sábado, maio 02, 2026

IMI em alta, confiança em baixa


Em Oeiras, a taxa de IMI subiu e não foi pouco: 50%. A explicação oficial, apresentada pela autarquia liderada por Isaltino Morais, é nobre: mais receita para investir em educação, apoio social e outras prioridades públicas. Tudo muito alinhado com o discurso institucional que se espera.

No papel, faz sentido. Na prática… ficam as dúvidas.

É que a confiança dos munícipes não nasce apenas de comunicados formais ou de boletins municipais bem compostos. Constrói-se — ou desgasta-se — ao longo do tempo. E quando existem episódios polémicos associados ao uso de dinheiros públicos, mesmo que não diretamente ligados ao IMI, é inevitável que surja um certo ceticismo.

Assim instala-se uma dúvida incómoda, difícil de ignorar: estará este esforço adicional dos munícipes a ser canalizado com o rigor que se apregoa… ou limita-se a contribuir para certos “hábitos” difíceis de largar?

A verdade é que não há provas de qualquer relação direta entre a subida do imposto e usos indevidos de fundos. Mas também é verdade que, quando se pede mais aos contribuintes, o mínimo exigível é mais transparência — não apenas a estritamente legal, mas aquela que realmente convence.

Porque pagar mais IMI pode até ser aceitável. O que já custa mais é pagar… e continuar com dúvidas.

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