is innocent, but we're just gambling on probabilities - we may be wrong. We may be trying to let a guilty man go free, I don't know. Nobody really can. But we have a reasonable doubt, and that's something that's very valuable in our system. No jury can declare a man guilty unless it's SURE. We nine can't understand how you three are still so sure. Maybe you can tell us.
It's always difficult to keep personal prejudice out of a thing like this. And wherever you run into it, prejudice always obscures the truth. I don't really know what the truth is. I don't suppose anybody will ever really know. Nine of us now seem to feel that the defendant is innocent, but we're just gambling on probabilities - we may be wrong. We may be trying to let a guilty man go free, I don't know. Nobody really can. But we have a reasonable doubt, and that's something that's very valuable in our system. No jury can declare a man guilty unless it's SURE. We nine can't understand how you three are still so sure. Maybe you can tell us.
quarta-feira, junho 25, 2008
A escrita que nos faz levantar os cornos (e baixar outras coisas)
Capítulo I
(...)
Cheguei a um beco sem saída e quando me senti no fundo, olhei para cima e disse para mim mesma: agora vais ter de subir a puta da montanha, quer queiras quer não, senão cai-te um piano, um avião ou uma bomba neste buraco em que te meteste e nunca mais levantas os cornos.
(...)
A Naná e eu conhecemos o João por acaso, numa daquelas noites de Verão de Junho num bar da praia do Tamariz. Vinha com um amigo do meu irmão Gonçalo, o Zé Maria Almeida e Sousa, de quem era primo direito. O Zé Maria é casado com uma gordinha simpática e pouco esperta, a Constança Alvim, e passa a vida a sair à noite, o típico parvo com a mania que é esperto, cabelo lambido com gel e camisas coloridas a atirar ao pseudomoderno, especialista em cabeleireiras e rapariguinhas de shopping.
(...)
Retirado daqui:
(...)
Cheguei a um beco sem saída e quando me senti no fundo, olhei para cima e disse para mim mesma: agora vais ter de subir a puta da montanha, quer queiras quer não, senão cai-te um piano, um avião ou uma bomba neste buraco em que te meteste e nunca mais levantas os cornos.
(...)
A Naná e eu conhecemos o João por acaso, numa daquelas noites de Verão de Junho num bar da praia do Tamariz. Vinha com um amigo do meu irmão Gonçalo, o Zé Maria Almeida e Sousa, de quem era primo direito. O Zé Maria é casado com uma gordinha simpática e pouco esperta, a Constança Alvim, e passa a vida a sair à noite, o típico parvo com a mania que é esperto, cabelo lambido com gel e camisas coloridas a atirar ao pseudomoderno, especialista em cabeleireiras e rapariguinhas de shopping.
(...)
Retirado daqui:
(sai dia 30 deste mês)
terça-feira, junho 24, 2008
Ena ena um anúncio de cerveja portuguesa sem “trolhices”, assobios parolos e os da weasel!
Nunca é demasiado tarde para chamar a atenção para esta pérola. (A música também só podia estar presente numa das compilações da série "Anatomia de Grey")
segunda-feira, junho 23, 2008
Somos o que lemos?
Conduzo o carro de compras até ao fim de um dos corredores do hipermercado e por lá se encontrava um outro “carrinho” parado que ocupava grande parte do espaço de circulação, bem como outro, mesmo ao lado, com produtos para reposição. Junto do primeiro estavam três miúdos de etnia cigana. De tão concentrados que estavam na contagem do dinheiro que traziam nem deram pela minha presença. Quando preparava-me para desviar o carro do repositor, para conseguir passar, um dos jovens pede-me gentilmente desculpas e desvia o seu carro.
Dirijo-me, entretanto, para uma das filas de caixa de pagamento que avalio como sendo a menos longa. Entretanto, reparo que os “ciganitos” deslocam-se para uma outra fila, algo distante da que me encontrava, com o seu respectivo carro de compras, transportando somente uma palete de garrafas de água. Antes de colocar os meus produtos no tapete rolante observo que eles dialogam com as pessoas do fim da fila onde se encontram. Deduzo que pedem, face ao que apresentam para pagamento, uma certa prioridade... Passado alguns segundos oiço um surpreendente e ruidoso: “Não o admito que me trate assim!”. Tinha saído da boca de um dos ciganos, e estes estavam parados, agora, diante de um casal de meia-idade: ele, empurrando o carro mostrava-se indiferente às declarações do cigano - sorrindo até - e ela já estava concentrada na tarefa de colocação dos produtos no tapete. “Está-se a rir de quê?!”... Os ânimos estavam a exaltar-se ao ponto de pedir uma intervenção do segurança.
Entretanto chegou a minha vez de ser atendido e não consegui acompanhar o resultado de tal aparato. Antes de sair do hipermercado, ainda tive tempo de confirmar que os miúdos se encontravam junto da caixa. O casal já estava no exterior e conversavam com o segurança. A caminho do meu carro, consegui ouvir o senhor de óculos e cabelo grisalho, com ar austero, a dizer qualquer coisa como: “ (...) Para o vosso próprio bem: não os podem deixar cá entrar...”. Também me chamou a atenção o jornal dobrado em três partes iguais debaixo do seu braço direito. Pelas enormes letras garrafais que se destacavam na primeira página, foi muito fácil adivinhar que diário se tratava.
Dirijo-me, entretanto, para uma das filas de caixa de pagamento que avalio como sendo a menos longa. Entretanto, reparo que os “ciganitos” deslocam-se para uma outra fila, algo distante da que me encontrava, com o seu respectivo carro de compras, transportando somente uma palete de garrafas de água. Antes de colocar os meus produtos no tapete rolante observo que eles dialogam com as pessoas do fim da fila onde se encontram. Deduzo que pedem, face ao que apresentam para pagamento, uma certa prioridade... Passado alguns segundos oiço um surpreendente e ruidoso: “Não o admito que me trate assim!”. Tinha saído da boca de um dos ciganos, e estes estavam parados, agora, diante de um casal de meia-idade: ele, empurrando o carro mostrava-se indiferente às declarações do cigano - sorrindo até - e ela já estava concentrada na tarefa de colocação dos produtos no tapete. “Está-se a rir de quê?!”... Os ânimos estavam a exaltar-se ao ponto de pedir uma intervenção do segurança.
Entretanto chegou a minha vez de ser atendido e não consegui acompanhar o resultado de tal aparato. Antes de sair do hipermercado, ainda tive tempo de confirmar que os miúdos se encontravam junto da caixa. O casal já estava no exterior e conversavam com o segurança. A caminho do meu carro, consegui ouvir o senhor de óculos e cabelo grisalho, com ar austero, a dizer qualquer coisa como: “ (...) Para o vosso próprio bem: não os podem deixar cá entrar...”. Também me chamou a atenção o jornal dobrado em três partes iguais debaixo do seu braço direito. Pelas enormes letras garrafais que se destacavam na primeira página, foi muito fácil adivinhar que diário se tratava.
sexta-feira, junho 20, 2008
"Monsieur, monsieur, une pièce..."
Em Marrocos a “chulice” é tanta que quando entrei no avião de regresso ainda estava com receio que aparecesse, vindo do nada, um puto que fizesse questão em levar-me ao meu lugar, em troca de alguns dirhams. Ou numa perspectiva mais adulterada, temia que uma das hospedeiras retirasse o seu chapeuzinho e desse início à angariação de umas gorjetas para o piloto e restante tripulação.
Felizmente, as minhas piores expectativas não se concretizaram. No entanto, aconselha-se a só dar descanso ao nosso melhor espírito regateador de preços quando o avião já estiver fora de território marroquino.
Felizmente, as minhas piores expectativas não se concretizaram. No entanto, aconselha-se a só dar descanso ao nosso melhor espírito regateador de preços quando o avião já estiver fora de território marroquino.
sexta-feira, junho 06, 2008
Apesar de tudo, vamos ser felizes
Por muito tempo que supostamente dure essa ideia de felicidade, tem sempre a tontura dos delírios do prazer mais imediatos. E nunca a consciência dessa vertigem é tão aguda como nos momentos que, vistos de fora, parecem mais pacatos: quando se está a dois (confortavelmente) sentados, sem soltar uma palavra sequer, no carro parado à espera que o semáforo mude, a jantar, ou mesmo numa sala de cinema com mais pessoas. O lado trágico disto é tão somente a nossa fragilidade, essa extrema dependência, que um pequeno azar na estrada ou na massa celular possa levar à mais insolúvel saudade.
Se a posse nunca se sente – que é como quem diz nunca é suficiente – e o medo da perda está sempre presente, como se pode falar em felicidade?
O milagre é que se possa.
Se a posse nunca se sente – que é como quem diz nunca é suficiente – e o medo da perda está sempre presente, como se pode falar em felicidade?
O milagre é que se possa.
(Viver é uma constante dialéctica entre o prazer e o sofrimento. O que temos de conseguir para que valha a pena viver é que o prazer seja superior ao desejo de nos deixarmos afundar na angústia da existência.)
PS - Vou de férias por duas semanas e, pelo menos nesta ausência, só vos pedia o tal favor que se pede por defeito mas com muito carinho: sejam felizes, pois então.
PS - Vou de férias por duas semanas e, pelo menos nesta ausência, só vos pedia o tal favor que se pede por defeito mas com muito carinho: sejam felizes, pois então.
É daquelas injustiças
Ainda mais preocupante que Portugal ter saído do top 10 do ranking da FIFA e falar-se de um clube e de um país pelos piores motivos, é o facto de uma equipa, que se comportou de uma forma quase irrepreensível ao longo de toda uma época, ter que ceder o seu lugar numa competição europeia a outra que jogou “futebol” ao nível do Clube Desportivo de Berruganha-a-nova. Sem desmérito para o CDBaN, claro.
quarta-feira, junho 04, 2008
Quimicazita
Nesta altura do ano, a maioria dos telespectadores nem cabe em si de curiosidade por saber, um por um, quem são os casais que vão dar o nó abençoados pelo Santo António - que é como quem diz, por conta do Município da capital. E quem melhor que a RTP para fazer cumprir esse serviço público?
O serão televisivo ganha sempre um outro encanto com tanto romantismo e… humor. É hilariante sobretudo na parte em que cada um declara/adivinha os gostos do futuro conjugue. Um destino de férias: ela diz Espanha e ele depois confessa… Tailândia. Uma peça de roupa: ela diz camisa, ele diz boxers. O prato favorito: ela diz leitão à Bairrada e ele, uma francesinha! E por aí a fora... Só com tiros ao lado, fica bem demonstrado o grau de conhecimento das preferências mútuas. Ainda bem que aparecem, logo de seguida, bem juntinhos e bem enamorados, não fosse alguém pensar que eles (“aparentemente”) só apressaram o casório por causa do tal chequinho “milagroso” oferecido pela CML.
segunda-feira, junho 02, 2008
Na penumbra
“Não me lembro bem da tua cara mas conheço bem as tuas mãos.”Palavras mágicas de Geraldine Page. Retirado de “Corações na Penumbra” - Sweet Bird of Youth (1962).
Filme baseado num texto de Tennessee Williams.
Paul Newman diz, também, às tantas, que o mundo se divide entre as pessoas que sentem prazer quando fazem amor e as que não sentem prazer quando fazem amor. O que também tem muito que se lhe diga.
sexta-feira, maio 30, 2008
Humor doméstico
Hoje, logo a iniciar o programa matinal do Goucha na TVI, apareceu duas raparigas vestidas de fada a representar parte de uma peça infantil que está em exibição lá para os lados de Sintra. Na parte da "endiabrada" entrevista o apresentador, ao notar que uma delas está grávida, disse: "Já vi que a menina não é empata-fadas!"...
Enquanto isso na RTP1, fazia-se uma sessão de ginástica onde os "vulgares" pesos eram substituídos por pacotes de arroz.
quinta-feira, maio 29, 2008
Hi Fyfe
Basicamente o que mais gosto nos Guillemots é a voz do vocalista (Fyfe Dangerfield) e as orquestrações que o acompanham em algumas músicas – só para dar um exemplo do que falo: If the World Ends. Entretanto andei à procura de material dele a solo e descobri isto (retirado daqui). E, como seria de esperar, fiquei irremediavelmente KO.
É a crise! É a crise!
Isto anda de de tal forma mal que os carjackers já se recusam ficar com o carro se o seu depósito não estiver, no mínimo, meio.
quarta-feira, maio 28, 2008
terça-feira, maio 27, 2008
Uma certa irresponsabilidade
Passeio, numa noite de fim-de-semana, pelas ruas movimentadas de uma zona de bares de Lisboa. Há claramente uma predominância de adolescentes entre os noctívagos. A idade deles só me é revelada pelos comportamentos e diálogos que mantêm entre si. De resto: vestem-se, bebem e fumam como adultos. Nada disto será novidade para ninguém, muito menos para quem os educa.
Nota-se que há uma maior preocupação com a aparência entre as raparigas. Uma certa vaidade para captar a atenção do maior número de rapazes e/ou simplesmente por uma questão de integração no grupo. Percebo que já não basta idolatrar os actores dos “Morangos”, há que agir como eles.
Vou ser saudosista: no meu tempo, por estas idades, não me recordo de haver este tipo de pressão com a imagem que se passava para o exterior. Havia, sempre houve, grupos e também era “fixe” fazer parte deles. Mas era uma “cena” mais despreocupada, mais infantil. Com o grunge na berra quem é que tinha tempo para se preocupar em ser muito sexy? Não tínhamos novelas descartáveis mas tínhamos uma MTV cheia de ideais saltitantes. Mas porra: ter sex appeal aos 14 anos? Chega-se aos 25 com vontade de ter netos, não?
Esta ansiedade de querer viver muito para além da idade real, também se reflecte no excesso de consumismo destes jovens. Os bens materiais a que hoje em dia os adolescentes das classes média e alta têm acesso, são lhes demasiado facilitados pelos pais. Um i-pod, umas jeans da salsa ou da timberland, o último modelo de telemóvel, uma acelera nova, ... Tudo parece-me facilmente atingível, sem qualquer esforço e sem qualquer contrapartida - que lição de vida um adolescente pode retirar daqui?
Os pais, descartando das suas principais funções enquanto progenitores, limitam-se a pagar. Isso salvar-lhes-á da (má) consciência de serem uns educadores cada vez mais ausentes.
Mais grave que se criar uma geração de putos e “pitas” exageradamente mimados e remediadamente amados, é perceber como se encara, presentemente, uma família. Já não se olha para uma família como uma forma de obter amor e carinho. Quando os pais comprometem-se a fazer horas extraordinárias só para pagar a viagem a Palma de Maiorca da sua filha adolescente que assim o exigiu, sob pena de fazer uma birra ou sentir-se excluída do clã lá da escola, concluo que há algo nestes novos modelos familiares que parece-me estar a descambar. Retiro, igualmente, um saldo final negativo: mais trabalho, mais ausência, menos partilhas, menos afectos.
Nas classes mais baixas, o saldo pode não ser melhor, já que a ênfase dada aos bens materiais é tanta que quando as pessoas não os têm, ou não os conseguem de qualquer forma obter, sentem-se uns falhados.
No fundo, ter um filho é uma imensa responsabilidade e, acho, mas posso estar inteiramente errado, que as pessoas têm filhos numa idade de ligeira irresponsabilidade.
Nota-se que há uma maior preocupação com a aparência entre as raparigas. Uma certa vaidade para captar a atenção do maior número de rapazes e/ou simplesmente por uma questão de integração no grupo. Percebo que já não basta idolatrar os actores dos “Morangos”, há que agir como eles.
Vou ser saudosista: no meu tempo, por estas idades, não me recordo de haver este tipo de pressão com a imagem que se passava para o exterior. Havia, sempre houve, grupos e também era “fixe” fazer parte deles. Mas era uma “cena” mais despreocupada, mais infantil. Com o grunge na berra quem é que tinha tempo para se preocupar em ser muito sexy? Não tínhamos novelas descartáveis mas tínhamos uma MTV cheia de ideais saltitantes. Mas porra: ter sex appeal aos 14 anos? Chega-se aos 25 com vontade de ter netos, não?
Esta ansiedade de querer viver muito para além da idade real, também se reflecte no excesso de consumismo destes jovens. Os bens materiais a que hoje em dia os adolescentes das classes média e alta têm acesso, são lhes demasiado facilitados pelos pais. Um i-pod, umas jeans da salsa ou da timberland, o último modelo de telemóvel, uma acelera nova, ... Tudo parece-me facilmente atingível, sem qualquer esforço e sem qualquer contrapartida - que lição de vida um adolescente pode retirar daqui?
Os pais, descartando das suas principais funções enquanto progenitores, limitam-se a pagar. Isso salvar-lhes-á da (má) consciência de serem uns educadores cada vez mais ausentes.
Mais grave que se criar uma geração de putos e “pitas” exageradamente mimados e remediadamente amados, é perceber como se encara, presentemente, uma família. Já não se olha para uma família como uma forma de obter amor e carinho. Quando os pais comprometem-se a fazer horas extraordinárias só para pagar a viagem a Palma de Maiorca da sua filha adolescente que assim o exigiu, sob pena de fazer uma birra ou sentir-se excluída do clã lá da escola, concluo que há algo nestes novos modelos familiares que parece-me estar a descambar. Retiro, igualmente, um saldo final negativo: mais trabalho, mais ausência, menos partilhas, menos afectos.
Nas classes mais baixas, o saldo pode não ser melhor, já que a ênfase dada aos bens materiais é tanta que quando as pessoas não os têm, ou não os conseguem de qualquer forma obter, sentem-se uns falhados.
No fundo, ter um filho é uma imensa responsabilidade e, acho, mas posso estar inteiramente errado, que as pessoas têm filhos numa idade de ligeira irresponsabilidade.
segunda-feira, maio 26, 2008
Toca a engordar!
Pela noite dentro, a TVI lembrou-se de pôr a apresentar, num daqueles programas com quebra-cabeças virtuais que vão chulando até ao tutano os saldos de telemóveis de qualquer estouvado com insónias, uma “bonita” jovem nortenha. Algumas parecenças com a escritora Margarida Rebelo Pinto são notórias. Mas é a sua constrangedora magreza extrema que salta mais à vista.
Os combustíveis, as alternativas, o apocalipse e um (des)governo
Tendo em conta que as pessoas mantêm as suas vidas comodistas, continuam a entupir todas as manhãs as principais vias de acesso de Lisboa (e, suponho, do Porto), e não usam os transportes públicos ou meios de deslocação mais alternativos, saudáveis e ecológicos, como se tem sugerido (um exemplo: a bicicleta), há quem diga que os preços dos combustíveis ainda não estão suficientemente caros! Só que, convém relembrar:
- Portugal não é Lisboa (e Porto) – pois certamente haverá pequenos negócios na província em risco de colapso caso os preços dos combustíveis não parem de aumentar, e, já agora, que culpa terá alguém que more na Carraspalheira de Baixo que outra pessoa, morando nos arredores da capital, lhe apeteça levar o carro todos os dia para o centro da cidade?... ;
- Que a maioria dos transportes públicos também necessitam de gasóleo para andar e já se fala em aumentos mínimos de 6% a muito curto prazo no preço das viagens;
- E que, a não ser com o intuito de estarmos em forma para participar na próxima “volta a Portugal”, as vias que contornam as colinas de Lisboa são pouco recomendáveis para ciclistas inexperientes. Para além disso: como é que serão fundidas as peças para as bem-aventuradas bicicletas? A fornos alimentados a pedal? E os seus plásticos, como serão produzidos?
Para quem se julga indiferente e distante desta crise e ao contrário de tudo o que se possa pensar: esta descontrolável subida de preços do gasóleo e da gasolina afecta directa ou indirectamente muito mais pessoas e sectores do que se possa previamente imaginar.
Num mundo de certezas onde supostamente o petróleo está por um fio, diz-se que atingiu o pico de procura/oferta, que agora é sempre a descer e que vamos morrer todos se não passarmos a andar de bicicleta; mas, por outro lado, fala-se na exploração de novos e rentáveis campos petrolíferos no Brasil e na Venezuela e que os Russos encontraram recentemente uma fonte quase ilimitada desta energia fóssil a 40 mil pés abaixo do solo, fica-me uma dúvida: quem é que mais proveito tira das teorias apocalípticas que explicam uma crise petrolífera? O cidadão comum que vê o fim do mundo em cada notícia que anuncia a “novidade” que um bem natural é limitado ou os alarmistas/especuladores?
E o nosso Estado, em vez de regular a situação prefere limpar as suas mãos deste assunto e remeter a problemática para quem (como a Autoridade da Concorrência) não tem competências executivas e que pouco pode fazer pelo caso a não ser concluir o óbvio, ao mesmo tempo que vai aconselhando os seus concidadãos a passarem a usar energias alternativas. Portanto: o mesmo Estado fortemente empenhado em renovar o nosso parque automóvel, incentivando o abate de veículos velhos pela compra de novos e que, consequentemente, continua a arrecadar para os seus cofres uma bela quantia em impostos com o negócio da venda de carros, vem agora dizer que o melhor é passarmos a andar de bicicleta eléctrica. É de uma coerência!
- Portugal não é Lisboa (e Porto) – pois certamente haverá pequenos negócios na província em risco de colapso caso os preços dos combustíveis não parem de aumentar, e, já agora, que culpa terá alguém que more na Carraspalheira de Baixo que outra pessoa, morando nos arredores da capital, lhe apeteça levar o carro todos os dia para o centro da cidade?... ;
- Que a maioria dos transportes públicos também necessitam de gasóleo para andar e já se fala em aumentos mínimos de 6% a muito curto prazo no preço das viagens;
- E que, a não ser com o intuito de estarmos em forma para participar na próxima “volta a Portugal”, as vias que contornam as colinas de Lisboa são pouco recomendáveis para ciclistas inexperientes. Para além disso: como é que serão fundidas as peças para as bem-aventuradas bicicletas? A fornos alimentados a pedal? E os seus plásticos, como serão produzidos?
Para quem se julga indiferente e distante desta crise e ao contrário de tudo o que se possa pensar: esta descontrolável subida de preços do gasóleo e da gasolina afecta directa ou indirectamente muito mais pessoas e sectores do que se possa previamente imaginar.
Num mundo de certezas onde supostamente o petróleo está por um fio, diz-se que atingiu o pico de procura/oferta, que agora é sempre a descer e que vamos morrer todos se não passarmos a andar de bicicleta; mas, por outro lado, fala-se na exploração de novos e rentáveis campos petrolíferos no Brasil e na Venezuela e que os Russos encontraram recentemente uma fonte quase ilimitada desta energia fóssil a 40 mil pés abaixo do solo, fica-me uma dúvida: quem é que mais proveito tira das teorias apocalípticas que explicam uma crise petrolífera? O cidadão comum que vê o fim do mundo em cada notícia que anuncia a “novidade” que um bem natural é limitado ou os alarmistas/especuladores?
E o nosso Estado, em vez de regular a situação prefere limpar as suas mãos deste assunto e remeter a problemática para quem (como a Autoridade da Concorrência) não tem competências executivas e que pouco pode fazer pelo caso a não ser concluir o óbvio, ao mesmo tempo que vai aconselhando os seus concidadãos a passarem a usar energias alternativas. Portanto: o mesmo Estado fortemente empenhado em renovar o nosso parque automóvel, incentivando o abate de veículos velhos pela compra de novos e que, consequentemente, continua a arrecadar para os seus cofres uma bela quantia em impostos com o negócio da venda de carros, vem agora dizer que o melhor é passarmos a andar de bicicleta eléctrica. É de uma coerência!
sexta-feira, maio 23, 2008
60 aéreos
Só comecei a pensar nesta problemática quando a senhora da tesouraria do Governo Civil de Lisboa disse: “verde código verde”, ao mesmo tempo que me metia à frente um desses modernos aparelhos sem fios, que de há pouco tempo para cá invadiram a nossa “sociedade de consumo” – já esteve mais longe o dia em que um arrumador de carros me apresentará, em vez da sua bela naifa, um terminal de Multibanco assim que eu disser: “não tenho trocos”. 60 euros, informava-me ela e o mostrador de tal maquineta. A emissão de um Passaporte custa 60 euros em Portugal! Mas porquê ou para quê? Para pagar a simpatia e profissionalismo do funcionário que me manda colocar em frente de um monitor, sem explicar que vou ser fotografado, para além de que depois de ver e de não gostar do resultado, receber um seco: “Azar!”? O mesmo funcionário que me obriga a repetir meia dúzia de vezes a digitalização da minha assinatura só porque não é uma cópia integral da do Bilhete de Identidade? Ou será que o papel, onde a minha medíocre fotografia e a minha perfeita assinatura serão impressos, é banhado a ouro? Nada disto. É só o custo que se tem de suportar por querer fugir de um “país” que já está a ir ao meu bolso assim que saio de casa e meto a chave na ignição do meu carro. No fim ainda diz: “Ai queres-te ir embora? Então são mais 60 euros!”. “Verde código verde!”.
quarta-feira, maio 21, 2008
Bem, se esta é a cara...
Sob os desígnios da cruz
Apresento-vos Stress, o novo videoclip dos Justice. Visualmente é muito realista e polémico: ninguém escapa à violência gratuita de um grupo de jovens de um bairro dos subúrbios de Paris (inclusive o próprio grupo). "Cova da Moura? Isso é para meninos!". Musicalmente, como todo o restante disco “ † “, é chato e nem chega aos calcanhares de uns Daft Punk, ou mesmo de uns Boyz Noise.
terça-feira, maio 20, 2008
Perdidos
Estava aqui a ouvir alguns temas novos dos Coldplay e depois da surpresa - ainda estou para decidir se boa , se má - que é o single de avanço, estava a ficar "preocupado", pois ainda não tinha aparecido, neste leitor de mp3's, um tema assim mais xoninhas. Daqueles em que o Chris Martin dispensa os restantes elementos da banda e "limita-se" a cantar e a tocar piano. Até que apareceu o lost. (retirado daqui)
De repente, deu-me uma grande vontade de voltar a ouvir o Parachutes e o A rush of coiso.
segunda-feira, maio 19, 2008
sexta-feira, maio 16, 2008
quinta-feira, maio 15, 2008
quarta-feira, maio 14, 2008
Inutilidades
Duas semanas depois de um aumento e de a BP ter revelado que os seus lucros do primeiro trimestre cresceram mais de 60% face a igual período no ano passado: um novo aumento!
No entanto, no fórum da TSF esta manhã ouviu-se:
Presidente da APETRO (Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas): Não acredito que todas as gasolineiras tenham aumentado o mesmo e ao mesmo tempo.
Acredito que não saiba de TODAS, mas é muito fácil saber das 3 que detêm mais de 95% do mercado nacional. Se este senhor não sabe, quem saberá? Ninguém questionou, nem a jornalista.
Presidente do ACP (Automóvel Club de Portugal): A revolta popular vai ocorrer, mas eu não digo nada, nem vou incentivar.
Outro. Então para que precisamos do ACP? É só para pagar as quotas e mudar um pneu sem sujar as mãos? Ou é para defender os associados automobilistas e o sector automóvel quando eles mais necessitam?
No entanto, no fórum da TSF esta manhã ouviu-se:
Presidente da APETRO (Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas): Não acredito que todas as gasolineiras tenham aumentado o mesmo e ao mesmo tempo.
Acredito que não saiba de TODAS, mas é muito fácil saber das 3 que detêm mais de 95% do mercado nacional. Se este senhor não sabe, quem saberá? Ninguém questionou, nem a jornalista.
Presidente do ACP (Automóvel Club de Portugal): A revolta popular vai ocorrer, mas eu não digo nada, nem vou incentivar.
Outro. Então para que precisamos do ACP? É só para pagar as quotas e mudar um pneu sem sujar as mãos? Ou é para defender os associados automobilistas e o sector automóvel quando eles mais necessitam?
Porno – Parte III – Algumas conclusões
O mainstream. Sempre que uma estrela porno inaugura uma megastore ou anuncia uma linha de profumes, ou aparece num programa de televisão, a gente do porno começa a dizer que o porno é “mainstream”, que o porno é o máximo, que o porno é fixe. Mas o porno nunca poderá sê-lo, em parte por causa da natureza contrária da forma. Para o porno se tornar “mainstream”, os seres humanos tinham de mudar.
A paródia do amor. O calor, é nessa direcção que o mercado nos leva: para o calor, a intensidade, uma ginástica frenética. Mais que isso, o porno, ao que parece, é uma paródia do amor. Por isso está a dirigir-se para os antípodas do amor, que são o ódio e a morte. “Estrangula-a!”
Nietzsche definiu as anedotas como epigramas sobre as mortes dos sentimentos. Por outras palavras, é típico que o criador da frase “as ratas são uma treta” não tenha a menor ideia de que com o que estaria a brincar. De qualquer forma, o porno está repleto de morte dos sentimentos.
O vício. Gore Vidal disse uma vez que o perigo da pornografia era de fazer com que quiséssemos ver mais pornografia; podendo mesmo fazer com que não quiséssemos fazer mais nada a não ser vermos pornografia.
A perversão. O porno serve o “perverso polimorfo”: o caos quase-infinito do desejo humano. Se ocultarmos uma perversão, mais cedo ou mais tarde o porno identifica-la-á. É melhor que tal não aconteça quando assistir a um filme sobre um tratador de porcos coprofágico – ou sobre um cangalheiro...
Portanto, o porno americano obedece ao mercado (e como poderia ser de outra maneira?), logo percebemos o que isto nos diz do porno. Mas o que é que nos diz sobre a América? E se a América é mais um mundo do que um país, o que é que nos diz sobre o mundo?
A paródia do amor. O calor, é nessa direcção que o mercado nos leva: para o calor, a intensidade, uma ginástica frenética. Mais que isso, o porno, ao que parece, é uma paródia do amor. Por isso está a dirigir-se para os antípodas do amor, que são o ódio e a morte. “Estrangula-a!”
Nietzsche definiu as anedotas como epigramas sobre as mortes dos sentimentos. Por outras palavras, é típico que o criador da frase “as ratas são uma treta” não tenha a menor ideia de que com o que estaria a brincar. De qualquer forma, o porno está repleto de morte dos sentimentos.
O vício. Gore Vidal disse uma vez que o perigo da pornografia era de fazer com que quiséssemos ver mais pornografia; podendo mesmo fazer com que não quiséssemos fazer mais nada a não ser vermos pornografia.
A perversão. O porno serve o “perverso polimorfo”: o caos quase-infinito do desejo humano. Se ocultarmos uma perversão, mais cedo ou mais tarde o porno identifica-la-á. É melhor que tal não aconteça quando assistir a um filme sobre um tratador de porcos coprofágico – ou sobre um cangalheiro...
Portanto, o porno americano obedece ao mercado (e como poderia ser de outra maneira?), logo percebemos o que isto nos diz do porno. Mas o que é que nos diz sobre a América? E se a América é mais um mundo do que um país, o que é que nos diz sobre o mundo?
segunda-feira, maio 12, 2008
*Não esquecer*
Mais logo não perder a reportagem na TVI sobre os crimes passionais em Portugal. O amor possessivo tomado pela loucura extrema. “Se não és minha, não serás de mais ninguém”.
Diz que é uma espécie de best of do Correio da Manhã e 24 Horas em versão televisiva, portanto.
Diz que é uma espécie de best of do Correio da Manhã e 24 Horas em versão televisiva, portanto.
Porno – Parte II – Turn off the fucking camera!
O que é necessário ter para ser uma estrela porno? Precisa de ser um exibicionista. Precisa de ter uma vontade sexual feroz. Precisa de sofrer de “nostalgie de la boue” (literalmente “nostalgia da lama”: um prazer infantil, mesmo de bébé, nas funções primárias do corpo). E – provavelmente – precisa de um passado de destruição. Precisa também de não ter qualquer sentido de humor. As estrelas porno, apesar de representarem muito mal, são muito boas num determinado aspecto: conseguem manter uma cara séria. Mas a ausência de humor universal e institucionalizada é o verdadeiro cerne do porno.
Temptress tem 23 anos e é actriz de filmes de “soft” hardcore. Não parece tímida quando fala, mas tem um ar tímido. “Algumas raparigas ficam queimadas em nove meses ou um ano. Uma rapariguinha muito nova e doce de 18 anos assina um contrato com uma agência e faz cinco filmes na sua primeira semana. Cinco realizadores, cinco actores, cinco vezes cinco: recebe muitos telefonemas. Cem filmes em quatro meses. Deixa de ser uma cara nova e fresca. O valor dela começa a descer e deixa de receber telefonemas. E depois: “Ok, fazes sexo anal? Fazes sexo em grupo?” Depois ficam queimadas. Não recebem nenhum telefonema. As forças do mercado desta indústria consomem-nas”.
Chloe tem 29 anos, cabelos ruivos e uma cara terna e esperta. Tem corpo de bailarina: pernas fortes, um rabo musculado... E é actriz de pornografia bizarra.
“Batiam-me e sufocavam-me. Estava mesmo perturbada e não paravam. Continuavam a filmar. Consegue-se ouvir a minha voz no fundo a dizer, “desliguem a merda da câmara”, e continuavam”.
“Somos prostitutas... Há diferenças. Podemos escolher os nossos parceiros que são testados contra o HIV – um cliente não faz isso. Mas somos prostitutas: trocamos sexo por dinheiro”. “Tive dez doenças venérias diferentes durante o meu primeiro ano no meio. Por vezes quando fazemos cenas de rapariga com rapariga dizemos: “Querida acho que devias ir ao médico”. Recomendo-a um médico simpático (os outros tratam-nos abaixo de cão) e ela vem com a sua receitinha de Flagyll em doses múltiplas”.
A licença de trabalho de um actor ou de uma actriz porno é o seu teste de HIV mais recente. Há dois anos, começaram a surgir dúvidas em relação à licença de trabalho de Marc Wallice. Usava um laboratório nos arredores da cidade e parecia estar a manipular os resultados das análises. Quando o descobriram, a situação de Wallice era dramática. Fora acusado de infectar várias actrizes, acusação que negou.
Temptress tem 23 anos e é actriz de filmes de “soft” hardcore. Não parece tímida quando fala, mas tem um ar tímido. “Algumas raparigas ficam queimadas em nove meses ou um ano. Uma rapariguinha muito nova e doce de 18 anos assina um contrato com uma agência e faz cinco filmes na sua primeira semana. Cinco realizadores, cinco actores, cinco vezes cinco: recebe muitos telefonemas. Cem filmes em quatro meses. Deixa de ser uma cara nova e fresca. O valor dela começa a descer e deixa de receber telefonemas. E depois: “Ok, fazes sexo anal? Fazes sexo em grupo?” Depois ficam queimadas. Não recebem nenhum telefonema. As forças do mercado desta indústria consomem-nas”.
Chloe tem 29 anos, cabelos ruivos e uma cara terna e esperta. Tem corpo de bailarina: pernas fortes, um rabo musculado... E é actriz de pornografia bizarra.
“Batiam-me e sufocavam-me. Estava mesmo perturbada e não paravam. Continuavam a filmar. Consegue-se ouvir a minha voz no fundo a dizer, “desliguem a merda da câmara”, e continuavam”.
“Somos prostitutas... Há diferenças. Podemos escolher os nossos parceiros que são testados contra o HIV – um cliente não faz isso. Mas somos prostitutas: trocamos sexo por dinheiro”. “Tive dez doenças venérias diferentes durante o meu primeiro ano no meio. Por vezes quando fazemos cenas de rapariga com rapariga dizemos: “Querida acho que devias ir ao médico”. Recomendo-a um médico simpático (os outros tratam-nos abaixo de cão) e ela vem com a sua receitinha de Flagyll em doses múltiplas”.
A licença de trabalho de um actor ou de uma actriz porno é o seu teste de HIV mais recente. Há dois anos, começaram a surgir dúvidas em relação à licença de trabalho de Marc Wallice. Usava um laboratório nos arredores da cidade e parecia estar a manipular os resultados das análises. Quando o descobriram, a situação de Wallice era dramática. Fora acusado de infectar várias actrizes, acusação que negou.
domingo, maio 11, 2008
O leeeeiiite, senhor engenheeiro...
Porno – Parte I: The pussies are bullshit
Lembram-se do DNA? Um extinto suplemento do DN. Era um leitor fiel, guardei várias edições e numa delas há uma grande reportagem sobre a pornografia americana. Trata-se de uma tradução de um artigo de Martin Amis, publicado na revista Talk. Recuo, então, ao ano de 2001, para recordar os interessantes testemunhos dos principais protagonistas deste negócio, que continua a render biliões – facto: no final dos anos 90, os americanos gastaram dez biliões de dólares por ano em sexo indirecto - e a levantar questões, que, em parte e por partes, passo a transcrever.
Stagliano, realizador. Com a cena vaginal, elaborou Stagliano, temos uma miúda a contorcer-se e a gemer. E o espectador com verdadeiro discernimento com certeza pensa: “Isto é a sério ou é tudo uma grande treta?” Com o sexo anal, por outro lado, a actriz é obrigada a produzir outro tipo de reacção mais gutural, mais animal. Ou segundo as palavras do realizador: “A personalidade dela tem que vir ao de cima. Queremos tipos que fodam mesmo bem e que façam com que as miúdas tenham um ar mais... viril”. Viril significa masculino; mais uma vez, Stagliano puxa do seu inglês mais sofisticado. Queremos que as raparigas nos mostrem “a sua testosterona”.
Mais à frente fala do conhecido actor e seu amigo Rocco Siffredi. “Fui o primeiro a filmar o Rocco. Juntos evoluímos para coisas mais duras. O Rocco começou a cuspir nas miúdas. Uma coisa forte, de domínio masculino, com as mulheres a serem levadas ao limite. Parece violência, mas não é. Quer dizer, o prazer e a dor são a mesma coisa, certo? O Rocco faz o que o mercado lhe manda. O que tem sucesso no mercado é a realidade”. Logo os olhos do cu (assholes) são uma realidade. E “as ratas (pussies) são uma treta (bullshit)”.
Stagliano, realizador. Com a cena vaginal, elaborou Stagliano, temos uma miúda a contorcer-se e a gemer. E o espectador com verdadeiro discernimento com certeza pensa: “Isto é a sério ou é tudo uma grande treta?” Com o sexo anal, por outro lado, a actriz é obrigada a produzir outro tipo de reacção mais gutural, mais animal. Ou segundo as palavras do realizador: “A personalidade dela tem que vir ao de cima. Queremos tipos que fodam mesmo bem e que façam com que as miúdas tenham um ar mais... viril”. Viril significa masculino; mais uma vez, Stagliano puxa do seu inglês mais sofisticado. Queremos que as raparigas nos mostrem “a sua testosterona”.
Mais à frente fala do conhecido actor e seu amigo Rocco Siffredi. “Fui o primeiro a filmar o Rocco. Juntos evoluímos para coisas mais duras. O Rocco começou a cuspir nas miúdas. Uma coisa forte, de domínio masculino, com as mulheres a serem levadas ao limite. Parece violência, mas não é. Quer dizer, o prazer e a dor são a mesma coisa, certo? O Rocco faz o que o mercado lhe manda. O que tem sucesso no mercado é a realidade”. Logo os olhos do cu (assholes) são uma realidade. E “as ratas (pussies) são uma treta (bullshit)”.
quinta-feira, maio 08, 2008
quarta-feira, maio 07, 2008
O que esta empresa rende quando o Benfica não rende
A parte mais chata de um início de dia de trabalho é ter que encarar a reacção dos meus coleguinhas, que chegaram ao escritório hora e meia antes de mim, sem transparecer estar minimamente constrangido por tal facto. Diz que é assim um “mix” de ar de reprovação, inveja e cansaço - esta última parte sobretudo por terem ocupado aquela parte da manhã a ver a correspondência electrónica, que pode ir de um relatório de vendas transformado no último vídeo caseiro hardcore da Suzky-engole-tudo-até-ao-fim-Star, ou de uma apresentação em powerpoint, em que a evolução das quotas de mercado pode ser muito bem representada, em evolução, pelas fotos das novas mamas e do novo rabo da Merche Romero. Muito produtivo, e quase tão emocionante quanto esta época do Benfica, portanto.
segunda-feira, maio 05, 2008
Há pessoas eternamente desorientadas. E há pessoas desorientadas que buscam eternamente uma orientação.
“Estou a tirar a carta de pesados, vou deixar o meu emprego e depois irei para Espanha conduzir camiões.”
Estas palavras deixaram-me estupefacto. A mim e a todos os seus outros amigos que ouviram tal novidade. Sei que a situação económica deste país não está bem e não é a primeira vez que sou confrontado com a noticia de um amigo que decide partir de Portugal em busca de melhores oportunidades, só que não me deixo de surpreender com estas súbitas migrações. Neste caso, trata-se de uma bonita rapariga de 30 anos com um porte físico fragilíssimo, distribuídos por menos de um metro e meio de altura!
Ela sempre que fala neste seu novo projecto profissional, fá-lo de uma forma cativante e torna-se bem visível o respectivo orgulho nos seus olhos. Quase faz parecer que conduzir um camião articulado de muitas toneladas será tão fácil como dar à luz! Ou tal não viesse de alguém que a um mês da data prevista de ter o seu primeiro filho, ao começar a ter uma estranha “desregulação fisiológica” fez mais de 60 Km, ao volante do seu carro, até ao Hospital mais próximo para indagar do “problema”. Quando a médica de serviço, nas urgências, lhe disse: “deu início aos trabalhos de parto”, ela não acreditou e recusou ser assistida. Foi preciso chegar o namorado (e o resto da família) e uma primeira contracção - e respectiva dor aguda - para que se consciencializasse de tal facto.
Por amor ou por aptidão? Depois de um curso de secretariado e de fisioterapia, o misterioso mundo do camionismo! O seu actual namorado e respectiva profissão poderão ter tido alguma influência nesta decisão, porque é normal querer estar mais perto de quem gostamos. Mas a questão financeira também poderá ter tido um certo peso. Consta, segundo palavras dela, que é uma profissão bem remunerada: ao “salário muito acima da média” acresce mais um valor pelo nº de quilómetros percorridos.
Afinal de contas, isto, não é uma mera submissão aos desígnios do amor, é uma notável capacidade de adaptação a novas realidades. Com muita coragem e uma boa dose de maluquice à mistura.
Estas palavras deixaram-me estupefacto. A mim e a todos os seus outros amigos que ouviram tal novidade. Sei que a situação económica deste país não está bem e não é a primeira vez que sou confrontado com a noticia de um amigo que decide partir de Portugal em busca de melhores oportunidades, só que não me deixo de surpreender com estas súbitas migrações. Neste caso, trata-se de uma bonita rapariga de 30 anos com um porte físico fragilíssimo, distribuídos por menos de um metro e meio de altura!
Ela sempre que fala neste seu novo projecto profissional, fá-lo de uma forma cativante e torna-se bem visível o respectivo orgulho nos seus olhos. Quase faz parecer que conduzir um camião articulado de muitas toneladas será tão fácil como dar à luz! Ou tal não viesse de alguém que a um mês da data prevista de ter o seu primeiro filho, ao começar a ter uma estranha “desregulação fisiológica” fez mais de 60 Km, ao volante do seu carro, até ao Hospital mais próximo para indagar do “problema”. Quando a médica de serviço, nas urgências, lhe disse: “deu início aos trabalhos de parto”, ela não acreditou e recusou ser assistida. Foi preciso chegar o namorado (e o resto da família) e uma primeira contracção - e respectiva dor aguda - para que se consciencializasse de tal facto.
Por amor ou por aptidão? Depois de um curso de secretariado e de fisioterapia, o misterioso mundo do camionismo! O seu actual namorado e respectiva profissão poderão ter tido alguma influência nesta decisão, porque é normal querer estar mais perto de quem gostamos. Mas a questão financeira também poderá ter tido um certo peso. Consta, segundo palavras dela, que é uma profissão bem remunerada: ao “salário muito acima da média” acresce mais um valor pelo nº de quilómetros percorridos.
Afinal de contas, isto, não é uma mera submissão aos desígnios do amor, é uma notável capacidade de adaptação a novas realidades. Com muita coragem e uma boa dose de maluquice à mistura.
quinta-feira, maio 01, 2008
Bem acomodados e bem roubados
Desde 1 de Janeiro do presente ano que os combustíveis sofreram 17 alterações: 3 descidas e 14 subidas. Face a isto, não admira que este assunto tenha deixado de ser tema de “conversa de café” já que deve ser aborrecido discutir sempre o mesmo assunto, ainda por cima porque pode-se correr o risco de, mesmo antes da discussão terminar, os valores em causa sofrerem uma nova variação. Portanto o mais recente aumento dos combustíveis - 3 cêntimos no gasóleo, 2,1 cêntimos na gasolina sem chumbo 95 (segundo informação cedida pela ANAREC) – deixou de ser um escândalo a partir do momento em que as pessoas se habituaram à ideia de que as refinarias necessitam, a todo o custo, de enriquecer. Ou, pelo menos, de ter dinheiro suficiente para suportar o combustível do autocarro da selecção nacional de futebol que os levará até à Suíça. Acredito que a ideia de ter que empurrá-lo, segundo o mais recente anúncio da Galp Energia, é mais assustadora que ter que desembolsar mais 3 cêntimos por litro de gasóleo. Isto pode justificar, em parte, esta apatia e acomodação nacional. O governo português também agradece: já lhe bastará o descontentamento social em outras áreas e sempre ganhará a sua quota-parte - que não é pequena, sublinhe-se – sempre que um “barão” lusitano acorda mal disposto ou lhe apeteça substituir o “velhinho” BMW 5-Series.
Quem acredita que uma selecção de futebol vai preferir fazer uma viagem de mais de 2.000 km de autocarro em vez de um prático e cómodo avião, também acredita que esta especulação de preços se deva ao crescente aumento do preço do barril de petróleo. Quem não acredita, sabe que o preço do barril de petróleo é pago com uma moeda cada vez mais enfraquecida face aquela que usa correntemente no seu país e que lhe serve para, entre outras coisas, pagar a gasolina que o seu carro consome.
Um país em peso que se solidariza pela causa da “bandeirinha” e da sua selecção de futebol, faz manifestações contra tudo e contra nada, abaixo-assinados só porque dá cá aquela palha e ao ser descaradamente roubado sempre que atesta o depósito do carro, o que é que faz? Absolutamente nada.
Quem acredita que uma selecção de futebol vai preferir fazer uma viagem de mais de 2.000 km de autocarro em vez de um prático e cómodo avião, também acredita que esta especulação de preços se deva ao crescente aumento do preço do barril de petróleo. Quem não acredita, sabe que o preço do barril de petróleo é pago com uma moeda cada vez mais enfraquecida face aquela que usa correntemente no seu país e que lhe serve para, entre outras coisas, pagar a gasolina que o seu carro consome.
Um país em peso que se solidariza pela causa da “bandeirinha” e da sua selecção de futebol, faz manifestações contra tudo e contra nada, abaixo-assinados só porque dá cá aquela palha e ao ser descaradamente roubado sempre que atesta o depósito do carro, o que é que faz? Absolutamente nada.
quarta-feira, abril 30, 2008
terça-feira, abril 29, 2008
A minha verdade III
O homem é o único animal que pode permanecer, em termos amigáveis, ao lado das vítimas que pretende comer, antes de comê-las.
segunda-feira, abril 28, 2008
A minha verdade
Não acredito em verdades absolutas. Acredito na verdade que se vai construindo com as verdades quotidianas. As segundas são mais facilmente questionáveis que as primeiras e por isso é bem mais difícil ser fiel às constatações do quotidiano, do que ter um ideal de verdade e lutar, em abstracto, por ele.
quinta-feira, abril 24, 2008
Está oficialmente aberta a nossa silly season

Em média, os portugueses têm relações sexuais com sete parceiros ao longo da vida. (...) Agostinho Gonçalves, com 55 anos, não tem qualquer problema em assumir que queria atingir o número de mulheres equivalente ao ano em que nasceu (1953) e que chegou a ter três a quatro mulheres diferentes por dia.
quarta-feira, abril 23, 2008
O homem dos setecentos ofícios
Na Sic Notícias, ontem à noite, Paulo Teixeira Pinto revelou muito de si. Sempre inteligente e com o discurso bem articulado. Escreve poesia - momento da noite: Mário Crespo leu dois dos seus poemas. Pinta - levaram alguns dos seus quadros para serem avaliados e o avaliador, sem saber quem os tinha pintado, queria comprá-los - e adora literatura e outras formas de arte. Fez referências a escritores, entre alguns, Boris Vian. Citou filósofos. Está agora à frente da editora Guimarães e prometeu reeditar toda a obra de Agustina Bessa-Luís. De política, disse que tem uma enorme consideração por Carvalho Silva da CGTP e várias figuras da esquerda, embora seja claramente um tipo de direita.
Surpreendeu-me. No entanto, se eu tivesse infortúnio de me deixar casar com alguém com a personalidade (e com o nome!?) de Paula Maria Von Hafe Teixeira da Cruz Teixeira Pinto, até aprendia a fazer tricot e tapetes de arraiolos só para não a aturar.
Surpreendeu-me. No entanto, se eu tivesse infortúnio de me deixar casar com alguém com a personalidade (e com o nome!?) de Paula Maria Von Hafe Teixeira da Cruz Teixeira Pinto, até aprendia a fazer tricot e tapetes de arraiolos só para não a aturar.
terça-feira, abril 22, 2008
Contagem do além
A Lisboagás (grupo Galp Energia) na sua última factura emitida, pede-me, como é usual, para facultar telefonicamente a próxima leitura do meu contador de gás. Confesso que inicialmente fiquei surpreendido com a data proposta, no entanto acabei por chegar à conclusão de que um grupo empresarial que pede aos portugueses que dêem um empurrãozito num autocarro cheio de jogadores de futebol pagos a peso de ouro e com o ego ainda maior que as suas contas bancárias, pode e deve “exigir” aos seus clientes que vivam mais 991 anos, nem que seja, para lhes fornecer uma leitura de contador. Só vejo um pequeno inconveniente: ficar impossibilitado de me ausentar e poder dar as boas vindas ao novo milénio na Austrália, como o meu espírito já tinha previamente planeado.
segunda-feira, abril 21, 2008
Tudo o que se deixa para trás nas circunstâncias do caminho

Tive problemas com adicções, consegui resolvê-los e hoje escolho ter qualidade de vida. Para poder viver o mundo como ele é. Foi uma escolha. Uma troca. Queria continuar a cantar, fazer coisas, ser feliz. (...)
Continuo a ter comportamentos que não são os mais adequados, a ser egoísta, a ter defeitos de carácter. Tento não prejudicar ninguém, mas ainda sou uma pessoa que se isola imenso, que passa muitas horas sozinho. Mesmo quando acompanhado - e os meus amigos sabem isso, que às vezes não estou lá. (...)
Sou um sonhador, estou sempre a imaginar coisas, mas agora vou pensando antes de agir, antes de tomar decisões. Outras tomo rapidamente, mas arrependo-me a seguir. Tenho uma consciência diferente. Passei coisas muito complicadas, andei com as coisas todas tortas, mas elas acabaram por se endireitar. Tudo isso foi importante para ter o que tenho hoje. (...)
(Camané in ípsilon, Público)
Tudo isso como o lixo da viagem
Deixei nas circunstâncias do caminho
Sai para as lojas, hoje, um dos discos portugueses mais importantes dos últimos tempos.
Parolicing
Para que este novo acordo ortográfico proposto seja bem consolidado, estou a tentar lembrar-me de uns termos - relacionados com qualquer invenção de origem nacional, ou que designam um pormenor técnico de uma actividade pioneira em Portugal, ou que se devam a um qualquer incomum fenómeno local ou mesmo que definam uma característica do pensamento e mentalidade ‘tuga – que os ingleses possam adoptar para a sua língua. Há a “saudade” e a “via verde” (uau!). Mas também há a casmurrice, a paspalhice, a parolice, o provincionalismo, o chicoespertismo. Já que essa espécie de jornalismo, chamado 24horas, de original tem muito pouco.
sexta-feira, abril 18, 2008
quarta-feira, abril 16, 2008
A Mafalda Gameiro fica muito sexy no banco de trás de um carro

A jornalista Mafalda Gameiro - que por acaso está cada vez mais atraente – entrevistou um carjacker de cara tapada e com um revólver na mão direita, no banco de trás de um carro. É disparate perguntar quando é que a polícia conseguirá fazer também estas “entrevistas exclusivas” com criminosos supostamente difíceis de capturar?
Hoje, depois do telejornal.
Hoje, depois do telejornal.
terça-feira, abril 15, 2008
Jornalismo biodescartável
"Sou o escritor que mais vende em Portugal. Nos últimos quatro anos, já vendi acima de meio milhão de livros"...."Na parte que lhe cabe, poupa água. Mas pouco mais. Reciclagem? Pois, isso não. Nem vidro, nem plástico, nem papel? Nada? «Não, não faço. Sou uma pessoa normal». Muitas pessoas normais reciclam. «A média do cidadão não recicla o lixo. É muito complicado. Um saco é azul, outro é não sei o quê, aquilo é uma confusão»"(José Rodrigues dos Santos, Revista Sábado, pág. 97)
A Quercus ama o ambiente enquanto odeia a sociedade onde vive; ama a bicharada árctica enquanto despreza todos os meus hábitos. Querem o quê? Que deixe de tomar banho em nome da fraternidade que une homens e ursos? Lamento: entre o sacrossanto gelo do Árctico e a heresia ecologicamente incorrecta, escolho a segunda. Nunca um urso polar me pagou um copo pela Páscoa.
Esta nova ideologia da irresponsabilidade ambiental que “polui” por alguma classe jornalística já tresanda!
A opção de não reciclar, estar-se a marimbar para o ambiente e para os seus recursos é quase uma “causa nacional comum”, e Henrique Raposo tem plena consciência disso e rejubila-se em fazer parte dessa maioria com a sua conduta ecológica inconsciente - até lhe dá direito de colocar lá pelo meio uma piada nonsense sobre ursos polares (que nenhuma culpa têm das imbecilidades jornalísticas nacionais). Mas não se fica por aqui. Ele não suporta essa “ditadura minoritária verdinha” que “odeia a sociedade onde vive”, pois acha que viver socialmente bem e respeitar o ambiente são “equações” incompatíveis.
A Quercus ama o ambiente enquanto odeia a sociedade onde vive; ama a bicharada árctica enquanto despreza todos os meus hábitos. Querem o quê? Que deixe de tomar banho em nome da fraternidade que une homens e ursos? Lamento: entre o sacrossanto gelo do Árctico e a heresia ecologicamente incorrecta, escolho a segunda. Nunca um urso polar me pagou um copo pela Páscoa.
Esta nova ideologia da irresponsabilidade ambiental que “polui” por alguma classe jornalística já tresanda!
A opção de não reciclar, estar-se a marimbar para o ambiente e para os seus recursos é quase uma “causa nacional comum”, e Henrique Raposo tem plena consciência disso e rejubila-se em fazer parte dessa maioria com a sua conduta ecológica inconsciente - até lhe dá direito de colocar lá pelo meio uma piada nonsense sobre ursos polares (que nenhuma culpa têm das imbecilidades jornalísticas nacionais). Mas não se fica por aqui. Ele não suporta essa “ditadura minoritária verdinha” que “odeia a sociedade onde vive”, pois acha que viver socialmente bem e respeitar o ambiente são “equações” incompatíveis.
O fascista e os outros
O Primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas.
Em Janeiro, quando António Barreto escreveu estas palavras para o Público, tinha acabado de entrar em vigor a polémica lei antitabágica. Também estava na ordem do dia a questão das escutas ilegais, a ASAE fazia mais uma das suas operações de “limpeza” num mercado popular nos subúrbios da capital e já tinha sido publicada uma lista na net com os principais devedores do estado. Preparava-se um projecto de lei para aprovar a videovigilância sem limites e a interdição de pequenos partidos com menos de 5000 militantes inscritos.
A liberdade é uma questão para ser discutida tanto em 1974 como em 2008, não há que sentir qualquer incómodo nisso. As pessoas querem mais segurança, melhores condições de vida e de higiene em locais públicos, justiça contra os prevaricadores e passam a vida a exigir do estado estas reivindicações mas depois não aceitam que para as colocar em prática será necessário tomar certas medidas rígidas e autoritárias. Este autoritarismo assusta muita gente, é normal, mas só inconscientemente apelidaríamos de fascismo.
Em Janeiro, quando António Barreto escreveu estas palavras para o Público, tinha acabado de entrar em vigor a polémica lei antitabágica. Também estava na ordem do dia a questão das escutas ilegais, a ASAE fazia mais uma das suas operações de “limpeza” num mercado popular nos subúrbios da capital e já tinha sido publicada uma lista na net com os principais devedores do estado. Preparava-se um projecto de lei para aprovar a videovigilância sem limites e a interdição de pequenos partidos com menos de 5000 militantes inscritos.
A liberdade é uma questão para ser discutida tanto em 1974 como em 2008, não há que sentir qualquer incómodo nisso. As pessoas querem mais segurança, melhores condições de vida e de higiene em locais públicos, justiça contra os prevaricadores e passam a vida a exigir do estado estas reivindicações mas depois não aceitam que para as colocar em prática será necessário tomar certas medidas rígidas e autoritárias. Este autoritarismo assusta muita gente, é normal, mas só inconscientemente apelidaríamos de fascismo.
A. Barreto é genial a documentar o passado mas deixa muito a desejar nas suas análises ao presente.
LF Menezes quer escolher os analistas para as diversas televisões, R. Gomes da Silva (nº3 do partido), que correu com Marcelo da TVI quando era ministro dos Assuntos Parlamentares há uns anitos, vem criticar agora a contratação (através de uma produtora externa) de uma competente jornalista e com provas dadas em matérias sociais para participar num programa da RTP2 sobre bairros sociais, só porque ela supostamente é namorada de Sócrates. Coloca-se em causa “a qualidade da democracia portuguesa” ao mesmo tempo que se interdita o acesso aos jornalistas, no último congresso do seu partido na Madeira. Se Sócrates é fascista, esta trupe Menezes & Ca. é o quê?
LF Menezes quer escolher os analistas para as diversas televisões, R. Gomes da Silva (nº3 do partido), que correu com Marcelo da TVI quando era ministro dos Assuntos Parlamentares há uns anitos, vem criticar agora a contratação (através de uma produtora externa) de uma competente jornalista e com provas dadas em matérias sociais para participar num programa da RTP2 sobre bairros sociais, só porque ela supostamente é namorada de Sócrates. Coloca-se em causa “a qualidade da democracia portuguesa” ao mesmo tempo que se interdita o acesso aos jornalistas, no último congresso do seu partido na Madeira. Se Sócrates é fascista, esta trupe Menezes & Ca. é o quê?
segunda-feira, abril 14, 2008
E os tuélve pointes vão paaara...
O Festival Eurovisão da Canção nunca foi bem a minha "praia", já que o europop também nunca foi bem a minha "onda" - pior começo para um post de sempre? No entanto até achava piada à parte em que cada país revelava o resultado das votações do seu juri e não se conseguia adivinhar a quem eram atribuídas as pontuações mais elevadas.
Logo a seguir à bomba atómica, o sistema de televoto é a pior invenção do homem. Mas quem disse a esta gente que o telespectador comum do Festival da Canção percebe alguma coisa de música? Deve ter sido a mesma pessoa que disse que o Iládio Clímaco pode ser substituído, na sua apresentação, pela dupla maravilha Isabel Argelino & Jorge Gabriel sem se perder carisma. Enfim, perdeu-se (também) uma certa justiça competitiva e ganhou-se uma explícita e súbita onda de solidariedade entre os países que partilham fronteiras ou possuem mais emigrantes. Portugal, com uma concorrência ferocíssima em compadrio entre os países do leste e com um, belo e vasto mas pouco rentável nesta matéria, vizinho, chamado Oceano Atlântico, é um dos países que sai mais prejudicado deste festival. Também é certo que as músicas e os músicos que para lá se tem mandado, em sua representação, não tem ajudado e os nossos emigrantes em França e no Luxemburgo já foram mais pró-activos nesta matéria...
Isto tudo para dizer que há probabibilidades de poder vir a assistir à edição deste ano, não para torcer pela “orca santanderiana da Madeira e os seus cinco pinguins amestrados”, mas para ver a prestação do representante francês. Trata-se de Sebastien Tellier, autor do disco (e respectiva capa) mais sensual (e sexual, como o seu título faz questão de não esconder) de 2008. Divine pode ser assim a melhor canção do Eurovisão deste ano... E de muitos anos anteriores.
Isto tudo para dizer que há probabibilidades de poder vir a assistir à edição deste ano, não para torcer pela “orca santanderiana da Madeira e os seus cinco pinguins amestrados”, mas para ver a prestação do representante francês. Trata-se de Sebastien Tellier, autor do disco (e respectiva capa) mais sensual (e sexual, como o seu título faz questão de não esconder) de 2008. Divine pode ser assim a melhor canção do Eurovisão deste ano... E de muitos anos anteriores.
sexta-feira, abril 11, 2008
Um pré-adolescente à beira de um ataque de nervos
Olá sou o D., prefiro não dizer o meu nome, apesar de vocês conhecerem a minha família muito bem (ultimamente não pelas melhores razões). A minha mãe é jet-set e vai ter que passar os próximos 23 anos na prisão pois foi acusada de ter mandado limpar o sebo ao meu pai. Na semana passada, ela tentou suicidar-se, mas antes diz que escreveu uma carta para mim e para o meu irmão. Ainda não recebi nada, mas pode ser pelo atraso habitual dos correios. Acho que deve ter melhorado entretanto porque sei que fez da sua cela um centro de spa: pediu sushi para o jantar, muitos cremes de beleza, uma manicure, cabeleireira e a presença do seu dietista particular, Fernando Póvoas. Depois de perceber que a minha mãe fez do Estabelecimento Prisional de Tires a sua nova instância de férias, sosseguei e decidi não a ir visitar. Ao contrário do meu irmão, David, que por sua vez preferiu ir viver para a casa de um grande amigo dele e da minha mãe: o senhor José Castelo Branco, em vez de ficar comigo. Não sou muito de me queixar da vida mas como estou a entrar naquela fase complicada que costumam chamar de adolescência, só para descomprimir, posso ser agora um bocadinho violento? FODA-SE!
quinta-feira, abril 10, 2008
terça-feira, abril 08, 2008
segunda-feira, abril 07, 2008
Há homens que já nascem póstumos
Coincidentemente alguns artigos que li nos jornais/revistas no passado fim-de-semana estabelecem todos um determinado perfil do que é ser um homem português hoje em dia. Começando pela hilariante crónica de Ferreira Fernandes, na revista NS do Diário de Notícias, “Encaixados até mais não”: “Vivemos dos rendimentos da fama por termos dado mundos ao mundo. Se houver um instrumento náutico que nos defina hoje, já não é o sextante nem o astrolábio. É a âncora. Não é a vela latina é o vale dos lençóis”. A crítica a esta passividade e estado de graça de apatia dos portugueses continua noutra área, “Mais de um em três portugueses nunca conheceram outro patrão senão o primeiro... Portugal é o campeão europeu de permanência no mesmo emprego: 11 anos de média”. Face também à idade tardia com que presentemente se sai de casa dos pais e o respectivo poder maternal castrador, é previsível que FF goze com o assunto: depois das saias da mãe, as calças do patrão! (Isto, obviamente, deve ser visto de uma forma muito generalista e haverá sempre vários motivos que expliquem estas tendências, no entanto concordo com parte das críticas.)
Depois de ir até à última página desta mesma revista descobrir que a Cidália (e o seu respectivo sexo) se depara com um problema de habitabilidade com os homens portugueses, pois parece que dormem muito e quando o fazem não respiram, ressonam - “ressonam, logo existem”, Marta, é obrigatório leres esta crónica, nem que seja para cobrares os direitos de autor pela solução final utilizada – chamou-me à atenção um dos temas de destaque da capa do jornal que também me parece sexualmente interessante. “Jovens – os novos clientes das prostitutas”. Duas páginas inteiras para se ficar a conhecer a história de uma prostituta novata que “bate” a zona do Técnico e tem receio de ir com a malta mais nova, pois não sabe o que eles lhes podem fazer (?); que ainda há jovens rapazes no Cacém que pagam a prostitutas da estrada que, por sua vez, os levam para um recanto de uma mata, onde há “um colchão velho rodeado de arbustos e papeis usados” e que todo aquele ambiente lhes causa muita impressão, mas tal enojamento não os impede de perder a virgindade, que é para isso que eles ali estão e lhes pagam; depois vem o relato de um mulherengo inveterado viciado em bares de strip, em que num deles, lá para os lados do Montijo, há um amigo que é segurança e à porta recomenda-lhe ir ter com a sua namorada stripper, pois consta que ela faz um “oral divinal” e no fim da noite acabam todos na casa desse tal amigo segurança, com mais algumas strippers “sem pudores” (?), numa orgia inesquecível; e por fim, o testemunho de duas prostitutas brasileiras que trabalham por conta própria, garantem que os portugueses são muito liberais no sexo: “há homens que pedem para eu só usar instrumentos neles, outros que querem que eu passeie com os meus saltos altos no corpo deles... Vocês portugueses são mesmo viciados em sexo.” Consta que sim e vocês, brasileiras, sabem bem tirar proveito disso, valeu?
Portanto, ponto da situação: os homens portugueses para além de ressonarem que nem uns porcos, são meninos da mamã, ociosos e profissionalmente inertes, mas, para compensar, são muito activos sexualmente. Nesta área começa-se por dar uma primeira queca num colchão velho no meio de uma mata lá para os lados do Cacém e acaba-se no Intendente a servir de tapete de uma prostituta brasileira fã de Nietzsche.
Depois de ir até à última página desta mesma revista descobrir que a Cidália (e o seu respectivo sexo) se depara com um problema de habitabilidade com os homens portugueses, pois parece que dormem muito e quando o fazem não respiram, ressonam - “ressonam, logo existem”, Marta, é obrigatório leres esta crónica, nem que seja para cobrares os direitos de autor pela solução final utilizada – chamou-me à atenção um dos temas de destaque da capa do jornal que também me parece sexualmente interessante. “Jovens – os novos clientes das prostitutas”. Duas páginas inteiras para se ficar a conhecer a história de uma prostituta novata que “bate” a zona do Técnico e tem receio de ir com a malta mais nova, pois não sabe o que eles lhes podem fazer (?); que ainda há jovens rapazes no Cacém que pagam a prostitutas da estrada que, por sua vez, os levam para um recanto de uma mata, onde há “um colchão velho rodeado de arbustos e papeis usados” e que todo aquele ambiente lhes causa muita impressão, mas tal enojamento não os impede de perder a virgindade, que é para isso que eles ali estão e lhes pagam; depois vem o relato de um mulherengo inveterado viciado em bares de strip, em que num deles, lá para os lados do Montijo, há um amigo que é segurança e à porta recomenda-lhe ir ter com a sua namorada stripper, pois consta que ela faz um “oral divinal” e no fim da noite acabam todos na casa desse tal amigo segurança, com mais algumas strippers “sem pudores” (?), numa orgia inesquecível; e por fim, o testemunho de duas prostitutas brasileiras que trabalham por conta própria, garantem que os portugueses são muito liberais no sexo: “há homens que pedem para eu só usar instrumentos neles, outros que querem que eu passeie com os meus saltos altos no corpo deles... Vocês portugueses são mesmo viciados em sexo.” Consta que sim e vocês, brasileiras, sabem bem tirar proveito disso, valeu?
Portanto, ponto da situação: os homens portugueses para além de ressonarem que nem uns porcos, são meninos da mamã, ociosos e profissionalmente inertes, mas, para compensar, são muito activos sexualmente. Nesta área começa-se por dar uma primeira queca num colchão velho no meio de uma mata lá para os lados do Cacém e acaba-se no Intendente a servir de tapete de uma prostituta brasileira fã de Nietzsche.
De circunstância
Quando alguém me persegue durante vários Km’s, com o seu carro colado à traseira do meu, em pleno dia e sob o tabuleiro da ponte 25 de Abril, e depois já com ambos os carros lado a lado, em andamento, se inicia um radical processo de engate, inconscientemente diria que se trata de uma experiência divertida, conscientemente diria que é uma insensatez. Tal como a curto prazo entendo ser uma boa receita para um ego debilitado, mas a longo prazo perceberei que quem opta por esta metodologia para tentar conhecer alguém, das duas uma, ou tem o dom da promiscuidade ou está numa daquelas fases de desespero em que se faz qualquer coisa para obter a atenção - razões estas, por si só, justificáveis para carregar a fundo no acelerador, dar uso aos 140 cavalos que me acompanham e desaparecer dali o quanto antes. “Um número de telemóvel serve” e se não me servir a cantiga, não sendo o fim do mundo para ninguém, servirá com certeza para alguém, num outro carro mais à frente.
sexta-feira, abril 04, 2008
quarta-feira, abril 02, 2008
He has standards

Quando um anti-herói minucioso e com (muitos) princípios faz justiça pelas suas próprias mãos, o resultado só pode ser muito sanguinário. Portanto, uma série que nos ensine a matar pessoas sem sujar o chão, só pode ser uma das maiores e melhores obsessões dos últimos tempos.
segunda-feira, março 31, 2008
Uma pizza só combina com uma salada de espinafres se ninguém ver

Tu sentes-te confortável comigo, Tomás?
A pergunta arrepiou-me por sentir que ultrapassava a realidade da peça que via. Assistia a: “A Gorda” (Fat Pig, escrita pelo americano Neil LaBute), que está em cena no renovado Teatro Villaret, em Lisboa, até 1 de Junho. Relata a história de Tomás (Ricardo Pereira), um rapaz magro e elegante, um yuppie dos nossos tempos, que se atrai e apaixona por uma rapariga gorda, Helena (Carla Vasconcelos), bem como todas as respectivas peripécias em volta deste relacionamento. Obviamente que o assunto principal desta peça passa pela forma como ambos reagem ao verem-se confrontados com os preconceitos da sociedade contemporânea, obcecada com a imagem, que rejeita todos quanto fujam aos padrões de beleza instituídos.
Uma tragicomédia. Há muitos momentos humorísticos, sobretudo com as intervenções de Castro (Carlos António), o amigo e colega de escritório de Tomás, sexualmente activo e muito exigente face ao sexo oposto; mas também há momentos dramáticos quando o casal é confrontado com a realidade e os estigmas do meio social envolvente. É, inclusive, este realismo cruel que torna esta peça incómoda. Porque uma relação só adquire realidade se tiver uma face social, caso contrário não passa de uma fantasia a dois. Não é fácil de assumir e tornar visível um relacionamento que não seja socialmente bem visto, pois teme-se a responsabilidade que advém dessa parte social. Daí a importância da pergunta que saiu da boca de Helena, ao perceber que o seu companheiro evitava aparecer publicamente com ela, em locais onde poderia ser reconhecido por amigos e colegas de trabalho: “Tu sentes-te confortável comigo, Tomás?” Ela parecia adivinhar a resposta dele pois tinha perfeita consciência da sua condição física e até brincava com ela (“gozando com eles é uma forma de contornar os nossos problemas”). O que ela certamente não estaria à espera era do seu depoimento confessional final, quando Tomás assume toda a sua fraqueza e incapacidade de levar o relacionamento adiante.
Personagens estereotipadas e superficiais, realismo cultural americano, problemas universais (preconceito, falta de princípios e de “tomates” para assumi-los, fraqueza das convicções). É sobretudo disto que é feito esta recomendável peça.
A pergunta arrepiou-me por sentir que ultrapassava a realidade da peça que via. Assistia a: “A Gorda” (Fat Pig, escrita pelo americano Neil LaBute), que está em cena no renovado Teatro Villaret, em Lisboa, até 1 de Junho. Relata a história de Tomás (Ricardo Pereira), um rapaz magro e elegante, um yuppie dos nossos tempos, que se atrai e apaixona por uma rapariga gorda, Helena (Carla Vasconcelos), bem como todas as respectivas peripécias em volta deste relacionamento. Obviamente que o assunto principal desta peça passa pela forma como ambos reagem ao verem-se confrontados com os preconceitos da sociedade contemporânea, obcecada com a imagem, que rejeita todos quanto fujam aos padrões de beleza instituídos.
Uma tragicomédia. Há muitos momentos humorísticos, sobretudo com as intervenções de Castro (Carlos António), o amigo e colega de escritório de Tomás, sexualmente activo e muito exigente face ao sexo oposto; mas também há momentos dramáticos quando o casal é confrontado com a realidade e os estigmas do meio social envolvente. É, inclusive, este realismo cruel que torna esta peça incómoda. Porque uma relação só adquire realidade se tiver uma face social, caso contrário não passa de uma fantasia a dois. Não é fácil de assumir e tornar visível um relacionamento que não seja socialmente bem visto, pois teme-se a responsabilidade que advém dessa parte social. Daí a importância da pergunta que saiu da boca de Helena, ao perceber que o seu companheiro evitava aparecer publicamente com ela, em locais onde poderia ser reconhecido por amigos e colegas de trabalho: “Tu sentes-te confortável comigo, Tomás?” Ela parecia adivinhar a resposta dele pois tinha perfeita consciência da sua condição física e até brincava com ela (“gozando com eles é uma forma de contornar os nossos problemas”). O que ela certamente não estaria à espera era do seu depoimento confessional final, quando Tomás assume toda a sua fraqueza e incapacidade de levar o relacionamento adiante.
Personagens estereotipadas e superficiais, realismo cultural americano, problemas universais (preconceito, falta de princípios e de “tomates” para assumi-los, fraqueza das convicções). É sobretudo disto que é feito esta recomendável peça.
sábado, março 29, 2008
Basicamente, é isto
O Que Há, Fernando Pessoa
O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...
O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...
quinta-feira, março 27, 2008
terça-feira, março 25, 2008
segunda-feira, março 24, 2008
domingo, março 23, 2008
O que tu contribuis para a minha infelicidade
Como ser socialmente influenciável que sou - copio modelos de vida e dependo naturalmente de conselhos e orientações dos outros - acabo por ser sempre, no momento, o resultado da soma do meu estado espírito natural com o de quem estou – e que me influencia. Nesta socialização, para além de chegar à conclusão que existem pessoas infinitamente mais infelizes que eu, percebo que elas podem tornar a minha existência mais infeliz.
Karma ou vocação? Parece mesmo que há pessoas que só me escolhem ou procuram para partilhar tristezas e desgraças. O que eu mais oiço é: “ainda bem que te conheci nesta fase menos boa da minha vida... Felizmente tenho-te a ti!”. Curiosamente nunca ouvi: “acabei de ganhar o euromilhões, sou uma pessoa emocionalmente muito equilibrada e tenho uma saúde para dar e vender, queres-me conhecer?” Acredito que para quem tenha esse “espírito missionário” de solidariedade obsessiva perante a desgraça alheia, este tipo de partilhas seja muito emocionante, mas para quem anda por aqui a tentar obter alguma estabilidade e viver uma vida sem grandes “dramalhões”, este tipo de situações não lhes são de todo favoráveis. Por onde andavam estas pessoas na tal outra fase boa, feliz e próspera? Na fase em que faziam isto, aquilo e aqueloutro e tinham forças mentais e físicas para ir até ao cume do Evereste se fosse preciso. Agora que entram em depressão sempre que um (pequeno) obstáculo lhes surge à frente e não conseguem dar um passo em frente com receio de cair, é que precisam de alguém mais forte para se sentirem seguros. Seguros ou equilibrados mas sempre pouco confiantes. Porque essa característica dificilmente lhes posso passar ou não dependesse exclusivamente delas.
Estes pólos opostos atraem-se? Por mim, dispenso já esta teoria. Acredito mais numa que demonstre que uma forte oposição entre os dois pólos, produzindo uma luz baça, acaba por consumir energia desnecessariamente. Retenha-se isto: ninguém sai ileso destas (con)vivências muito desequilibradas.
Karma ou vocação? Parece mesmo que há pessoas que só me escolhem ou procuram para partilhar tristezas e desgraças. O que eu mais oiço é: “ainda bem que te conheci nesta fase menos boa da minha vida... Felizmente tenho-te a ti!”. Curiosamente nunca ouvi: “acabei de ganhar o euromilhões, sou uma pessoa emocionalmente muito equilibrada e tenho uma saúde para dar e vender, queres-me conhecer?” Acredito que para quem tenha esse “espírito missionário” de solidariedade obsessiva perante a desgraça alheia, este tipo de partilhas seja muito emocionante, mas para quem anda por aqui a tentar obter alguma estabilidade e viver uma vida sem grandes “dramalhões”, este tipo de situações não lhes são de todo favoráveis. Por onde andavam estas pessoas na tal outra fase boa, feliz e próspera? Na fase em que faziam isto, aquilo e aqueloutro e tinham forças mentais e físicas para ir até ao cume do Evereste se fosse preciso. Agora que entram em depressão sempre que um (pequeno) obstáculo lhes surge à frente e não conseguem dar um passo em frente com receio de cair, é que precisam de alguém mais forte para se sentirem seguros. Seguros ou equilibrados mas sempre pouco confiantes. Porque essa característica dificilmente lhes posso passar ou não dependesse exclusivamente delas.
Estes pólos opostos atraem-se? Por mim, dispenso já esta teoria. Acredito mais numa que demonstre que uma forte oposição entre os dois pólos, produzindo uma luz baça, acaba por consumir energia desnecessariamente. Retenha-se isto: ninguém sai ileso destas (con)vivências muito desequilibradas.
quinta-feira, março 20, 2008
Insane Clown Posture
Era uma vez um palhaço velho e resmungão que não achava graça quando lhe chamavam pelo seu nome próprio. Este palhaço nunca pôde ser mais do que aquilo para o qual dizia ter aptidão: dizer/fazer umas “palhaçadas”, em que a parte imberbe da assistência se ia rindo, enquanto a outra ficava indiferente, à espera de um número mais aliciante. Não podia domar animais, não podia fazer acrobacias de alto risco, não podia ser contorcionista, porque não teria competência para tal. Não deixava de ser um artista, mas querendo ser “o” artista – e para os outros ele era só um palhaço -, o destino fez dele um profissional sem consciência das suas limitações.
Num dia, quando o dono do circo disse que iria proceder a um reajustamento nos royalties, em função da rentabilidade de cada um dos seus trabalhadores, o palhaço foi o único que contestou. Desesperado, com receio de perder certas regalias que até então nunca lhe tinham sido sequer questionadas, ameaçou ir-se embora, sem não antes ter pedido um parecer ao seu público mais fiel. Como era de calcular: as crianças berraram pelo seu palhaço! Pretendeu com isto, nem tanto, um reforço da (sua) razão, mas sobretudo do ego - que inchava na mesma proporção da sua barriga e dos seus bolsos. Foi à conta dele (o seu ego) – e nem tanto do seu profissionalismo e atributos - que fez carreira.
Como um espectáculo com polémicas e sem um palhaço de serviço não vende bilhetes, o director do circo acabou por abandonar a sua irreverente iniciativa. A vida deste circo prossegue, sustentado por alguns números novos e com o velho número do palhaço velho lá pelo meio. O palhaço velho e resmungão que não achava graça quando lhe chamavam pelo seu nome próprio.
Num dia, quando o dono do circo disse que iria proceder a um reajustamento nos royalties, em função da rentabilidade de cada um dos seus trabalhadores, o palhaço foi o único que contestou. Desesperado, com receio de perder certas regalias que até então nunca lhe tinham sido sequer questionadas, ameaçou ir-se embora, sem não antes ter pedido um parecer ao seu público mais fiel. Como era de calcular: as crianças berraram pelo seu palhaço! Pretendeu com isto, nem tanto, um reforço da (sua) razão, mas sobretudo do ego - que inchava na mesma proporção da sua barriga e dos seus bolsos. Foi à conta dele (o seu ego) – e nem tanto do seu profissionalismo e atributos - que fez carreira.
Como um espectáculo com polémicas e sem um palhaço de serviço não vende bilhetes, o director do circo acabou por abandonar a sua irreverente iniciativa. A vida deste circo prossegue, sustentado por alguns números novos e com o velho número do palhaço velho lá pelo meio. O palhaço velho e resmungão que não achava graça quando lhe chamavam pelo seu nome próprio.
terça-feira, março 18, 2008
segunda-feira, março 17, 2008
Fuck of Death
Há terminologias e há fenómenos que eu preferia simplesmente desconhecer. Não acho, no entanto, que a atitude de ignorá-los ou tentar desculpabilizá-los pela sua pequena adesão ou popularidade seja um caminho a seguir. Essa foi uma das opções tomadas face à extrema-direita ou à anorexia - só para dar dois exemplos distintos - e no entanto o número dos seus “simpatizantes” nunca deixou de aumentar. No seguimento de algumas reportagens publicadas em revistas portuguesas e estrangeiras, tomei conhecimento da existência de orgias homossexuais de Barebacking, de Bug Chasers e de Gift Givers. Em poucas palavras, por Barebacking entende-se a prática sexual sem uso de preservativo, a Bug Chasers Party, são festas onde há indivíduos que procuram ser infectados pelo HIV, e os Gift Givers são os respectivos doadores do mesmo. A “Gift”, como já se percebeu, é - tão-somente a doença que matou milhares de pessoas no final do Século XX e prossegue a sua chacina pelo Século XXI, sem uma solução para a sua cura à vista - a Sida.
Comecemos pela vertente mais “soft”. O Barebacking, como bem se sabe, não é uma prática exclusiva de alguns homossexuais. A prática de sexo inseguro está enraizada na cultura da humanidade e afecta todas as vertentes sexuais. Está mais relacionada com instintos básicos e “provas de confiança” inquestionáveis, do que com fenómenos bem localizados. As pequenas orgias, a que a revista Sábado se debruçou, demonstram isso. Para se participar nelas não é necessário a apresentação de resultados de testes recentes de despistagem do HIV, basta a confirmação verbal num qualquer “chat” (onde se começa a planear estas festas): “tou limpo”. Portanto: a luz verde para participar em orgias, onde se pratica sexo desprotegido, só entre “gente de confiança”, é fornecida por meio deste meio virtual em que uma verdade pode deambular no meio de um deserto de mentiras e ilusões para cativar o próximo, dominado por “heteros” e “casados curiosos”, dos eternos “virgens”, dos “activos” imunes ao HIV, etc.
Mas, incrivelmente, há pior que isto. Se há quem participe nestas festas com a (in)consciência de que pode ser infectado e mesmo assim arrisque. Também há quem procure exactamente essa fatalidade. As festas onde os Bug Chasers são convertidos em Gift Givers, são populares nos EUA. Conversion’s Party, Russian Roulette Party, Gang Bang Party. Os nomes são diferentes, de forma a distinguir o número de participantes portadores do vírus, mas o objectivo final nem por isso. Mas que razões justificam esta espécie de suicídio lento e perverso? A principal arma de defesa dos adeptos destas “modalidades” é a liberdade de escolha e a suprema autonomia sobre o que fazer com o próprio corpo e com a sua existência. Para além de que banalizou-se uma certa de ideia de que a Sida poderá ser uma doença crónica e que com a evolução da medicina nesta área, poderá-se fazer uma vida completamente saudável e normal. Sobretudo esta gente acredita que ser infectado com o HIV não é transtorno suficiente para levar uma vida sexual dependente do preservativo. É importante, para eles, verem-se desprovidos de responsabilidades na prática sexual seja com quem for, melhorando, assim, a sua qualidade de vida sexual. No sexo ninguém - e sobretudo estes grupos - gosta de pensar em doenças e responsabilidades. Isto explica, em parte, essa glamourização do Bareback.
Pois, ninguém pensará também, com a continuação da prática sexual desprotegida com outros elementos contaminados, que a reinfecção viral pode precipitar de forma drástica o avanço da doença. E muito menos pensarão que esse tal voluntarismo e autonomia para contrair uma doença mortal ultrapassam a barreira da questão da “liberdade de escolha pessoal”, quando a medicação e tratamentos a que vão estar sujeitos, não serão pagos (na totalidade) por eles, mas por todos nós, contribuintes.
Para além da referida irresponsabilidade, a mais importante ilação a retirar destes casos parece-me estar na forma como estes homens resumem a sua existência ao prazer que tiram do sexo. Não me parece haver grandes perspectivas, grandes ambições, grande auto-estima e muito menos inteligência. Há apenas sexo e essa missão de querer espalhar deliberadamente uma doença que uma parte do mundo acha que só infecta os outros e outra que se esforça em combater.
Comecemos pela vertente mais “soft”. O Barebacking, como bem se sabe, não é uma prática exclusiva de alguns homossexuais. A prática de sexo inseguro está enraizada na cultura da humanidade e afecta todas as vertentes sexuais. Está mais relacionada com instintos básicos e “provas de confiança” inquestionáveis, do que com fenómenos bem localizados. As pequenas orgias, a que a revista Sábado se debruçou, demonstram isso. Para se participar nelas não é necessário a apresentação de resultados de testes recentes de despistagem do HIV, basta a confirmação verbal num qualquer “chat” (onde se começa a planear estas festas): “tou limpo”. Portanto: a luz verde para participar em orgias, onde se pratica sexo desprotegido, só entre “gente de confiança”, é fornecida por meio deste meio virtual em que uma verdade pode deambular no meio de um deserto de mentiras e ilusões para cativar o próximo, dominado por “heteros” e “casados curiosos”, dos eternos “virgens”, dos “activos” imunes ao HIV, etc.
Mas, incrivelmente, há pior que isto. Se há quem participe nestas festas com a (in)consciência de que pode ser infectado e mesmo assim arrisque. Também há quem procure exactamente essa fatalidade. As festas onde os Bug Chasers são convertidos em Gift Givers, são populares nos EUA. Conversion’s Party, Russian Roulette Party, Gang Bang Party. Os nomes são diferentes, de forma a distinguir o número de participantes portadores do vírus, mas o objectivo final nem por isso. Mas que razões justificam esta espécie de suicídio lento e perverso? A principal arma de defesa dos adeptos destas “modalidades” é a liberdade de escolha e a suprema autonomia sobre o que fazer com o próprio corpo e com a sua existência. Para além de que banalizou-se uma certa de ideia de que a Sida poderá ser uma doença crónica e que com a evolução da medicina nesta área, poderá-se fazer uma vida completamente saudável e normal. Sobretudo esta gente acredita que ser infectado com o HIV não é transtorno suficiente para levar uma vida sexual dependente do preservativo. É importante, para eles, verem-se desprovidos de responsabilidades na prática sexual seja com quem for, melhorando, assim, a sua qualidade de vida sexual. No sexo ninguém - e sobretudo estes grupos - gosta de pensar em doenças e responsabilidades. Isto explica, em parte, essa glamourização do Bareback.
Pois, ninguém pensará também, com a continuação da prática sexual desprotegida com outros elementos contaminados, que a reinfecção viral pode precipitar de forma drástica o avanço da doença. E muito menos pensarão que esse tal voluntarismo e autonomia para contrair uma doença mortal ultrapassam a barreira da questão da “liberdade de escolha pessoal”, quando a medicação e tratamentos a que vão estar sujeitos, não serão pagos (na totalidade) por eles, mas por todos nós, contribuintes.
Para além da referida irresponsabilidade, a mais importante ilação a retirar destes casos parece-me estar na forma como estes homens resumem a sua existência ao prazer que tiram do sexo. Não me parece haver grandes perspectivas, grandes ambições, grande auto-estima e muito menos inteligência. Há apenas sexo e essa missão de querer espalhar deliberadamente uma doença que uma parte do mundo acha que só infecta os outros e outra que se esforça em combater.
sexta-feira, março 14, 2008
Ouvir dizer que...
... um homem é como um soalho flutuante: se for bem montado pode ser pisado durante mais de 30 anos.
Bichos
As traças e as calorias são bichos que convivem pacificamente nos nossos roupeiros, apesar até de possuírem funções similares junto da na nossa roupa. Os primeiros comem-na, os segundos apertam-na.
quinta-feira, março 13, 2008
Ajuda preciosa à distância de um X e nove números
O estado português permite que 0,5 por cento – não é muito, mas sempre é melhor que nada – do IRS liquidado reverta a favor de uma instituição de solidariedade social ou de apoio humanitário sem fins lucrativos. Para contribuir basta escrever, no Anexo H - Quadro 9 - Campo 901, o Número de Identificação de Pessoa Colectiva (NIPC) da instituição que pretendemos ajudar. Portanto, sem qualquer custo ou imposto acrescido pode-se estar a tirar a barriga da miséria de algumas pessoas ou animais.
Exemplos:
Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome – NIPC: 504 335 642
Liga Portuguesa dos Direitos do Animal - NIPC: 501 626 921
Associação ABRAÇO - NIPC: 503 170 151
Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome – NIPC: 504 335 642
Liga Portuguesa dos Direitos do Animal - NIPC: 501 626 921
Associação ABRAÇO - NIPC: 503 170 151
(Nota importante. Antes de colocar o NIPC de qualquer entidade, será necessário confirmar previamente se ela pode beneficiar com tal regalia. Não esquecer que há associações nacionais que ainda não lhes foram atribuído o estatuto de utilidade pública. Por serem "demasiado polémicas", por exemplo, como acontece (infelizmente) com a Associação ANIMAL).
quarta-feira, março 12, 2008
O desespero
Num mesmo dia fui contactado por duas empresas de call center, devidamente apresentadas mas do qual os nomes não me recordo, que representavam, respectivamente, a TV Cabo e a revista Sábado. A primeira contactou-me com o objectivo de tentar uma reconciliação com aquela operadora de internet e TV por cabo. Passaram-me o “recado” de que a “galinha dos ovos de ouro” do grupo PT está interessada em ter-me novamente como cliente, pedindo para esquecer os conflitos que tivemos no passado em consequência de um mau serviço que prestaram - mas que nunca deixaram de o facturar, apesar de todas as reclamações por escrito que lhes enviei e das respostas ou interesse, da sua parte, em solucionar os meus problemas, que nunca obtive. Apresentaram-me condições de tal forma vantajosas e “excepcionais” que tive quase para mandar o meu orgulho “leonino” para as urtigas. Na próxima vez que implorarem talvez ceda, mas por enquanto o meu coração só tem espaço para uma empresa incompetente. A Brisa, pode ficar aliviada pois, mantém, por enquanto, o seu lugar cativo.
Para não variar, o contacto da parte da revista Sábado, também tinha um cariz promocional. Questionavam-me se estaria interessado em receber em casa os quatro próximos números desta revista semanal por 1€ cada. Sem compromissos – onde é que eu já ouvi isto antes? Uma boa oportunidade, sem dúvida. No entanto, rejeitei a proposta por considerar um negócio demasiado arriscado. Pois se há números em que me parece perfeitamente justo o valor pedido na banca, há outros que nem oferecido os queria.
Para não variar, o contacto da parte da revista Sábado, também tinha um cariz promocional. Questionavam-me se estaria interessado em receber em casa os quatro próximos números desta revista semanal por 1€ cada. Sem compromissos – onde é que eu já ouvi isto antes? Uma boa oportunidade, sem dúvida. No entanto, rejeitei a proposta por considerar um negócio demasiado arriscado. Pois se há números em que me parece perfeitamente justo o valor pedido na banca, há outros que nem oferecido os queria.
terça-feira, março 11, 2008
Fotogenia
Uma foto só representa uma imagem estática. Portanto parece-me normal quando não nos identificamos com ela. É muito redutor restringirmos o nosso reflexo a uma única imagem, quando somos todos muito mais que isso - e nem me refiro a tudo o que ultrapassa o nosso aspecto físico e que uma máquina fotográfica nunca alcançará. Mais do que ninguém, só nós próprios devemos ter consciência disto. Os outros, que têm o privilégio de poder comparar o original com a cópia (foto), desiludem-se ou surpreendem-se, ao sabor dos seus próprios critérios de beleza e da manipulação da imagem que foi fornecida. Tal explica, em muito, o sucesso ou insucesso deste mundo virtual.
domingo, março 09, 2008
Sou tão normalzinho, graças a Deus (dos estudos de hábitos)!
Para que servem os inquéritos de hábitos? São credíveis? Quem os supervisiona e audita?
Estes estudos, para além de encher as páginas dos jornais, também obrigam as pessoas a fazer uma reavaliação das suas rotinas sociais. Tenho um crédito sobre um crédito por regularizar? Já fui assediado(a) no emprego? Por dia, ando quantos metros a pé? Estou profundamente insatisfeito(a) com algum organismo público em particualr ou todos em geral? O/A meu/minha companheiro(a) dá-me porrada com uma certa regularidade? Faço sexo mais ou menos de quatro vezes por semana? Tenho diabetes? Levantam-se o mais variadíssimo tipo de questões e com base nas respostas, chega-se à conclusão se somos assim tão normaizinhos, graças a Deus ou graças ao Nosso Senhor que inventou estes estudos, ou nem por isso. O mais grave é que poderá haver quem regularize a sua (in)felicidade com base em tais conclusões e (des)governe a vida em função delas.
Nunca fui contactado no sentido de saber se estou satisfeito com a minha vida sexual. A menos que uma proposta de passar um fim-de-semana no Algarve patrocinada por uma agência de viagens menos conhecida - “mas que teria todo o gosto em oferecer esta estadia, só precisando de se deslocar ao local X para levantar o vale promocional, sem qualquer contrapartida” - seja, afinal de contas, uma espécie de teste à minha capacidade de resistência a um convite implícito à prevaricação e deduzir a partir daí todo meu historial penitente. Custa a acreditar, por uma simples razão: não há empresas com fins lucrativos que ofereçam os seus produtos, nem há convites implícitos à prevaricação, “sem qualquer contrapartida”! Para comprovar isso fica a forma camuflada como as propostas são feitas: “tem só de assistir a uma pequena reunião sobre...” e “é só uma lembrancinha de 50 euros”.
Estes estudos, para além de encher as páginas dos jornais, também obrigam as pessoas a fazer uma reavaliação das suas rotinas sociais. Tenho um crédito sobre um crédito por regularizar? Já fui assediado(a) no emprego? Por dia, ando quantos metros a pé? Estou profundamente insatisfeito(a) com algum organismo público em particualr ou todos em geral? O/A meu/minha companheiro(a) dá-me porrada com uma certa regularidade? Faço sexo mais ou menos de quatro vezes por semana? Tenho diabetes? Levantam-se o mais variadíssimo tipo de questões e com base nas respostas, chega-se à conclusão se somos assim tão normaizinhos, graças a Deus ou graças ao Nosso Senhor que inventou estes estudos, ou nem por isso. O mais grave é que poderá haver quem regularize a sua (in)felicidade com base em tais conclusões e (des)governe a vida em função delas.
Nunca fui contactado no sentido de saber se estou satisfeito com a minha vida sexual. A menos que uma proposta de passar um fim-de-semana no Algarve patrocinada por uma agência de viagens menos conhecida - “mas que teria todo o gosto em oferecer esta estadia, só precisando de se deslocar ao local X para levantar o vale promocional, sem qualquer contrapartida” - seja, afinal de contas, uma espécie de teste à minha capacidade de resistência a um convite implícito à prevaricação e deduzir a partir daí todo meu historial penitente. Custa a acreditar, por uma simples razão: não há empresas com fins lucrativos que ofereçam os seus produtos, nem há convites implícitos à prevaricação, “sem qualquer contrapartida”! Para comprovar isso fica a forma camuflada como as propostas são feitas: “tem só de assistir a uma pequena reunião sobre...” e “é só uma lembrancinha de 50 euros”.
sexta-feira, março 07, 2008
"Aqueles pratos no lava-loiça são a prova de que na vida as coisas só mudam para ficarem na mesma"
(...) Não é que ela se importe com o trabalho, o trabalho descobre-o ela em todo o lado, há sempre ordem para pôr numa casa, no mundo. A mãe soubera ensinar-lhe os deveres da mulher. Nisso fora ela boa. Só tarde demais lhe dissera alguma coisa sobre rapazes. Essa conversa viera atrapalhada e aos solavancos, ela já de véu e grinalda e, inevitavelmente, prenha. Mais que pronta para se levantar da estreita cama de solteira e subir a larga escadaria da igreja.
Mas isso não fora culpa da mãe. A culpa fora do ócio, que é invenção do Diabo. Tivesse ela ocupado as tardes livres do liceu a esfregar chão e não teria caído nas cantigas do Manel, nas palavras meladas que ele lhe sussurrara ao ouvido, na praça do jardim, e que lhe tinham aberto o coração. Tinham sido só meio caminho para lhe abrir as pernas. Depois, quando as fechara, estava o mal feito e não levara muito mais tempo até que se lhe fechasse o coração também.
Casava com um traste, sabia-o. Mas era um traste dono de um establecimento comercial, bem parecido e que a emprenhara. Com a mesma convicção com que pegava num balde e numa esfregona, dissera-lhe, ou te casas comigo ou nunca mais fodes ninguém. Fora a única vez que lhe tinha saído uma palavra destas da boca. E ele lá aparecera na igreja.
(...)
Este trecho faz parte do capítulo 12 de um livro em construção de Daniel J. Skråmestø. Ainda não tem nome mas já tem muito conteúdo e é um enorme privilégio poder lê-lo em primeira mão. Capítulo a capítulo.
quinta-feira, março 06, 2008
terça-feira, março 04, 2008
4 minutos para danificar a reputação de três artistas
Até ontem pensaria que uma colaboração entre a rainha da pop, o rei do r&b e um dos melhores produtores de música da actualidade só pudesse resultar em qualquer coisa de excepcional. Hoje, infelizmente, tenho que admitir o contrário.
(antes que me apareça por aqui mais um camarada americano a "impugnar-se" pela propriedade desta música, fica já a referência de que retirei o link daqui. Tanque iú veri mache, pawl!)
segunda-feira, março 03, 2008
Limites
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