quarta-feira, outubro 30, 2013

Casa do Desespero




Aquela casa serve para marcar o único cruzamento na quase interminável estrada florestal da Mata Nacional de Quiaios. Mas também serve para deixar pequenos "desabafos intimistas" ou mensagens desconsoladas a quem passe por lá.



Pelos menos até enquanto sobrar pelas suas paredes um espaço branco e livre para escrever, já sem portas e sem janelas, ela será sempre uma casa aberta, disponível para receber e oferecer o desespero a cada um dos seus visitantes: deixam o seu e levam o dos outros.

domingo, outubro 27, 2013

terça-feira, outubro 22, 2013

É só afecto, é só afecto



(...) Chegar aqui (táxi) e não ter rádio, (é como ) chegar a casa e não ter lá a minha mulher, é um vazio, é um vazio.

Não estou a ver um melhor elogio a oferecer a uma esposa, do que aquele em que a compara com um sistema de comunicação que funciona por ondas electromagnéticas, que repete cinquenta vezes a mesma música durante um dia e põe-nos ao corrente das novidades de hora a hora.
Se aquela mulher não se identificasse com a metáfora e tivesse direito de antena diria: “então pede à rádio comercial para te passar a ferro as camisas e fazer-te o jantar, porque eu cá fui transmitir para outra frequência!”

sábado, outubro 12, 2013

segunda-feira, outubro 07, 2013

sexta-feira, outubro 04, 2013

domingo, setembro 29, 2013

Bom resultado qb

Uma das grandes conclusões que se vai tirar destas eleições passa por esse facto de que nunca a força dos independentes foi tão forte em Portugal, ou melhor, nunca o descrédito nos nossos principais partidos políticos foi tão grande.
Parece tudo muito bem, mas vou celebrar a vitória de um movimento independente chamado "ex-presidente-que-está-a-ver-estas-eleições-em-directo-da-Prisão-da-Carregueira mais à frente"?
uma das grandes conclusões que se vai tirar destas eleições passa por aí. Nunca a força dos independentes foi tão forte em Portugal, ou melhor, nunca o descrédito nos nossos principais partidos políticos foi tão grande. - See more at: http://forum.autohoje.com/off-topic/115685-autarquicas-2013-a.html#sthash.HFADZYSK.dpuf

sábado, setembro 28, 2013

Da técnica


Claro que tinha que ver o último episódio do programa mais visto da TV portuguesa: a novela “Dancin' Days”. Tudo “aquilo” foi hilariante, mas destaco sobretudo esta cena:


Claro que tinha que ver o último episódio do programa mais visto da TV portuguesa. Tudo aquilo foi hilariante, mas destaco sobretudo esta cena: - See more at: http://forum.autohoje.com/off-topic/38990-videos-para-rir.html#sthash.StKbCCd3.dpuf

sexta-feira, setembro 27, 2013

Tenho (algumas) saudades do Carrefour


Recordo-me como se fosse hoje. Era um final de tarde, enquanto arrastava o carrinho com as compras da semana, procurava uma caixa aberta e com o mínimo de fila de espera. Achei. Enquanto confirmava se não era daquelas caixas que está aberta mas que fecha justamente no momento que começamos a colocar os nossos produtos no tapete, começo a fazer um exercício de memória para saber se não me esqueci de comprar nada do que era suposto.


“Boa tarde. Tem o cartão Família?”...



Entretanto ouve-se por todo o supermercado a voz de uma senhora a anunciar que “chegou o momento de anunciar mais um feliz contemplado do sorteio do nosso aniversário”. Não ligo e continuo a despejar as coisas no tapete. Subitamente dispara o alarme de detecção de roubo da caixa onde estava, bem como o número da respectiva caixa começa a piscar ininterruptamente. “O que é que eu fiz?”

Depois começam a acontecer demasiadas coisas ao mesmo tempo: era a senhora do altifalante que não se calava com o aniversário do Carrefour, eram as pessoas nas restantes caixas e parte da loja e do centro comercial, umas igualmente surpreendidas a olhar na minha direcção, outras a bater palmas, era a senhora da caixa, de sorriso rasgado, a congratular-me, o senhor que estava atrás na fila que queria cumprimentar-me... E eu com um pacote de esparguete na mão só me apetecia fugir dali para fora. E o alarme não parava de tocar.

Logo de seguida, pelo corredor exterior do centro comercial, a empurrar um carrinho cheio de compras, chega um senhor de gravata que automaticamente identifica-o com sendo funcionário daquele local. “Parabéns... O seu prémio! Vamos tirar uma foto para colocar no placard de honra?”. “Vamos!?” e lá fui eu, supermercado a fora, lenta e esforçadamente, a empurrar um carrinho de compras cheio em cada mão.



Foi a primeira e última vez que ganhei algo de significante num sorteio, sobretudo, inesperado. E, por isso e por muitos outros motivos, gosto de recordar com algum saudosismo a presença do Carrefour em Portugal.

Tenho saudades de andar livremente em corredores largos (o espaço de outrora é ocupado hoje por um Continente, uma Worten, uma agência de viagens e uma cafetaria), onde se podia comprar de tudo, do bacalhau ao mega-plasma, do empadão de carne ao DVD de um filme mais “indie” em promoção... Tenho saudades de comprar produtos da marca da casa, em que às vezes nem sabia muito bem o que era, só porque alguém se tinha esquecido de colocar o rótulo em português. Mas que me sabiam bem, sabiam.



Foram pioneiros, entre outras coisas, na introdução do cartão de descontos em cadeias de supermercados em Portugal e graças (também) a isso, obrigaram os seus adversários a mudar de estratégia. No entanto, perderam essa guerra do mercado retalhista nacional e abandonaram o campo de batalha. Eles ficaram com os louros dessa retirada, 662 milhões de euros para ser mais preciso, e eu fiquei com as boas recordações, que não tem preço.