terça-feira, março 03, 2015
segunda-feira, março 02, 2015
A vingança é um prato que se serve frio, mas, ao servi-lo, também se pode morrer congelado
“Relatos
Selvagens”, do argentino Damián Szifron (e co-produzido por Pedro Almodóvar), é
composto por seis histórias surrealistas de vingança com muito sarcasmo e com o
dobro de humor.
Todos os
protagonistas deste filme estão à beira do abismo, e é justamente nesses
momentos que eles revelam o seu lado perverso, animalesco, selvagem, onde
parece haver um certo desejo em acentuar ainda mais o seu descontrolo. Há muito
pouco de racional neste filme e há quem o critique por aquelas pessoas não
terem profundidade (“figuras sem passado, sem memória”)... Porque não se pede à National Geographic para
fazer telenovelas com uma manada de elefantes?
Enfim, em todos
os seus sentidos, um filme bestial.
sexta-feira, fevereiro 27, 2015
Nós somos apenas um conjunto de corpos... e alguns de nós têm pénis
Depois de ver a sua
primeira temporada, consigo perceber porque o relato intimista da vida de uma “atípica”
família de classe média americana é tão impopular quanto premiada (ganhou,
entre outros, o Globo de Ouro e o Satellite Award para a melhor série do ano). “Transparent”
(Amazon) é uma série muito mais educativa do que de entretenimento.
O pai desta
família, interpretado por um inacreditável Jeffrey Tambor (também recebeu um
Globo de Ouro por este papel), decide, após algumas investidas no mesmo sentido
no passado, transformar-se numa mulher... que continua a ter atracção por
mulheres. Interpreto isto como sendo uma espécie de veneração suprema do
mundo feminino, ao ponto de querer transformar-se (visualmente, sobretudo) numa mulher. É aqui que se aprende a diferença entre identidade
sexual e identidade de género. No entanto, a complexidade desta personagem não
se fica por aqui, aliás, a complexidade da vida íntima acaba por ser um facto comum
aos seus três filhos.
Estamos perante
uma série que desafia as noções mais básicas do que é um género, ou melhor, como
os órgãos sexuais e os cromossomas acabam por ser insuficientes para qualificar
um género. É aqui que se aprende e celebra a ideia de que somos todos, acima de
todas e quaisquer outras catalogações, seres humanos. Como alguém diz lá pelo
meio: “We’re just a bunch of bodies... and some of us have penis”.
quinta-feira, fevereiro 12, 2015
Porque é que eu acho que "As 50 sombras de Grey" é um produto culturalmente problemático e muito perigoso
A essência do “hype”
está numa espécie de introdução ao mundo BDSM, mesmo que seja numa versão assumidamente
“light”. A questão é que muito pouco do que se passa na história deste
livro/filme tem a ver com esse mundo BDSM, onde há regras a cumprir e é exigida
muita maturidade e responsabilidade aos seus intervenientes.
Se por um lado, esta
“obra” passa uma série de ideias falsas quanto a essas responsabilidades
inerentes ao mundo da dominação consciente e permitida, por outro (agora o lado
perigoso da questão), dissimula um real problema de violência doméstica numa
fábula moderna, escaldante e encantadora que, sobretudo, as telespectadoras (digamos)
menos atentas, adorariam viver.
A
essência do hype está numa espécie de introdução ao mundo BDSM, mesmo
que seja uma espécie de versão "Disney", roubando a expressão que já li
por aqui. A questão é que muito pouco do que se passa na história desse
livro/filme tem a ver com esse mundo BDSM, onde há regras a cumprir e é
exigida muita maturidade e responsabilidade aos seus intervenientes.
Na minha opinião "As 50 sombras de Grey" é um produto culturalmente problemático e muito perigoso. Se por um lado passa uma série de ideias falsas das responsabilidades inerentes ao mundo da dominação consciente e permitida, por outro, dissimula um real problema de violência doméstica numa fábula moderna e encantadora. - See more at: http://forum.autohoje.com/off-topic/443-topico-cinefilo-v2-0-balanco-2012-podem-votar-max-3-escolhas.html#post1068365077
Na minha opinião "As 50 sombras de Grey" é um produto culturalmente problemático e muito perigoso. Se por um lado passa uma série de ideias falsas das responsabilidades inerentes ao mundo da dominação consciente e permitida, por outro, dissimula um real problema de violência doméstica numa fábula moderna e encantadora. - See more at: http://forum.autohoje.com/off-topic/443-topico-cinefilo-v2-0-balanco-2012-podem-votar-max-3-escolhas.html#post1068365077
A
essência do hype está numa espécie de introdução ao mundo BDSM, mesmo
que seja uma espécie de versão "Disney", roubando a expressão que já li
por aqui. A questão é que muito pouco do que se passa na história desse
livro/filme tem a ver com esse mundo BDSM, onde há regras a cumprir e é
exigida muita maturidade e responsabilidade aos seus intervenientes.
Na minha opinião "As 50 sombras de Grey" é um produto culturalmente problemático e muito perigoso. Se por um lado passa uma série de ideias falsas das responsabilidades inerentes ao mundo da dominação consciente e permitida, por outro, dissimula um real problema de violência doméstica numa fábula moderna e encantadora. - See more at: http://forum.autohoje.com/off-topic/443-topico-cinefilo-v2-0-balanco-2012-podem-votar-max-3-escolhas.html#post1068365077
Na minha opinião "As 50 sombras de Grey" é um produto culturalmente problemático e muito perigoso. Se por um lado passa uma série de ideias falsas das responsabilidades inerentes ao mundo da dominação consciente e permitida, por outro, dissimula um real problema de violência doméstica numa fábula moderna e encantadora. - See more at: http://forum.autohoje.com/off-topic/443-topico-cinefilo-v2-0-balanco-2012-podem-votar-max-3-escolhas.html#post1068365077
quarta-feira, fevereiro 04, 2015
Como alguns meios de comunicação social da era moderna utilizam as nossas obsessões visuais para ganhar mais uns trocos
Diz que uma das
fórmulas de sucesso das mais recentes séries para TV, históricas ou fantasia, passa
por muita pancadaria, pseudo-erotismo e nudez feminina.
No início ainda
pensei que os seus realizadores, ao utilizarem tais fáceis
"argumentos", estariam a passar um atestado de "depravação"
(ou obsessão?) a todos os telespectadores - “para ver umas mamas de jeito tenho mesmo
que gramar com aquela seca "histórica"”?; ou: “e não é que se vai
aprendendo um pouco de história nos intervalos destas interessantes sessões
eróticas?”. Entretanto, pensei um pouco mais, e cheguei à conclusão que eles
não podiam estar a subestimar assim tanto os seus “clientes” e, na verdade, a
nudez ou o sexo, de tão espontâneos que são (ou deviam ser), estão a ser cada
vez mais (despreconceituosamente) revelados nas séries modernas (mesmo que
incidam sobre outros tempos)... Mesmo que esta tendência para fazer sentido tenha
que ser igualitária, isto é, existir nudez masculina na mesma proporção, o que,
como bem sabemos, está um bocadinho longe de acontecer. Mas isto pode ter haver
com problemas de casting ou disputas de caché...
É justamente
neste tipo de séries (históricas ou do mundo irreal), onde parece ser mais
fácil justifcar a nudez feminina ou até mesmo a subjugação da mulher, pois,
aparentemente, tal é feito de uma forma “irónica”. Ou seja, como se trata de um
produto “retro” ou de “fantasia”, mostra-se nudez ou misoginia sem pudor, só
porque faz parte do enredo e não porque as produtoras estão a ser levadas pelos
seus instintos sexistas a satisfazer as obsessões dos seus telespectadores... Ufa!
Graças aos meus queridos cromossomas evitei uma queda fatal na lógica do falso
puritanismo. Obrigadinhos oh XY!
terça-feira, fevereiro 03, 2015
Subscrever:
Comentários (Atom)




