segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Esta gente das filas


Quando passo ao lado daquelas filas de quilómetros de carros, para além da grande sensação de alívio (por lá não estar), penso o quanto distante estou desta “gente das filas”. É também nestes momentos que percebo que nasci demasiado rebelde e contestatário para me manter alinhado em filas ou para ter uma vida com uma trajectória pré-definida.
A vida pode ser feita de opções e quando há mesmo essa possibilidade... escolhe-se. E para evitar tal “fado”, por entre outras razões, acabei por escolher viver e trabalhar fora de Lisboa. Se não tivesse essa possibilidade de escolha e tivesse mesmo que trabalhar na capital, optaria por usar um transporte público ou ir de mota. Há sempre outras opções! Sei que há uma que nunca optaria: a (evitável) fila.
Até poderia haver dezenas de atalhos e percursos alternativos, que qualquer uma destas pessoas acabaria por optar (inconscientemente?) pelo caminho habitual, mesmo sabendo que lá mais à frente irá ser inevitável o abrandamento e a paragem, simplesmente porque não foi a única a não quebrar a rotina. Todos os dias é a mesma coisa, sempre com uma vaga esperança de que é naquele dia que tudo vai melhorar. Casos sem redenção possível de pura ilusão ou de um optimismo frustrante?
As pessoas não mudam, os seus problemas também não. Minto. Elas mudam. Mudam de faixa de rodagem porque acham que a outra anda sempre mais depressa. E é esse o seu maior desafio. Para estes indivíduos, os congestionamentos deixaram de ser um problema e passaram a ser um autêntico modo de vida.
Esta imensa maioria que opta sempre pelos mesmos caminhos e que está dependente de uma valente dose de “calor humano” para sobreviver, é a mesma que organiza autênticas “excursões” e passeatas para os centros comercias, que faz do parque das nações, ao fim-de-semana, uma feira popular sem carrosséis, da Caparica, no Verão, um verdadeiro inferno (mesmo sem estar muito calor) e da inauguração de uma ponte, um acontecimento para a posteridade – e porque não parar e tirar umas fotos? Parece que agora nem os museus escapam.
Intimidam-se com o desconhecido e acham que os riscos só lhes dão prejuízo. Gente de hábitos e tradições inquebráveis, que fazem das “regras” que lhes foram incutidas desde criança e da “lei” popular, o seu código civil. Nada se questiona, nada se coloca em causa, tudo lhes parece demasiado óbvio para tal. Acomodando-se, seguem pelo caminho, certo ou errado (para eles será sempre o certo, se têm à sua frente toda uma imensidão de pessoas que optaram pelo o mesmo, logo, só poderão estar no correcto!), previamente definido e delineado, nem sempre pelos próprios. Como uma fila de trânsito.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

O “vosso” banco já mudava de agência publicitária


O novo spot televisivo do Banco Santander Totta, num rácio qualidade/custo, deve ser dos piores anúncios que já vi até hoje.
Para além de estar tão mal dobrado que faz parecer qualquer dobragem de série italiana dos anos 80/90, uma campeã na sincronização (das “falas” com as “bocas” dos actores), trata-se de uma cópia “chapadinha” do videoclip “Seven Nation Army” dos White Stripes. Nem nas cores conseguiram ser originais...
Ainda por cima, participa aquele actor/apresentador “betinho” que se emocionou com o discurso de Santana Lopes, quando este perdeu as últimas eleições para o Sócrates. Só faltou convidar o “humorista” Aldo Lima e era o “pleno”.
Consta que esta “brincadeira” custou 2,5 milhões de euros. Parece que o “vosso” banco, para além de gostar de "superar as vossas expectativas", está rico!

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Fui à Horta

Este fim-de-semana reencontrei-me com alguns dos meus grandes amigos e amigas de infância. Para “comemorar” tal facto, entre outras coisas, decidimos passar parte da noite de sábado numa discoteca, algo que não fazíamos, todos, já há algum tempo. Por questões essencialmente de ordem geográfica (e, já agora, económica) optamos pela “Horta da Fonte”, um dos clubes nocturnos mais conhecidos na região ribatejana que fica situado no Cartaxo.
Já não era a primeira vez que passava por esta “casa” após o seu encerro (por falta de condições de higiene, segurança e salubridade) e posterior reabertura. Mas desta vez encontrava-me (mais) sóbrio e consequentemente mais apto a observar a “fauna” envolvente (e para além de divertirmo-nos e “beber um copo”, o que mais se faz numa discoteca?).
A “Horta” é constituída por, entre outros espaços (uns mais agradáveis que outros), duas pistas: a principal, de maiores dimensões, aonde se ouve reggaeton até à exaustão e uma outra, mais pequena e isolada, aonde passa, um surpreendente e evasivo, techno minimal. Nota positiva para esta última aposta e “ousadia”, nem que seja, pelo facto de haver um espaço naquela discoteca onde se possa ouvir, e principalmente dançar (na sala do lado, com tanta gente é quase um feito conseguir deslocar-se um pé sem colocá-lo em cima do de outra pessoa) sem ser ao som da música da Shakira ou as 256 variações da “Ga-só-li-na”. Um dos outros pontos positivos vai para os empregados dos bares: simpáticos e eficientes.
Para indicar um aspecto negativo poderia abordar o limitado e praticamente inexistente parque de estacionamento junto da discoteca, pois só dá para três pickups, quatro jipes e outros tantos Mercedes (daqui poder-se-ia extrapolar a piada fácil e demasiado óbvia de como os nossos subsídios vindos da C.E. para os “jovens” “agricultores” desta região estão a ser muito bem gastos), mas não o vou fazer!
Fiquei deveras surpreendido com a disparidade das idades do público e percebi que o fenómeno da cedência de entrada a menores em espaços de divertimento nocturno não é exclusivo da zona de Santos em Lisboa, é assumidamente um fenómeno de dimensão nacional. Mas acredito que alguns tenham entrado com os pais... ou com os avôs! Também me surpreendeu a diversidade do tipo de clientela. Não quero entrar em pormenores, mas para ficarem com uma ideia mais precisa do que se pode encontrar por lá, tentem imaginar o cruzamento do ambiente de uma “Lux” com o de um bar de alterne da província. Penso que a “Horta da Fonte” bate qualquer “casa” rival pela sua heterogeneidade de assistência e isso, na minha modesta opinião, é uma proeza a realçar.
Vi gente bonita e vi gente muito bonita. Para quem diz que a fama da beleza dos(as) ribatejanos(as) não passa de um mito, precisa de me ver ou, em última instância, vir a este local para se tornar num crente. Também vi uma cena de pancadaria entre dois “putos” e a prontíssima resolução do conflito por parte de um dos seguranças, que se encontrava estrategicamente colocado num dos cantos da sala principal. Ainda nesta sala, vi uma espécie de “very light” ser projectado do espaço superior onde se encontrava o DJ, passar uns centímetros acima da minha cabeça e ir embater contra a parede oposta (do outro lado da pista de dança), fazendo um grande estrondo e deixando um rasto de luz e fumo. Tenho algumas dúvidas se tal “efeito especial” terá causado mais entusiasmos que sustos. Já para o final da noite, quando preparava-me para sair, vi um dos porteiros/seguranças (pela vestimenta e perfil, sinceramente, às vezes tenho alguma dificuldade em distinguir quem é aquele que nos deixa entrar e o outro que nos obriga a sair) deslocar-se da zona de entrada até junto de uma (bela e loiríssima) cliente que se encontrava no final de uma, já extensa, fila e fazer o pequeno favor de pegar-lhe no cartão e passar à frente de todos os outros clientes, que de resto nada se aperceberam, dirigir-se ao balcão do “bengaleiro” e solicitar o casaco daquela cliente “especial”, sem rodeios e quaisquer desculpas. Parece-me que ficou claramente demonstrado que, também ali, com uma boa “cunha”, tudo funciona mais rápido. Pena ela não chegar para todos.
Foi divertido.

Entre o convívio aparentemente pacífico da parolice com o pseudo-modernismo, ao tentar entender-se toda a envolvência de um espaço de divertimento nocturno, chega-se, afinal de contas, a uma actual e representativa amostra de toda uma região em desenvolvimento. Ou às tantas, com um pouquinho mais de imaginação, de um país.

terça-feira, janeiro 30, 2007

Ambiguidade



A suástica é um símbolo místico encontrado em muitas culturas em tempos diferentes, dos índios Hopi aos Astecas, dos Celtas aos Budistas, dos Gregos aos Hindus. Entretanto a cruz gamada, foi... literalmente "gamada" pelo Hitler e o seu partido, que com ela e as suas ideologias iludiram um país inteiro, dizendo que representava a engrenagem de uma suposta Revolução Industrial a perpetuar-se na Alemanha. Depois foi o que se sabe.
Temos que saber lidar com esta ambiguidade e entender que se para muitos um símbolo pode significar "bons ventos" (caso do Budismo), ou "boa sorte" (em sânscrito), para outros significará sempre o horror, o nojo ou a vergonha.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

“Quem nos protege da polícia?”

Lisboa, Parque de estacionamento da Estação Fluvial de Belém, dia 20 de Janeiro de 2007, 1:00.
Estaciono o meu carro ao lado do de um amigo de longa data e começamos a trocar algumas palavras, cada um no seu veículo. O local estava praticamente deserto, somente nós e mais três carros ligeiramente afastados e juntos ao rio, na zona habitual aonde os casais de namorados param para, além de outras coisas, contemplar a bela vista (ponte 25 de Abril e parte da margem sul) que dali se alcança.
Não passaram muitos minutos de conversa até aparecer-nos à frente uma carrinha da polícia cheia de elementos da PSP. Eram 8 ou 9, o tempo que demoraram a sair da carrinha e se distribuíram e circundaram o meu carro e o do meu amigo foi tão curto, que nem os consegui contar correctamente. Apesar de bastante assustado com tal aparato digno de qualquer filme de acção hollywoodesco, ainda consegui responder-lhes às “Boas Noites” que dois deles me deram. Foi-me pedida toda a documentação, tal como tive que mostrar o triângulo e coletes obrigatórios. Só não me foi solicitado o “teste do balão”, para completar a rotina de qualquer operação STOP. Enquanto estava a dar assistência aqueles dois agentes, outros dois circundavam o meu carro de lanternas na mão, observando o que tinha no interior do meu automóvel. Ao meu amigo sucedeu-lhe exactamente o mesmo. No fim perguntaram-me: “O Sr. Ricardo (nome que o senhor polícia retirou da minha carta de condução ou do meu B.I.; este é obviamente fictício) não tem tido problemas com a polícia?”, ao qual eu respondi negativamente no segundo seguinte. Nem uma pequena multa de estacionamento para apresentar e sujar o meu cadastro que orgulhosamente o vou mantendo limpo até hoje. Após esta estranha pergunta, finalmente os polícias regressaram à carrinha, sem qualquer explicação, sem mais perguntas ou comentários com pouco sentido.
Se eu tivesse nascido ontem, pensaria que esta operação policial, apesar de ter uns contornos esquisitos, até se poderia considerar normal. Mas como já nasci há mais de 30 anos atrás, e sei perfeitamente distinguir entre o que é uma operação policial de rotina e uma operação de intimidação, tenho perfeita consciência dos propósitos de todo aquele aparato e a PSP é competente em deixar isso bem claro. Tal como, eu e a PSP, sabemos que aquele é um local aonde há (para além da tal zona dos “namoricos” para os casais heterossexuais), frequentemente à noite, encontros fortuitos entre homens e que há sexo dentro dos carros. Esta prática é internacionalmente conhecida por “cruising”.
Pelo que deu para ver (ou melhor, não ver, já que os vidros estavam praticamente todos embaciados) nos restantes carros que se encontravam naquele parque de estacionamento, naquela noite, mesmo sem a presença de homo(bi)ssexuais, não deixava de haver sexo. Como a PSP passou (e passa nas habituais rondas que faz por aquela zona), literalmente, indiferente a esses casos só me permite chegar a algumas conclusões:
1) Se o objectivo da PSP fosse o de averiguar qualquer situação de atentado ao pudor, naquela noite e naquele local, provavelmente teria mais por onde se virar do que propriamente para junto de um local bem iluminado e onde se encontravam duas pessoas, cada uma no seu carro, a conversar. A não ser que, para a PSP, tenha havido qualquer alteração de valores e o pudor tenha deixado de se encontrar nos actos em si, mas em quem os poderá praticar.
2) Para a PSP, a ameaça de haver um atentado à integridade pública é menor num carro com um casal heterossexual do que noutro com um, supostamente, homossexual lá dentro. É somente a “possível” orientação sexual do “suspeito” que faz toda a diferença.
3) Com este tipo de atitudes incoerentes e a roçar o abuso de autoridade, a PSP, demonstra claramente a sua homofobia.
M.C.


Recebi este e-mail identificado (pelo menos com um primeiro e último nome) ontem.
A ser comprovada a sua veracidade, merece toda a nossa atenção e reflexão.
Coloco, desde já, reticências no que toca à acusação generalizada de homofobia a toda uma instituição policial. Se houve qualquer elemento da P.S.P. com um comportamento homofóbico durante o cumprimento da sua profissão, aquela, como entidade patronal e responsável pelos seus actos profissionais, deverá realizar um inquérito interno para apurar os factos, posteriormente esclarecer publicamente toda esta situação e aplicar (ou não, mediante o resultado do inquérito) as medidas que achar necessárias, em nome do bem-estar público e, sobretudo, pelo respeito dos direitos humanos.
Deste relato escrito, não captei qualquer indício de abuso de autoridade. No entanto, face aos dados apresentados, a “teoria” da intimidação faz algum sentido. Pois dá-me a entender que este tipo de actuação policial vem previamente planeada e tem objectivos bem definidos, e não me parece que tal parta, única e exclusivamente, da iniciativa de qualquer agente no “terreno”. É também por isso que digo, “coloco reticências”, e não digo, “discordo categoricamente” da última conclusão desta denúncia.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Amor II


A pressa sempre foi inimiga do coração!

segunda-feira, janeiro 22, 2007

quarta-feira, janeiro 17, 2007

“Olhe era a carta, o livrete, ..., o CD e a cuequinha, faxavor!”

Toda esta histeria à volta dos e-mails que andam para aí a circular, acerca dessa nova regra do código da estrada (que eu e a própria autoridade desconhecia) que prevê a possibilidade do senhor agente da Brigada de Trânsito inspeccionar os nossos CD’s que tenhamos no carro e as etiquetas das nossas roupas, em qualquer operação STOP, e aplicar uma coima caso algum desse "material" não seja “original” (para além do apreendimento dos mesmo), serve, mais que não seja, como um sinal de alerta.
Assim, se formos a conduzir bem descansados desta vida e nos depararmos de repente com alguém com um ar apavorado, todo nu e com dois ou três CD’s (originais, há que esclarecer) na mão, é porque a polícia (ou alguém a tentar fazer passar-se por ela) não está muito longe.

Poderia ser a lei nacional mais estúpida de sempre, mas que era bem aplicada ao condutor que viesse a conduzir vestido com o seu fatinho lilás e a sua peuguinha branca ao som dos Il Divo (num CD pirateado ou não), lá isso era.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Cirurgiões? Nãa...


Aqui, simplifica-se.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Era uma vez...

... um jovem que já aos 19 anos andava atarefado a combater as tropas que a sua própria mãe tinha enviado, para tentar conquistar o condado que aquele protegia. Saiu vitorioso e após múltiplas conquistas, em 1139 tornou-se oficialmente no primeiro rei daquele condado. Passado uns “anitos”, uma estação de televisão, desse território já feito país, decide promover um concurso em que era solicitado ao seu “povo” que elegesse a maior figura nacional, o seu "grande herói” de todos os tempos.
Contados os votos, entre muita polémica e o show-off que sempre tem as suas consequências (para o bem ou para o mal), chegou-se a uma lista com 100 nomes. Nela estavam incluídos, entre muitos outros, o tal impulsionador da nação e um outro que a isolou do resto do mundo e que, ditaduramente, entre outros feitos pouco benéficos para o país, deixou uma triste e pesada herança social conservadora e estupidificante, que continuava a dar provas que estava bem viva no espírito de parte da população. E o melhor comprovativo disso estava ali diante dos olhos das pessoas: o seu nome constava daquela lista. Antes que se juntasse “à festa” um presidente (de uma região autónoma) mentecapto, um dirigente desportivo corrupto ou um “actor” dos “morangos com açúcar”, alguém teve o bom-senso de acabar de imediato com esta história macabra. Deliberando, convictamente, que este país não precisava tanto de um "herói", mas mais de um remédio eficaz contra a amnésia.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Pedro Abrunhosa e as Marias Arrependidas

Consta então que o Abrunhosa anda para aí a dar a volta à cabeça (e não só, se os relatos forem verdadeiros) das nossas jovens. Uma delas, mais arrependida, decidiu criar um blogue (http://denunciarabrunhosa.blogspot.com/) aonde denunciou - segundo a própria autora, este é mesmo um dos seus intuitos com a criação deste blogue, o outro é o de alertar, para que outras fãs, potenciais “vítimas”, não caem na mesma “cantiga” – todo o esquema de sedução que foi alvo. Entretanto, o seu blogue tornou-se conhecido e começaram a surgir mais queixas e “denúncias” por parte de outras jovens, de várias idades e de vários pontos do país. O único aspecto que é comum a todas as histórias é o seu esquema de engate. Começa tudo ainda no palco quando o autor de "E tu e eu o que havemos de fazer? Talvez foder, talvez foder..." escolhe a sua “vítima” e começa-lhe a mandar uns olhares (?), a apontar na sua direcção (?), a dedicar-lhe uma música (?), a mandar flores (?), ..., e depois do concerto, o encontro “escaldante” acaba mesmo por acontecer nos bastidores. Parece que a Polícia Judiciária já pegou no caso e penso que o facto de haver jovens menores envolvidas no assunto, ser a razão principal (também não estou a ver outra) do seu envolvimento. E foi só por isto que eu me dei ao trabalho de escrever isto. Afinal de contas, as nossas “teenagers” já têm idade ou não para ser responsáveis pelos seus actos e pelo o seu próprio corpo?
Ainda tenho algumas dúvidas, se por um lado acho que uma jovem nestas idades será sempre inocente, terá as suas ilusões e nunca entenderá a tempo, quais são as verdadeiras intenções de um adulto mais manhoso; por outro penso, e cada vez estou mais inclinado para esta posição, se elas já têm idade para criar blogues, trocar uns mails e sms com um marmelo qualquer armado em vedeta romântico e, acima de tudo, saber como seduzir (conscientemente) alguém, já terão idade também suficiente para saber o que fazem com o seu corpinho.

Não concordo com esta desculpabilização e desresponsabilização automática só porque ainda não se atingiu a idade adulta. Na minha perspectiva, acho que se deve incutir o sentido de responsabilidade pelos seus actos desde crianças, pois isso só lhes trará benefícios na vida adulta e durante a fase da adolescência, provavelmente, evitará situações traumatizantes ou não, como esta.
Outro caso: meia dúzia de jovens rufias decidem espancar e mandar para um poço um transexual (doente) sem abrigo só porque lhes apetece. Resultado: a morte do sem abrigo, alguns “puxões de orelhas” e praticamente todos os “putos” declarados inocentes. Porque os menores segundo o artigo X do código Y blabla... Saliento que não estamos propriamente a abordar o caso do roubo de pastilhas no supermercado ou da quebra do vidro da escola e digam-me, este tipo de penas responsabiliza-os exactamente de quê?

quinta-feira, janeiro 04, 2007

O jogo da privacidade de Elsa Raposo


Qualquer crítica que possa fazer a esta novela pseudo-eróticó-humorista de fraquinha qualidade, seria sempre mais dirigido ao tipo de jornalismo tendencioso e popularucho – por exemplo, a comparação com o caso Taveira até pode ser pertinente, mas torna-se infeliz quando o objectivo é claramente o de confrontar as suas vidas pós-escândalo: os insucessos da vida amorosa dela, com os sucessos da vida profissional dele - que o Correio da Manhã sempre nos habituou, do que propriamente sobre os comportamentos da Sra. Elsa Raposo, que só a ela lhe devia dizer respeito. Só há um facto que é importante realçar. Quando uma figura pública, e neste caso, para além do seu badalado “sex appeal”, ainda nem entendi muito bem porque ela se insere nesta categoria, tenta criar uma separação entre a sua vida pública e a sua vida privada, há que pelo menos estabelecer certos limites para que todas as outras pessoas saibam aonde acaba uma e começa a outra (ou não fosse esta a regra fundamental da liberdade). Elsa não só não faz nada disto, como chega ao ponto de fazer da sua vida privada a sua vida pública e vice-versa.
Assim, no “jogo” da sua própria privacidade, se é ela própria a quebrar as regras, é natural que todos os outros seus “adversários” não se fiquem atrás. Depois, a “assistência”, que não se limita a acompanhar a “partida” de forma indiferente, começa a deduzir que das duas, uma: ou ela tem tido mesmo muito pouca sorte com os namorados ou estamos perante um caso de promiscuidade sem limites e aquelas depressões pós-coito não são mais do que uma encenação para encobrir quecas mal dadas e uma desesperada tentativa de captação da atenção pública, só para angariar um próximo “namorado”. No fim do “jogo”, ainda se ouve alguém, mais exaltado, gritar das bancadas: “Mas haverá algum homem neste país que ainda não tenha ido para a cama com a Elsa Raposo?”.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Carolina

Carolina, a recém-nascida abandonada com poucos dias de vida numa casa-de-banho do centro comercial Dolce Vita, no Porto, para além de ser o bébé do ano do Hospital S. João (aonde se encontra neste momento de boa saúde), obriga-nos a meditar já sobre as nossas escolhas a curto prazo.
Se o “sim” vencer no referendo a realizar no próximo mês, todas as pessoas irresponsáveis não passarão a ser nem mais nem menos irresponsáveis – e o único aspecto que me incomoda nelas é o facto terem essa faculdade (inconsciente?) de gerar novas vidas – mas no entanto, sabemos todos que há pelo menos a hipótese de corrigir, legalmente e no nosso país, certos actos irresponsáveis por si cometidos, para o qual alguém, como a Carolina ou Sara (a criança de dois anos morta a semana passada, alegadamente vítima de contínuos maus tratos), nenhuma culpa têm.

Ouvi por alto ontem, nas notícias, parte dos discursos de Papa Bento XVI e do Bispo D. Policarpo na comemoração do dia mundial da paz, em que um dos principais assuntos focados foi... o aborto (?) – as analogias da igreja dos dias de hoje são, no mínimo, espantosas. “Direito à vida... direitos humanos... falta de respeito pela vida embrionária... atentado à paz... terrorismo... a vida não é um bem arbitrário, de que se possa dispor ao sabor de políticas e interesses pessoais, ou mesmo de sofrimentos inevitáveis...”.

Que estupidez a minha, por sensibilizar-me mais com uma vida humana que mal teve tempo para conseguir abrir os olhos e muito menos para perceber o que é ter direito à vida, e ser confrontada logo, indefesa, com a pior das crueldades e cobardias que alguém se pode sujeitar, do que uma dúzia de expressões fortes dentro de bonitas frases feitas provenientes de homilias.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Não percebes o hip hop

Quando se pensa em hip hop o que nos vem logo a cabeça? Negros gangsta, violência, droga, misoginia e exuberância dos bens materiais (carros, jóias, mansões,...). Isto se nos restringirmos à realidade americana que a MTV nos vai dando a conhecer. Por cá, temos a nossa versão, digamos, mais pobrezinha (a todos os níveis) de tudo isso: os “basofes”. São claramente uma imitação de quinta categoria da cultura gangsta americana com o mesmo tipo de vestimentas, rituais e o síndroma da artrose dos dois dedos esticados, mas com menos carros de luxo, menos “gajas” boas submissas e mais pechisbeque à volta do pescoço. Em resumo: menos Bronx e mais Buraca.
Mas estamos a esquecermo-nos do essencial disto tudo: a música. E se esta não interessasse nem valeria a pena sequer falar da cultura social que a rodeia e deixar-la-ia por conta de quem lhe diz respeito. Só que, pelo contrário, esta interessa e muito.
O hip hop deixou-me marcas em 2006. Descobri discos muito vibrantes e viciantes! Pharell, Ghosface, T.I., DJ Dilla, The Roots e sobretudo dois nomes: Lupe Fiasco e Clipse. Da produção nacional há que destacar, pelo menos, o “Pratica(mente)” de Sam the Kid. Estes foram nomes que me foram soltando da memória sem qualquer esforço, provavelmente e com mais alguma insistência diria mais uns tantos que fizeram deste ano que agora finda, um grande ano para este estilo musical.
Para compreender e entrar na alma de certos discos é necessário lutar contra certos tipos de preconceitos e estereótipos enraizados na nossa sociedade, mas penso que esse esforço é bem compensado quando se trata de um estilo alternativo, como é o hip hop. E entender algumas daquelas letras de intervenção é ao mesmo tempo cultura e educação.
Claro que, como em tudo: há excepções e, eu não me esqueço de certas atitudes hipócritas. Não me esqueço sobretudo quando alguns rappers norte-americanos cantam contra a disparidade de realidades sociais, quando eles próprios, depois, aparecem nos videoclips a mostrar algo tão fútil (e ridículo) - entre outras coisas - como os seus dentes de ouro, que dariam provavelmente para matar a fome a algumas das criancinhas pobres e vítimas da discriminação do “governo branco”, de que eles tanto gostam de se queixar nas letras das suas canções. A vitimização por vezes tem destas coisas. Mas, mais uma vez, não nos desviemos do essencial. E, repito, esta música é, na maior parte dos casos: boa e criativa.
Por isso não tenham receios de perceberem o hip hop, temendo entrar numa onda irreverente de passar a tratar as vossas amigas por, no melhor da hipóteses, “damas”, e, no pior, por “katchorras” e todos os vossos amigos por “socios”, ou que uma parte do vosso cérebro bloqueie e passar a escrever “axim komo s pôpaxem mt têpo a eskrevr ixto bem e kem n perxeba k s fd”, ou começar a criar pitbulls para fins competitivos, ou passar a “pintar” hieróglifos (que só vocês entendem) em tudo o que é paredes do vosso bairro, ou até a usarem coisas tão estranhas, como crucifixos e bolsinhas (de cintura), ao pescoço e anéis em tudo o que é dedo... porque se tiverem uma personalidade própria e não acharem que todas as outras pessoas, que não façam parte do vosso “gang”, são as principais culpadas dos vossos problemas sociais, a pior consequência que esta música vos pode trazer, é ficarem viciados nela.

...
Fanar chocolates na infância
Até chegar a apoiar outro chocolate noutra substância
Isto é só o início e eu não digo tá errado
Uma coisa é guita fácil outra é necessidade
Não sei se uma escolha de um futuro
Existe a liberdade
Mas quem se põe à parte:
És tu ou a Sociedade?
Eu também me ponho mas no quarto a fazer arte
Outro caminho, meu sonho do qual não estou farto
Eu sou igual a ti: trabalhador, calão
O meu senão é borga sem organização
Sem riscos de prisão
No ramo musical
Porque eu não tenho patrão
E a minha guita é legal.

Falta-te algo, auto-consciência,
Concorrência
Não há como competência
Tu preferes bater continência
À lei da rua
Que te habitua com violência
Licenciamento tá fora de questão
Não há paciência
O tempo será gasto em vão
Uma influência garante-te uma profissão
Com a falência constante neste mundo-cão.

Refrão:
Cuidado bro’ a rua não é um jogo
Quantas vidas já caíram com essas drogas nocivas?
Quantos manos já partiram com essas balas perdidas?
Tu tens que saber: na rua não há saída!

A vida é uma puta e na rua tu vais ter que teme-la
Tu tens tomates mas não tens o essencial para fode-la
A rua também tem lei mas duvido que irás conhece-la
Porque é o ruido do estomago vazio que vai ridigi-la
Por isso não sejas atrevido em frente de um mano faminto
Porque podes estar a 9mm de perder os sentidos.
...

Acaba com isso puto, Tou farto dessa conversa:
“Sou d’gangsta, sou da rua”
Não é cool ser gangsta!
Tem que ter respeito por esses manos da rua que precisam de ir buscar o pão de cada dia
Desses que fazem batalhas com os bófias
É duro andar na rua bro’
Para esses manos que precisam do crime para viver
Eu tenho uma mensagem:
Não tem sentido andares a roubar outros manos que passam tanta fome como tu.
Percebes? Isso é estúpido
Vocês fodem o esquema quando assaltam um banco,
Quando roubam uma bomba de gasolina,
Quando roubam os patrões que exploram o vosso povo.
Isso é foder o sistema
Foder o vosso povo
É foderem-se a vocês mesmos.

In “Presta atenção”, de Sam the Kid

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Diz que é uma espécie de conto de natal

Escrevi o meu primeiro (e único, espero) conto de natal. Vindo desta cabeça não esperem um conto trivial e semelhante aos que costumam aparecer por aí nesta época. Acima de tudo, espero que se divirtam tanto a ler esta história como eu me diverti a escrevê-la.
Já agora aproveito para desejar a todos umas boas festas, nos sítios aonde vos der mais prazer. Um bem haja a todos.

Um conto de natal ligeiramente diferente dos outros contos de natal mas que não deixa de ser um conto de natal

sábado, dezembro 16, 2006

A barreira invisível

A linha que separa tudo aquilo que vamos desejando (e o que vamos tendo curiosidade) e aquilo que concretizamos é sempre ténue e muito sensível. Mesmo as pessoas que rejeitam imediatamente a ideia de concretizar algo que desejaram (nem que seja por breves momentos) nunca estão imunes de passar esta “barreira invisível”. Porque acima de tudo, isto, não depende de “quando”, mas “como” vai acontecer! É o modo dessa concretização (ou não) que faz toda a diferença e que nos diferencia uns dos outros.

Isto pode-se aplicar a muita coisa, mas para já vou restringir-me ao sexo. Aqui também se poderia aplicar a práticas sexuais pouco convencionais, mas para satisfazer o desejo e a curiosidade de quem está a escrever este texto, aborda-se só o acto sexual entre pessoas do mesmo sexo, que deram o nome de homossexualismo.
A experiência. O que vou apresentar de seguida é baseado numa experiência que fiz através da colocação de um falso anúncio de internet, “mulher procura homem”, com objectivos unicamente sexuais, gratuito e assumidamente inconsequente. Querem imaginar um número de respostas recebidas? Não o façam, é tempo perdido e nunca lá chegariam. O que é importante é perceber o público-alvo: sedento de sexo e, vulgarmente chamado por, heterossexual.
As respostas. Se há quem prefira começar com uma simples troca de e-mails com apresentações e descrições, também há quem não goste perder muito tempo, ou quem não tenha sequer tempo para escrever meia-dúzia de palavras e vá directo ao assunto, por isso, há quem me tenha fornecido imediatamente o seu contacto telefónico (inclusive da rede fixa e da empresa!) ou que me envie fotos muito sugestivas. É que não passou mais de dois dias e já tinha a minha caixa de correio, criada para este efeito, a transbordar, com fotos, essencialmente, de pénis erectos! Gostava que alguma rapariga, que coloque um anúncio idêntico ao da minha experiência, me explicasse como é que consegue avaliar a qualidade de um futuro parceiro só pelos 16 ou 23 cm de “musculo”?... OK, esqueçam, já percebi. Adiante e indo directo aos meus objectivos. A maioria dos e-mails que recebia não passavam de uma espécie de sexo virtual por escrito, pois iam descrevendo o que faziam na cama (e não só) com a sua amante e eu aproveitando a boa onda da sua imaginação (e inspiração), passei à fase seguinte: a de testar os limites dos meus correspondentes.
Os limites. Quem é que não se excita ou se deixa seduzir com o seu próprio corpo? Recebi algumas respostas negativas mas a maioria confirmou esta ideia de que o nosso desejo sexual começa entre nós. Houve quem, inclusive que, tenha assumido que se excitava com as suas próprias fotos. Segui por este caminho. Questionei-lhes pelas mais íntimas fantasias ou pelas maiores “loucuras sexuais” já cometidas. E lá voltei a receber mais algumas sessões de sexo virtual mas aqui já havia muito mais originalidade (se bem que fazê-lo no teleférico do parque das nações deixou de ser original desde o tempo da Expo'98, ou seja, desde que foi inaugurado). “Fazer sexo com um casal” ou “com duas mulheres” não deixaram de ser as respostas mais frequentes. Também há quem tenha mencionado a curiosidade que os travestis e transexuais lhes despertavam e houve quem, inclusive, tenha confessado que tinha tido algumas experiências fortuitas e muito rápidas com outros homens em sítios menos apropriados para o efeito ou com familiares próximos, mas sempre desempenhando um papel mais “activo”, claro.
"Podes ver mas não tocar". Questionei a quem tinha o desejo de fazer sexo com um homem e uma mulher em simultâneo (ou seja, a maioria), se o objectivo era só satisfazer a mulher ou se passava por terem alguma envolvência com o outro homem. Aqui recebi algumas respostas diferentes, mas todas muito curiosas. A maioria disse que não tocaria no homem e até preferia que o outro senhor se limitasse a observar “enquanto eu como a sua mulher” – é esta a maior fantasia dos nossos “machos lusitanos”, “comer a mulher enquanto o corno do marido contempla” – percebem o interesse que isto tinha se continuasse o meu “estudo” por aqui? Mas que tendência esta a nossa em que parece que passamos a vida a tentar mostrar aos outros do que somos capazes. Nem sequer é uma questão de exibicionismo, orgulho talvez... ou, às tantas, de auto-estima. Mas algumas respostas apontaram no sentido da permissão de algum contacto masculino. Destas, a maioria no sentido de que, e mais uma vez, ele mantivesse o papel “activo” com ambos os elementos do casal. No entanto também achei muito interessante e surpreendente o nível de abertura com que alguns homens falam da sua apetência para serem estimulados no ânus pois, inclusive, alguns assumiram que utilizavam, actualmente, alguns objectos nos seus jogos sexuais, com as suas parceiras. Por aqui parece que temos algum progresso... de mentalidades, pelo menos.

É tudo uma questão de consciências. O receio de um homem envolver-se com outro é sobretudo, e passando por cima de todos os factores sociais, culturais e religiosos que toda a gente já conhece, um problema da sua consciência. Por isso é que a tal linha que separa um desejo de um acto é ténue e muito sensível. Não se faz porque acima de tudo teme-se que pese posteriormente na consciência (e na memória). Por outro lado, não se faz e o tal desejo nunca sairá da consciência e será enterrado juntamente com o seu dono, a sete palmos abaixo da terra. Neste assunto, não há lugar para meios-termos, não dá para ficarmos suspensos sobre a “barreira invisível”.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Eu confesso, Tu confessas, Ele...

Um dia destes descobrimos todos porque é que nesta época do ano, “toda gente” resolve publicar livros com memórias e confissões. Até já chateia, vê-los ali todos ao lado uns dos outros a ocupar os locais de destaque das nossas livrarias. Mas calculo que eu nem seja das pessoas que se possa queixar mais...

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Há bufos entre nós

Confesso que não sou um grande conhecedor dos clássicos do cinema americano da década de 40 e 50. No entanto, num hipermercado, ao ver o DVD de “Há Lodo no Cais” num caixote cheio de DVD’s em promoção, aonde estava misturado com filmes mais recentes que nem passaram pelas salas de cinema e que nem por menos de 7 euros alguém lhes pegava, nem hesitei, em coloca-lo no meu cesto das compras. Ao tirá-lo dali até parece que estava a fazer um acto de caridade ao DVD e mal sabia se tal acto faria bem a alguém, era a mim próprio (e aos donos do hipermercado, claro).
Entretanto já vi o filme em questão. Criei uma ideia estereotipada que todos os filmes denominados “clássicos de hollywood” filmados ainda a preto e branco, são filmes com histórias muito simples (pelo menos comparativamente com alguns argumentos rocambolescos dos filmes que se fazem hoje em dia, mas que depois acabam por dar muito pouca “substância” ao produto final) mas marcado por cenas e interpretações arrasadoras. “Há Lodo no Cais” (título soberbo do original “On the Waterfront”, os tradutores dos títulos actuais têm também tanto que aprender...) é um bom exemplo disso. Este filme tem pelo menos três das melhores cenas que já vi até hoje em cinema. A saber.
A primeiríssima, a inesquecível cena do diálogo entre Terry Malloy (interpretado por esse autêntico milagre em forma de actor chamado Marlon Brando) e o seu irmão, no banco de trás de um táxi. Existe uma parte dessa sequência de imagens em que o seu irmão, mais exaltado, parte para uma ameaça apontando-lhe um revólver e Brando, com aquele seu jeito terno, seguro e com toda a calma deste mundo, desvia a arma e limita-se a abanar a cabeça, permanecendo num silêncio constrangedor. O irmão fica totalmente “desarmado”. É um desarme essencialmente emocional.
A segunda, igualmente um diálogo, passa-se no telhado do edifício onde Terry tem um pombal. Numa cena nocturna Edie Doyle (Eva Marie Saint) vai ao encontro de Terry. Ele, deitado, observa-a a chegar. Esta oferece-lhe o casaco do irmão para o aquecer enquanto aquele mantém guarda ao pombal. “Os pombos estão muito enervados... passou por aqui um falcão”. Ela percebe a metáfora, chora e abraça-o. E, no fim, o inevitável primeiro beijo a dar-nos uma lição a todos como se faz uma cena romântica sem passar pela lamechice. E a redenção de Terry, perante a sua vida, começa exactamente aqui.
Por fim, a terceira, o discurso e a coragem do Padre, interpretado pelo espantoso Karl Malden, após a morte de mais um operário do porto de Brooklyn, que não deixa ninguém indiferente. A inquietação das consciências.

Confesso que não posso deixar de achar algo irónico o facto de Terry, no filme, denunciar em tribunal o seu patrão, um sindicalista corrupto que montava uns esquemas pouco claros no cais de embarque onde trabalhava, quando o seu realizador, Elia Kazan, e o seu argumentista, Budd Schulberg, fizeram o mesmo (denunciaram), na vida real, com os seus companheiros comunistas durante o período da “caça às bruxas” da governação McCarthy. Bem, eu sou a favor das denúncias enquanto clarificadoras de qualquer crime e ser comunista por si só, que eu saiba, não é crime, no pior das hipóteses, é um defeitozito. :x

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Comentadores estúpidos

Quando os comentadores desportistas abordam assuntos extra-futebol é rara a vez que não saia asneira.

Eu se fosse o Humberto Bernardo também fazia uma birra e nunca mais aparecia na televisão portuguesa... pelo menos até a Carla Caldeira pedir-lhe desculpas publicamente por ter limpo as mãos tão rapidamente daquele imbróglio, ou pedirem-lhe para apresentar outro concurso de misses, ou então até o Presidente da República chamar a Belém o Presidente da RTP para discutirem a melhor punição para os “gatos estúpidos”.

terça-feira, dezembro 05, 2006

Triplas Tributações

Gostava que o ministro das finanças, algum secretário de estado, um assessor... enfim alguém do governo (ou não), me explicasse o que vai acontecer realmente com o Imposto Automóvel (IA).
Já percebi que, segundo o orçamento de estado (OE) para 2007, não o vai abolir, ao contrário do que foi aprovado pelo Parlamento Europeu a 5 de Setembro do presente ano, no sentido de substituí-lo por um imposto de circulação anual baseado nas emissões de dióxido de carbono. Ficou bem claro que tal regulamentação teve o propósito de terminar com um imposto que estaria a “contrariar a noção de liberdade de circulação e induzir a dupla tributação”.
Ora bem, o que temos presentemente no nosso país? Um imposto de circulação (IC, Imposto Municipal ou, mais vulgarmente conhecido: Imposto de selo) pago anualmente que depende única e exclusivamente da cilindrada do veículo, o IVA sobre o valor do carro e sobre o respectivo valor do IA, e o próprio IA, que só não é abolido como vai ser, segundo este OE, actualizado em 2,1%.
Entretanto o que vai acontecer para o ano, sobretudo agora (mera coincidência?), no momento em que Bruxelas acaba de iniciar um processo contra a Dinamarca (que é com Portugal o único país da UE que utiliza um sistema semelhante em matéria de tributação automóvel) por dupla tributação (ilegal)?
Segundo o que li na “Agência Financeira” no site da IOL, por palavras do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, João Tomaz, vai-se fazer uma transição gradual do actual sistema de tributação que consiste em ir diminuindo o IA ao mesmo tempo que se vai aumentando o IC. Tais alterações estão previstas para iniciarem-se em Julho do próximo do ano (justamente o mês de pagamento do IC!). Espero que, pelo menos, tenham tido o bom senso de pensar previamente que não é muito justo que alguém que comprou um carro este ano, por exemplo, e que pagou um valor bem superior pelo seu carro - agravado pelo IA - vá pagar o mesmo IC que alguém que compre e já tenha sido beneficiado de tal redução no IA. Espero... que se lembrem disso e a criação de tabelas específicas e mais justas para as várias situações também não me parece uma ideia muito descabida.
E fica a faltar o IVA. O Tribunal Europeu estipulou recentemente que a base sobre a qual incide o IVA não deve incluir outros impostos, porque raio lá teremos que ser excepção outra vez e ser obrigados a pagar um imposto que incide directamente sobre outro?
O nosso sistema tributário no ramo automóvel é mais que injusto e ilegal, é estupidamente pornográfico. Porquê? A próxima vez que comprarem um carro novo, nem precisam de comparar preços do mesmo carro vendido em Espanha para se sentirem bem “fornicados”, basta tão somente pensarem naquelas grandes actrizes dos filmes de hardcore 1º escalão durante uma cena de múltiplas penetrações, é que actualmente os portugueses desempenham um óptimo papel: levam com triplas tributações (penetrações, numa outra perspectiva), não reclamam e o único prazer que tiram disso é poderem desvirginar um carrinho.

(Já agora e não querendo dar muito trabalho, também gostaria que os nossos governantes me explicassem porque razão é que a minha moto de 600 c.c., que ocupa bem menos espaço de circulação nas nossas estradas e emite muito menos CO2 para atmosfera, paga exactamente o mesmo imposto de circulação que um carro (de luxo) com 2000 a 3000 de cilindrada, que V. Exas. sentam confortavelmente o seu rabo?)

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Já não se fazem agentes como antigamente

Há quem jure a pés juntos que este é o melhor “James Bond” desde Sean Connery...

... mesmo sem ter visto o novo filme.
Mas também há quem o tenha feito e tenha achado “Casino Royale” uma desilusão, por se afastar dos cânones habituais dos filmes do 007. Pois parece que este tem uma boa história e este agente secreto dá um pequeno descanso ao seu machismo e até se deixa apaixonar por uma bondete. Imagine-se.

terça-feira, novembro 28, 2006

Dúvida

As pessoas que saem a meio do filme/documentário ecológico "Uma Verdade Inconveniente" (Davis Guggenheim) com o balde pipocas nas mãos, estão a detestar o filme ou, pelo contrário, estão em pulgas para pôr em prática umas ideias de reciclagem, como será o caso de transformar um balde de pipocas num cap da lacoste?

quinta-feira, novembro 23, 2006

Evolução

A ONU apresentou um novo relatório com dados sobre os casos de infecções por HIV em todo o mundo. Se os números gerais continuam assustadores, o mesmo não se pode dizer do próprio estudo em si. Nos últimos tempos tem-se notado uma certa evolução nestes estudos e estatísticas no sentido de evitarem segregações por grupos com base na orientação sexual, ou em classes sociais (ou outro critério) e sobretudo incidirem cada vez mais sobre comportamentos. E a sida é e será sempre uma consequência de um comportamento, tudo o resto serão factores a ter em conta, mas nunca serão causas directas da doença.
Assim há 25 anos atrás, quando foi diagnosticado o primeiro caso, esta doença era associada exclusivamente à comunidade gay, agora neste momento, neste relatório, para além de a relacionarmos com outros tipos de comportamentos de risco, já não se fala em “comunidades”, associam-na à prática de relações sexuais entre indivíduos do mesmo sexo. Percebe-se as diferenças? Era importante que a sociedade em geral entendesse esta evolução nestes estudos, que na prática significa e dito de forma que todos entendamos: a sida já não é (nunca foi) uma doença exclusiva dos “maricas”, mas é (sempre será) uma epidemia transmitida por qualquer homem ou mulher que arrisque a vida por uma “queca desprotegida”, entre outros comportamentos de risco.
A Sida já não é (nunca foi) uma doença exclusiva do Sr. A, homossexual, a Sida passou a ser uma doença do Sr. B, “heterossexual”, casado, pai de filhos, mas que gosta de se “aliviar” esporadicamente numa qualquer estação de serviço de auto-estrada; a Sida passou a ser uma doença do Sr. C, heterossexual, que faz da sua vida uma autêntica roleta russa ao pagar um extra à prostituta, em troca de relações sexuais sem preservativo (não esquecer que o “tiro da pistola”, nestes e noutros casos, tem um efeito exponencial em todas as direcções ou seja afectará todas as pessoas com quem este se relacionarem intimamente); a Sida passou a ser do Sr. D, bissexual, a origem e o futuro de todas as orientações sexuais possíveis e imagináveis, porque basicamente copula com tudo o que mexe e tenha olhos.
Apresentei quatro exemplos, todos homens e não foi por acaso. Admitamo-lo de uma vez: nós, homens, somos mais promíscuos e predispostos ao sexo que as mulheres. Para além de que as estatísticas estão aí e são como o algodão, não enganam.

Como qualquer estudo sobre este vírus, não devemos entender isto como uma “lição de moral” mas sim como uma simples e clara tomada de consciência colectiva. E tal significa muito mais ter um autocontrolo sobre os nossos instintos e a nossa braguilha durante os 365 dias do ano, e muito menos o acto de colocar um laço vermelho na lapela do casaco, fazer “jejum sexual” ou promover uma sessão de arrependimentos para discutir os erros cometidos, tudo isto num único dia de cada ano. Sem qualquer desmérito para estes actos em si e para a importância do dia em que se celebra anualmente a (nobre) luta contra este flagelo.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Floribela em versão hardcore

Gostei da reportagem-sic de ontem sobre o BDSM em Portugal. Pensava que só conseguiria ver em horário nobre uma mulher espezinhar um homem nas noites das entrevistas da Judite de Sousa no Canal 1 e enganei-me, vi-o explicitamente nesta peça na SIC. Não, agora a sério: foi uma reportagem isenta, muito curiosa, bem estruturada e esclarecedora.

Na minha perspectiva esta reportagem teve dois momentos altos. O primeiro, aconteceu do lado de cá quando a minha querida mãezinha, que não acompanhou a reportagem desde o início e, ao deparar-se com uma cena em que está um senhor de gatas com uma máscara e roupa interior de cabedal a levar chicotadas de uma senhora também ela bem ornamentada naquele material, fica surpreendida com o que vê:
- O que é isto?!
- É a Floribela, versão hardcore.
- Ahn!?
- Mãe é uma reportagem sobre os sado-masoquistas entre outras coisas!
- Ah... e aquilo não lhe faz doer?
- É esse o objectivo.
- Mas parece que está a dar-lhe mesmo prazer?
- Parece, parece.
- Ai não entendo! Consegues compreender isto?
- Consigo. Vou tentar explicar-lhe de uma forma fácil de entender. Sabe quando vai ao supermercado ou aquela loja de roupas que você tanto gosta e depois vem para casa queixar-se sempre dos preços das coisas e de quanto gastou e que a vida está má e por aí adiante? Ora pois bem, na semana ou mês seguinte está lá enfiada novamente.
- Ohohhh... Mas achas que tiro prazer em gastar dinheiro?
- Não... mas parece!

O segundo momento ocorreu durante a peça quando questionaram uma “dominadora”, de máscara e com uma voz ultra-sensual, como geria as respostas aos anúncios que colocava. Adorei a reposta dela:
“alguns homens respondem e confundem-me com uma queca fácil, mas estão redondamente enganados porque no melhor das hipóteses o que eu lhes darei é uma, e peço desculpas pela expressão, carga de porrada”.

sábado, novembro 18, 2006

Thirteen Senses

Costumas ver uma das principais “promos” de apresentação da série “Anatomia de Grey” e vibras com aquela espantosa música que passa junto com as imagens, mas não sabes de que tema se trata nem quem a interpreta?
Pois tenho que te dar uma boa e má notícia. A boa é que vais agora ficar a saber, a menos boa é que se trata de uma das músicas presentes num dos álbuns (injustamente) pouco divulgados no ano passado, pertencentes a uma das novas bandas mais subvalorizados do momento. Os Thirteen Senses são ingleses como os Coldplay, são quatro elementos como os Coldplay, fazem músicas pop-rock “orelhudas” como os Coldplay mas tiveram o azar de não terem tido o air-play dos Coldplay. “Into the Fire” é a canção que procuras e é a faixa número 1 de “The Invitation”, o primeiro disco da banda. E, na minha opinião, esta nem é das melhores músicas do disco... Disco que me fez muita companhia durante o inverno do ano passado mas, salvo erro, nem chegou a ter distribuição por cá. O que não aconteceu com “X&Y”, o disco de 2005 dos Coldplay. A julgar pelas vendas, este “distribuiu-se” até muito bem. A parte da “injustiça” aparece porque “The Invitation” é infinitamente mais coeso e intenso, e em suma melhor, que “X&Y”.
Entretanto há um album novo para sair no início do ano que vem mas se for tão mal divulgado como o anterior, nem com treze sentidos à alerta o apanhamos por cá. Salvé San Download! (Password: mp3dreaming.net)

quinta-feira, novembro 16, 2006

Qualquer semelhança com a realidade é mer(d)a (de uma) coincidência

A Fox prevê, até ao fim deste mês, emitir um programa chamado 'If I Did It, Here's How It Happened' que consiste em pôr o Sr. O. J. Simpson a explicar, em dois episódios, como teria assassinado a sua ex-mulher e respectivo amante (se o tivesse realmente feito)! Confuso, não? Um bocado, mas o título é bastante esclarecedor.
Então imaginemos que a TVI decide pegar na ideia e “espeta-nos” com o seu “Se o fizesse, era assim que acontecia”. “Convida” o Sr. X. X. Simões, que saiu ilibado de uma qualquer condenação de pedofilia, a demonstrar como engatava um miúdo e lhe propunha a troca de uma meia-horazita de abusos sexuais por um par de sapatilhas novas. Com o patrocínio dos novos ténis *incluir aqui o nome de uma boa marca à escolha que por mera coincidência era a que o puto passaria a calçar*, lá seguia programa com tudo muito explícito, tudo muito credível, ao ponto do Sr. X. X. passar, após tal “prova de esforço”, a actor profissional do canal.

terça-feira, novembro 14, 2006

The feel good movie of the year!


Nunca tal me tinha acontecido numa sala de cinema. Fui ver o grande vencedor do Festival de Sundance deste ano: “Uma família à beira de um ataque de nervos” (isto não é uma tradução, é um crime e por isso algumas pessoas que traduzem os filmes em Portugal deviam ser punidas e obrigadas a assistir a 26.685 episódios da Floribela, ininterruptamente) e durante a “cena da buzina” (quem o foi ver, sabe do que falo) estive por muito pouco para sair da sala. Não conseguia parar de rir (e não era o único). Se tentasse traduzir tal cena por meia-dúzia de palavras não iria ter uma milésima da piada. Para além de que parte de uma ideia tão básica, que poderia aparecer em qualquer "American Pie" desta vida que não me arrancava um pequeno sorriso, mas enquadrada no contexto deste belo filme, com estes extraordinários actores, ficou hilariante. Fica mais que claro porque “Little Miss Sunshine” é um filme modesto em todos os seus sentidos: com tão pouco, dá-nos tanto.
Mas, atenção, em “Little Miss Sunshine” também se chora...

quinta-feira, novembro 09, 2006

O Padre Zé António

Ontem, no concurso “Um Contra Todos”, o concorrente Padre António conseguiu derrotar os dois adversários que faltavam e levar os (merecidíssimos) 3000 e tal euros para a Sertã. Será seu intuito usar tal montante para custear parte da restauração da igreja local.
No dia anterior, à conversa com o Malato, o simpático Padre terá “confessado”:
“... eu para ser sincero não gosto de celebrar casamentos... aquilo é muito plástico e pouco sério!”
Tais incómodas palavras provocaram um silêncio geral na sala, incluindo no “endiabrado” apresentador... “Próxima pergunta...”

Conclusão (possível): Deus não castiga quem diz o que pensa, mesmo que tal vá contra a doutrina em que está inserido. Um exemplo a seguir, portanto.

terça-feira, novembro 07, 2006

Jardins de Portugal

O Destak é dos poucos jornais onde metade de uma página destinado às “cartas de leitores” vale, por si só, mais que o restante jornal.

Um pequeno exemplo:
“Vitor Constâncio desconhecia os arredondamentos feitos para cima pela banca nos empréstimos à habitação. O Banco de Portugal é um jardim, onde Vitor Constâncio cultiva hortênsias.”
José Raimundo
Qtª das Flores

segunda-feira, novembro 06, 2006

Do Convento para o "Colombo"


No que toca a programação medíocre, a TVI nunca pode ficar com uma palavra por dizer. Para além dos “Morangos”, aquele canal aposta agora na “Doce Fugitiva” para tentar captar algum do histerismo juvenil que a “Floribela” está a provocar no canal concorrente.
Não faço a mínima ideia qual o assunto retratado nesta nova novela da TV do Moniz, mas pelo título, aparentemente, parece-me acertado um dos adjectivos (doce). O outro – fugitiva -, tanto quanto sei, como a moça anda “enrolada” com um dos moços dos D’zrt, às tantas pode ser só uma consequência se aquele decide cantar-lhe uma serenata. Mas isto sou só eu a dar mais ideias aos guionistas destas novelas, que, sejamos sinceros, nem será assim tão disparatada, se tivermos em consideração o que já escrevem actualmente.
As diferenças entre as protagonistas das duas novelas do horário nobre das nossas TV’s privadas parece-me mais que óbvia: uma é boazinha e a outra é boazona! Mas será só isto? Claro que não. Se alguém se lembra de fazer merchandising, como já acontece com a “Florichelas” de Carnaxide, à custa do guarda-roupa da personagem principal, passaremos a ver as nossas criancinhas a deixar as suas saias e tops com florezinhas no armário e a levar para a escola uma vestimenta de freira? Parece-me que os produtores do programa têm aqui uma óbvia limitação que urge resolver. Para além de que podem começar a pensar na forma como irão organizar as sessões de autógrafos nos centros comerciais, pois certamente o caos vai-se instalar na procura dos primeiros beijinhos. Não propriamente entre os miúdos, mas entre os próprios pais.

quinta-feira, novembro 02, 2006

It's the sense of touch


It's the sense of touch. In any real city, you walk, you know? You brush past people, people bump into you. In L.A., nobody touches you. We're always behind this metal and glass. I think we miss that touch so much, that we crash into each other, just so we can feel something.


Só agora tive oportunidade de ver o filme que “roubou” o óscar de melhor filme a “Brokeback Mountain” e tenho que admiti-lo: foi justamente roubado!
Trata-se de um filme sobre a história de várias personagens que acabam por se cruzar ao longo da sua narrativa. É por aqui que se começa a notar algumas semelhanças com “Magnólia”, a obra-prima de P. T. Anderson. Mas ao longo do filme percebe-se que as parecenças entre estes dois filmes não se limitam à sua estrutura. O arrependimento, o perdão e a redenção são sentimentos que predominam em ambos os filmes.
“Crash” mostra-nos que não há pessoas boas e pessoas más, há pessoas, como todos nós, com atitudes louváveis ou nem por isso, com preconceitos, intolerantes, que as transforma, em segundos, de bestas em bestiais e vice-versa. Nada é surpreendentemente estereotipado em “Crash” e é por isso que é tão bom.

terça-feira, outubro 31, 2006

Tranquilidade

Não, não foi desta. Mas já valeu por isto:

sexta-feira, outubro 27, 2006

Este homem...

Um país velho é um país mais doente.
Um país mais pessimista.
Um país menos alegre.
Um país menos produtivo.
Um país menos viável – porque aquilo que paga as pensões dos idosos são os impostos dos que trabalham.
Era esta, portanto, uma das questões que Portugal deveria estar a debater.

E a tentar resolver. Como?
Obviamente, promovendo os nascimentos.
Facilitando a vida às mães solteiras e às mães separadas.
Incentivando as empresas a apoiar as empregadas com filhos, concedendo facilidades e criando infantários.
Estabelecendo condições especiais para as famílias numerosas.
Difundindo a ideia de que o país precisa de crianças – e que as crianças são uma fonte de alegria, energia e optimismo.
Um sinal de saúde.
Em lugar disto, porém, discute-se o aborto.
Discutem-se os casamentos de homossexuais (por natureza estéreis).
Debate-se a eutanásia.
Promove-se uma cultura da morte.

Dir-se-á, no caso do aborto, que está apenas em causa a rejeição dos julgamentos e das condenações de mulheres pela prática do aborto – e a possibilidade de as que querem abortar o poderem fazer em boas condições, em clínicas do Estado.
Só por hipocrisia se pode colocar a questão assim.
Todos já perceberam que o que está em causa é uma campanha.
O que está em curso é uma desculpabilização do aborto, para não dizer uma promoção do aborto.
Tal como há uma parada do ‘orgulho gay’, os militantes pró-aborto defendem o orgulho em abortar.Quem já não viu mulheres exibindo triunfalmente t-shirts com a frase «Eu abortei»?
...
Mas eu pergunto: será que a esquerda quer ficar associada a uma cultura da morte?
Será que a esquerda, ao defender o aborto, a adopção por homossexuais, a liberalização das drogas, a eutanásia, quer ficar ligada ao lado mais obscuro da vida?
José António Saraiva, in Sol, de 14 de Outubro de 2006
Este homem faz analogias ao ponto de associar um aumento do desemprego com o sexo anal ou o “swing”.
Este homem tem tanta credibilidade como o discurso de um mentiroso compulsivo no dia 1 de Abril.
Este homem disse que se sentia à altura de receber um prémio Nobel.
Este homem, com tanto parágrafo escrito, pega num livro do Saramago e o seu cérebro bloqueia automaticamente antes de virar uma página.
Este homem é o director do pior semanário que já passou pelas nossas bancas.
Este homem, pura e simplesmente, não existe e deve fazer parte do lado mais sombrio do nosso imaginário colectivo.

quinta-feira, outubro 26, 2006

Vou mudar de carro!


Deve chegar por cá em Janeiro do próximo ano e provavelmente não causará o impacto - efeito novidade - que o seu antecessor de 5 portas causou, mas não deixará ninguém indiferente. Trata-se, obviamente, do Type S, a versão de 3 portas da (recente) 8ª geração do Honda Civic. Limitado a dois tipos de motorizações: 1.8 a gasolina e 2.2 a diesel (140 cavalos para ambos), este novo Civic não deixa grande margem de escolhas, mas pode ser que os consumos do 1.8 deixem os especialistas dos comparativos de boca a aberta quando o testarem, como sucedeu com o Civic 1.8 de 5 portas, que já circula pelas nossas estradas há alguns meses.
Adoro, esteticamente, esta nova versão do Civic. A grelha frontal, ninguém discordará: é apaixonante. Só a sua traseira gera mais controvérsia. É, talvez, demasiado inovadora e ousada, face aos seus modelos anteriores e quase tudo o que se vê no nosso parque automóvel. Mas um verdadeiro apreciador sabe, e dar-me-á com certeza razão, que os melhores traseiros são sempre os mais arrebitados! Ora pois então, é o que acontece justamente com esta nova geração de Civics: um belo carro com uma traseira ligeiramente arrebitadita.
(Entretanto chegaremos a Março e sairá o Type R, a versão desportiva, mas isso já é outra história...)

Vai ser mesmo desta


Domingo, no canal 1, após os comentários do Marcelo.

quinta-feira, outubro 19, 2006

Conversa entre duas "tias"

- Então... Conta-me... Como correu o teu encontro na outra noite?
- Horrível! Não sei o que se passou!
- Porquê?... Não te deu nem um beijo?
- Sim!!!... Beijou-me tão forte! E mordeu-me os lábios com tanta força que
pensei que me ia saltar o implante de colagénio!... Depois começou a
acariciar-me o cabelo e soltaram-se algumas extensões que tinha.
- Não me digas que terminou aí?
- Nãooo...!! Depois agarrou-me a cara entre as mãos, até que tive que lhe
pedir para parar porque estava a espalhar o botox! Além disso, as minhas
pestanas postiças ficaram coladas no seu nariz.
- E não tentou mais nada?
- Sim... começou a fazer-me festas nas pernas. Tive que o travar porque me
lembrei que não tinha tido tempo de fazer a depilação, e ao tentar pará-lo,
saltaram-me duas unhas postiças. Depois deu-lhe um ataque de luxúria
arrebatador e abraçou-me com tanta força que quase mudou a forma dos meus
implantes de silicone.
- E depois o que aconteceu?
- Pôs-se a beber champanhe do meu sapato!
- Ai... que romântico!!!
- Romântico?... quase que morre ali mesmo!
- Porquê?
- Porque engoliu o corrector de joanetes e quase que sufocou!
- E depois, o que aconteceu?
- Acreditas que se foi embora???
- Cá para mim, era gay!...

terça-feira, outubro 17, 2006

As reportagens da RTP e os adolescentes

Faz amanhã oito dias que a RTP transmitiu, logo após o “Telejornal”, uma reportagem intitulada “Até ao coma alcoólico” que mostrou o que toda a gente (pelo menos os menos distraídos) já sabia:
- que há “putos e pitas” a beberem como gente grande;
- que a média de idades dos noctívagos das noites de Lisboa baixou drasticamente nos últimos anos e que para verificar tal situação basta cair, por engano, no triângulo da copofonia da capital: Cais do Sodré – Santos – Docas;
- que há alguns bares e discotecas a dedicarem-se exclusivamente a servir este tipo de clientes e que os seus proprietários, mesmo sabendo que estão a cometer duas ilegalidades, permitem a entrada de menores nos seus estabelecimentos e (mais grave ainda) fornecem-lhes, sem restrições, bebidas alcoólicas;
- que as autoridades competentes conhecendo tal situação, nada fazem para pôr um travão a isto.
Nada de novo, portanto. Não é a primeira vez que a comunicação social aborda o assunto e ainda recordo-me perfeitamente de ter lido uma reportagem, no antigo DNA, o relato incrédulo de uma jornalista numa saída à noite. Parece que as coisas não melhoraram desde então, antes pelo contrário...
Também toda a gente sabe, excepto, claro, os pais e o senhor do IGAE (Inspecção-Geral das Actividades Económicas) que foi entrevistado na peça, que às sextas-feiras há uma famosa discoteca na capital onde barram a entrada a todas as pessoas com mais de 16 anos e que promove, no seu interior, festas com “bar aberto” a uma determinada hora.
Uma coisa é não saber, outra coisa, completamente diferente, é não querer saber!

No passado domingo, a RTP voltou à carga com uma reportagem, incluída no seu noticiário da noite, sobre os novos perigos da internet junto dos adolescentes de hoje.
Parece que as “nossas jovens” (desta vez a reportagem recaiu sobretudo sobre o sexo feminino), nos intervalos dos seus comas alcoólicos, andam a fotografar-se em “poses provocantes” e a publicar essas fotos numa página de internet (hi5). Para além das fotos, segundo a reportagem, as meninas colocam no seu perfil o seu endereço de Messenger para facilitar contactos. Nada disto parecia até ser muito grave se não houvesse por este mundo da depravação virtual alguns “predadores sexuais” à caça de miúdas virgens e inocentes! E pasmemo-nos pois segundo os relatos de algumas vítimas, pelo meio das conversas no MSN elas sentem-se muito “pressionadas” (?!) a passarem-lhes o número de telemóvel e até mesmo a morada e que até acabam por descobrir que “a maioria desses tarados mentem muito” e que “a maioria até são homens casados”!
O inspector da PJ entrevistado aconselha aos pais a informarem-se destes novos perigos causados pela internet... onde? Na própria internet! Como se todos os pais dominassem todo este novo mundo como os seus próprios filhos.

Na minha adolescência os meus pais não me deram um computador mas deram-me algumas regras. Uma delas era que não podia ir a bares e discotecas enquanto não atingisse a maioridade. Claro que tal não me impossibilitou de apanhar umas “bubas” valentes, mas nunca cheguei ao coma alcoólico porque sempre tive a noção de que beber até perder os sentidos, não deve ser uma coisa assim tão divertida. E a adolescência, se não me engano, até deveria ser sinónimo de divertimento... Pois para chatices já basta a fase ulterior.

terça-feira, outubro 10, 2006

Jornalismos



Os nossos jornais desportivos são um primor no que toca à originalidade das expressões utilizadas nas suas capas (para não falar da especialidade das fotos): "Este é o melhor balneário da minha carreira".

Já imaginaram se este jornalismo propaga-se a outras áreas? Poderíamos ver, por exemplo, a Beyoncé, após o concerto do ano que vem, (novamente) na capa do Blitz com o seu ar maroto e o mínimo de roupa vestida possível. Imediatamente abaixo da sua foto apareceria: "este é o melhor camarim da minha tornée... tinha uma caixa de mon cherries, um massajador facial, entre outras coisas boas.”

Heroína

Para a votação d’Os Grandes Portugueses que a RTP está a promover, estava a pensar dar o meu voto à Teresa Guilherme pelo o seu “contributo significativo ao País”.
Porque mostra mamas num canal nacional em horário nobre e não é as dela. Graças a... Penim!

quarta-feira, outubro 04, 2006

A sms

Quantas vezes não nos detemos sobre um beijo?
Parados, hirtos, fitamos os lábios que dão cor ao nosso desejo, mas apesar disso não lhes tocamos, talvez com medo de borrar o fresco... E a pintura entristece, perde a cor...
O nosso desejo encarece de mais uma oportunidade falhada, inútil e afastamo-nos a passo pesado, deixando para trás um quadro do qual podíamos ter sido autores, mas porque o medo nos regelou a mão, deixamos incompleto, imperfeito...


O que dizer disto?
Não é todos os dias que se recebe uma sms assim é certo.
Não fico indiferente, por mais que tentasse, a estas palavras. Haveria quem, no meu lugar, rejubilasse de alegria certamente. Também haveria quem fugisse a sete pés. E eu? Eu fico com medo. Não me iludo. Isto não é só uma simples mensagem mais carinhosa de alguém que gosta da minha companhia ou que os meus beijos lhe possam despertar a sua veia poética. Tenho consciência da sua mensagem inerente. E é daí que vem todos os meus receios. Posso até ser um digno merecedor de tão belas palavras, mas tenho muitas dúvidas se estou no meu melhor momento para as receber. Mas enfim... gosto que me supreendam e isto até pode ser um bom começo para despertar aquele meu lado mais romântico e sensível que anda para aqui escondido. Talvez, só por isso, já tenha valido a pena.

Ao mesmo tempo que acabo de ler esta mensagem no telemóvel, salta-me diante dos olhos uma notícia no “Portugal Diário” que faz referência a uma pesquisa da revista britânica «Best». Diz que 70 por cento dos casais ingleses admitem que uma «flir-delity» (fusão entre o «flirt» e a «fidelity» (fidelidade)) ajuda a fortalecer as relações duradouras e a aumentar a auto-estima.
Enquanto que mais de meio-mundo anda por aí a brincar aos “casamentos de faz-de-conta”, fiquei a pensar se em vez de estar para aqui a “queixar-me” e a levantar uma série de questões pelo o conteúdo desta sms, se não deveria considerar-me um privilegiado por receber, de vez em quando, estes pequenos grandes gestos de carinho tão raros e fora de tempo mas que me fazem sentir tão bem? Ou seja, há que esclarecer: são estas coisas tão simples da vida que nos podem fazer aumentar a nossa auto-estima, um flirt aumentará o nosso espírito de aventura e, acima de tudo, a nossa tesão. São conceitos “ligeiramente” diferentes, diga-se.
Num mundo em que as pessoas estão cada vez mais predispostas a aceitar um sinal de engate espontâneo em vez de meia dúzia de palavras bonitas e mais profundas, um acto como este é, afinal, mais que uma prova de romantismo, uma prova de surpreendente coragem.

segunda-feira, setembro 25, 2006

Caetano veio-se

O Caetano Veloso tem um disco novo. Neste site pode-se ouvir pequenos extractos das músicas deste álbum.
Oiçam a faixa nº10 (Por quê?) e reparem na subtileza da letra.

quarta-feira, setembro 20, 2006

quinta-feira, agosto 31, 2006

"Vou de fééeeeeriaaaassss...



... mas volto!"

(2 semanitas :>)

terça-feira, agosto 29, 2006

"Querida, comprei um presente... para mim!"

Apanhei mais um daqueles momentos de grande euforia, na “sala de convívio” da empresa, durante um coffee break.
Uma colega contava que o marido de uma das suas amigas tinha adquirido um vibrador e parece que, para espanto de todos, e especialmente da dita esposa, tal presente não era para ela, nem para qualquer possível amiga ou amante, mas para o próprio...
A minha colega disse que ficou embaraçada e não soube o que responder quando a amiga lhe questionou: “Ele é e sempre foi óptimo na cama mas... agora apareceu isto... qual será o problema dele???”
Eu se não tivesse com pressa e com pouca vontade de criar assunto para mais meia-hora de tagarelice, ainda lhe respondia: “O único problema desse senhor foi ter arranjado uma mulher desbocada e muito pouco criativa a nível sexual”.

segunda-feira, agosto 28, 2006

Génio



Larry David está por detrás (e pela frente, respectivamente) de duas das melhores séries de comédia americanas de todo o sempre: "Seinfield" e "Curb your entusiasm". A primeira, pelo menos, já toda a gente ouviu falar e dispensa comentários, a segunda passa actualmente na 2:, aos sábados, às 22:30. Chamaram-lhe: "Calma Larry". A forma como este senhor transforma um dia-a-dia repleto de coisas simples e banais em situações caricatas, é do mais genial que vi em séries do género.

Já não me ria tanta desde que vi a Alexandra Lencastre a fazer de empregada de limpeza / de supermercado, pobrezinha, ex-presidiária, amante, ... numa telenovela da TVI.

sexta-feira, agosto 25, 2006

Job for MY boy

O Tiaguinho tira um curso superior: licenciatura em apanhador de borboletas, um curso de 3 anos e de extrema importância para o Supremo Tribunal de Justiça. O paizinho arranja-lhe um tacho no seu gabinete e ficamos todos felizes com a nossa "justiça" social.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Férias (estamos quase lá)...


... há quem só seja silly numa season por ano e há quem não seja outra coisa ao longo de todo o ano.

segunda-feira, agosto 21, 2006

FastLove

Somos todos tão diferentes que faz com que o estranho nas relações não é que não funcionem, mas que funcionem! Sabemos (mas às vezes nem queremos saber) que um relacionamento, muitas vezes, só dura por questões extra-conjugais ou por uma questão de grandes cedências. E claro, os filhos serão um factor a ter também em conta.
Elas (as relações) são, realmente, um fruto do acaso e do encontro de duas pessoas e vontades no momento certo. Por isso a solução, para quem esteja mesmo para aí virado, é tentar. Tentar, tentar... às tantas acaba mesmo por acontecer: aparecer outra pessoa que esteja também para aí virada.
Não podemos é projectar as nossas formas de estar nos outros, nem exigir que se guiem pelos mesmos trâmites e objectivos. E, importantíssimo: ter consciência das nossas fragilidades. Torna-se necessário controlar a forma como abrimos as nossas “defesas”, sem ninguém nos ter pedido. Se tal acontecer, é sinal de que sofremos de uma enorme carência de afectos e/ou podemos estar a procurá-los aonde eles não existem (local inadequado e/ou pessoa errada).
Também é preciso saber que nem todo o tipo de envolvimento conduz a uma relação afectiva (e efectiva) e que há tantas outras formas de estar bem com os outros.

sexta-feira, agosto 11, 2006

FastSex

Entre o engate fácil no wc público, no chat, na praia ou mesmo na esquina, do “fazer e esquecer” e o sexo com o conhecimento prévio do parceiro e sem a rejeição de afectos, vai uma diferença abismal. Chamar sexo ao primeiro caso até poderá ser um exagero, pois no fundo trata-se mais de uma questão de “aliviar tensões”, ou melhor: “despejar os tomates”, que outra coisa qualquer.
O prazer, o orgasmo, o sémen, fica tudo ali, naquele local “impróprio”, e “foge-se” o mais rápido que se poder, para que aquele “sentimento de culpa” não regresse. Para isso é necessário que se restabeleça o quotidiano normal e que se mantenha inquestionável a natureza de todo aquele desejo. Assim é, de facto, mais fácil: arremedeia-se a coisa, sem pensar muito no assunto, até ao próximo “despejamento”.
E é assim tão mau só querer “despejá-los”? Claro que não, é bom, sabe bem e até os médicos recomendam. Mas é preciso ter consciência de que se é isso que se dá, será só isso que se recebe.

quarta-feira, agosto 09, 2006

"... nós só somos distraídas, pah!"

Alguém viu ontem o jornal nacional da TVI?
Deu mais uma daquelas noticias "exclusivo TVI" em que mostrava uma cena de pancadaria no Pacha de Ofir, no passado domingo, envolvendo 60 gajos (!!!) contra os seguranças da discoteca e a polícia.
Estavam presentes, no local, alguns "actores" dos "morangos" (talvez isto explique um pouco a tal "exclusividade" da notícia) e entrevistaram uma das "loiras" desse grupo, que disse qualquer coisa assim:
"Não dei por nada, juro... fomos muito bem recebidos e trataram-nos muito bem."

sexta-feira, agosto 04, 2006

Culpa, eu?

Ainda referente ao caso "Gis", “transcrevo” na íntegra um dos melhores artigos de opinião que li nos últimos tempos. Saiu na edição de ontem do Público e é da autoria de Madalena Barbosa, especialista em igualdade e género.


Que futuro vai ser o destas crianças, que cometeram um crime grave e sério e que dele são desculpadas? Serão inimputáveis, terão pensado que Gisberta voaria para fora do poço sozinha? Que cidadãos vão ser estes?

Com certeza já toda a gente assistiu a este tipo de cena edificante: o menino, ou menina, anda correndo pela sala. Na alegria do movimento, esquece onde está e bate com a cabeça na cadeira. A mãe, ou pai, corre preocupada. Parar o choro é a urgência, o remédio é a vingança. Assiste-se então ao triste espectáculo, a mãe diz: "Má, feia cadeira que magoou o meu menino!" E bate na cadeira. A compensação oferecida à criança é, portanto, a vingança num móvel imóvel. Não se lhe diz: "Tenha cuidado, olhe para onde vai, veja o que está na sua frente, não se esqueça de onde está." Lição aprendida: a culpa é da cadeira, a consolação é a vingança. Eu não sou responsável. É o mundo material contra a "inocência".
Assim educadas as gentes, não é de espantar que ninguém nesta terra seja responsável por coisa nenhuma.
Há um acidente de estrada? A culpa é da estrada. Ou da árvore que ali estava e não devia. Há fugas de informação do Ministério Público? A culpa é dos jornalistas, ou da informação que tinha pernas. Há descalabro nas finanças? A culpa é das finanças, ou seja de ninguém, o dinheiro corre. Hoje existe mesmo uma "culpada por excelência", a informática. Foi o computador. A máquina enganou-se, eu não. E, se for caso disso, encontra-se um ou uma empregada qualquer, de preferência na base da carreira, que é responsável pelo engano. Erros de informática, erros na feitura de testes de exame, erros nas contas públicas, culpa de alguém? Nem pensar, estas coisas acontecem.
Houve já um acórdão de tribunal sobre um caso de violação de uma menina de 14 anos, em que o violador, apanhado em flagrante delito pelo pai da criança, não foi considerado culpado porque a menina era muito alta. Um metro e setenta e cinco. Logo era culpada por não se ter defendido, mesmo com 14 anos, mesmo sendo o violador um adulto da sua família. Portanto atenção meninas e meninos: acima de um metro e sessenta não há violação.
No célebre caso da criança que apanhou um choque ao carregar num botão de semáforo para atravessar a rua, a culpa foi do semáforo.
E chegamos ao absurdo. A mulher morta pelo marido, vítima de homicídio provado, foi a culpada por ter queimado o jantar. E Gisberta, espancada e atirada a um poço por um grupo de "inocentes criancinhas", foi culpada por ser o que era, pobre e transexual. Mas não só ela, o poço teve grande parte de responsabilidade. Estava ali, tinha 15 metros, era acolhedor. Sugiro que se instaure um processo ao poço. As crianças assim aprendem mais uma lição: não têm culpa, não são responsáveis. Não querem estragar-lhes o futuro.
Que futuro vai ser o destas crianças, que cometeram um crime grave e sério e que dele são desculpadas? Serão inimputáveis, terão pensado que Gisberta voaria para fora do poço sozinha? Que consciência, que cidadãos vão ser estes? Como ficará marcado este episódio na sua memória? Lição aprendida: a culpa é de Gisberta, diferente e inferior, sem importância e que não devia, à partida, existir.
Quando se trata deste tipo de crime, crimes de ódio e de género, baseados no sexo que uma pessoa ostenta ou na sua orientação sexual, é costume, brando costume, culpar-se a vítima. Normalmente mulheres, são culpadas por estar ali, por estarem assim vestidas, por não se defenderem como deveriam, por ter sorrido, ou por estarem sérias, por ter aceite uma boleia ou um convite para um copo. São culpadas e é esta a descendência de Eva.
Isto é tanto mais óbvio quanto as manifestações populares o provam: a família do agressor defende-o acerrimamente, todos dizem "não vão estragar a vida ao homem por uma coisa destas" (coisa que é estragar a vida a uma mulher). Tal como no caso das prostitutas de Bragança, a culpa é das mulheres prostitutas e não dos numerosos clientes que lá vão. A culpa é da amante e não do marido, esse que faltou à palavra, que mentiu, que enganou. Ou da circunstância: "Um homem não é de ferro." Que equivale a dizer que um homem não tem querer, nem vontade, nem capacidade de escolha. É antes governado por instintos. E por isso é um coitado. Não lhes estraguem a vida. Não têm culpa. A culpa é da cadeira.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Nova campanha da Galp & M.A.I.

Menores devem ser tratados como adultos em casos de crime de sangue?

SIM
O conceito de idade da razão ajuda a ver claro: adolescentes de 12, 15 e 16 anos sabem distinguir o bem do mal, seja qual for o meio social em que vivem. Divertir-se à custa do sofrimento alheio, desrespeitar a vida humana causando ofensas à integridade física, recusar auxílio, profanar um cadáver não são brincadeiras de mau gosto. São crimes, cometidos com maldade consciente – e exigem castigo.
João Ferreira, Editor de Sociedade

NÃO
As crianças são as principais vítimas dos adultos – que, normalmente, se esquecem que também foram crianças. São fruto de uma sociedade que não as sabe acarinhar e, muitas vezes, de famílias completamente desestruturadas. Mergulhadas nesta inconsciência colectiva, andam ao deus dará. Algumas, tornam-se perigosas. Devem ser punidas, obviamente. Mas na devida proporção.
Paulo João Santos, Grande Repórter

No Caso Gisberta votava "sim", sem pestanejar.

quarta-feira, agosto 02, 2006

Enquanto uns se divertem...

A “causa do costume”

A propósito da nova campanha sensibilizadora para a sinistralidade nas nossas estradas, do Ministério da Administração Interna, contra o “excesso de velocidade”, com um avião cheio de criancinhas pelo meio...
Será tal causa suficiente para explicar a nossa desgraça nas estradas?

Concordo com quase todas as penalizações legais aplicadas no código da estrada, no que diz respeito ao “excesso de velocidade”, mas não consigo conduzir devagar. O facto de possuír um cadastro limpo, a nível de sinistros, com 10 anos de carta na categoria B e quase 4 anos na categoria A, não me dá o direito de cometer qualquer ilegalidade por excesso de velocidade, mas para além de enriquecer a minha companhia de seguros, tal sempre pode explicar alguma coisa... nem que seja a nível estatístico.
Eu conduzo nas estradas portuguesas. Actualmente faço em média cerca de 150 Km diários e continuo a achar que os verdadeiros assassinos em potência nas nossas estradas não mais os condutores que andam a pouco mais de 120 Km/H nas nossas auto-estradas e a pouco mais de 50 Km/H dentro das nossas localidades (informação adicional: segundo o Plano Nacional de Prevenção Rodoviária do MAI, a maioria dos acidentes dentro das localidades ocorrem por colisão e os acidentes com peões ocorrem durante o período nocturno), que aqueles que insistem em manter-se numa faixa à esquerda quando possuem uma faixa livre mais à direita, ou os que acham que o manípulo que sinaliza a mudança de direcção é um mero objecto de decoração do tablier, como o cd ou a santinha pendurados no espelho retrovisor, só para dar dois exemplos. Claro que um automobilista ou um motociclista que venha em “excesso de velocidade” e seja confrontado com uma destas “transgressões menores”, mais dificilmente conseguirá corrigir uma manobra. E quando a asneira antecedente é grande, o acidente torna-se inevitável, quer-se venha em “excesso de velocidade” a 60Km/H ou a 140Km/H, os estragos consequentes é que podem ser bem diferentes. Mas porque será que em tais situações o motivo apontado será sempre o “excesso de velocidade” e nunca uma “alergia crónica à faixa da direita” ou uma “mudança de direcção sinalizada por telepatia”, por exemplo?
Continuar a apontar a “causa do costume” como única justificação para a nossa alta taxa de sinistralidade, é o mesmo que dizer convictamente que o Benfica vai ter um início de época prometedor. Só acredita quem quer.

quinta-feira, julho 27, 2006

Porcos vs Porcas



Toda a gente conhece o Hi5! O sucesso deste meio, que dá a conhecer alguém e os seus respectivos amigos – quem diz conhecer, também pode dizer engatar - deve-se, acima de tudo, ao facto de se poder colocar, no nosso perfil, um número de fotos (quase) sem limites, inclusivé de bom-senso. Há quem se apresente com a sua própria foto, do seu vizinho, do seu carro, do carro do vizinho, da sua praia, do seu cão, do seu pirilau, do pirilau do vizinho... enfim, há para tudo e todos os gostos. Também há quem faça do Hi5 uma espécie de catálogo erótico em início de actividade e em “homenagem” a isso, há quem se tenha lembrado de criar um blog: http://hi5porcas.blogspot.com/.

Sinceramente não sei o que é pior:
- os “porcos” armados em púdicos, que dizem coisas tão curiosas como: “elas mostram as mamas porque sabem que isso rende... e quem as for comer ja nao acha graça nenhuma porque ja viu tudo”, o que só prova que estes novos “porcos” cibernautas andam cada vez mais exigentes, pois só “comem” aquilo que não vêm, ou seja, na prática: nada! Eu se fosse “porca” ainda respondia-lhes: “Dahhhhh... e se transarmos de luz apagada?”
- ou as próprias “porcas”, que se limitam a apresentar-se publicamente pelo o seu lado mais provocante e fútil, competindo, umas com as outras, para conseguirem os perfis mais visualizados do Hi5. E basta-lhes isso para atingirem um estado de felicidade tal que me ultrapassa. Sim... porque o silicone “rende”, muito! Um cirurgião plástico que o diga.

Por onde andava mesmo a peste suína?

terça-feira, julho 25, 2006

A Maria contra-ataca


Conheço mulheres com ciúmes da empregada do café da esquina, da amiga dela (que anda no mesmo ginásio e tem os mesmos horários do seu marido... só por mera coincidência), da colega de trabalho... mas da cadela da vizinha é mesmo inédito para mim.

segunda-feira, julho 24, 2006

Papinha toda feita

“Puto até 16 anos pra kota. Manda toke ou sms pra 9 X X X X X X X X”
“Se és teen e sentes-te sozinho e carente, liga-me 9 X X X X X X X X. Sou o homem que te dará tudo o que precisas.”


Deixo aqui uma sugestão à nossa PJ. Não necessita de envolver grandes meios técnicos, financeiros e humanos. Basta, tão somente, contratarem um estagiário que tenha como única e exclusiva função, ler e anotar alguns números de telefone que vão passando pela página 603 do teletexto da SIC.

Melhor que isto: só se os pedófilos começarem a apresentar-se directamente nas nossas esquadras!

terça-feira, julho 18, 2006

Coisa feia, a inveja

Já o Presidente da "ilha das bananas pequenas" dizia: "Não há muitos Cristianos Ronaldos no Mundo!” e a Merche neste momento, melhor que ninguém, sabe disso. Bem como deve saber que há quem não a suporte por tal facto ou outro qualquer.

O Monstro


A vida é engraçada. É dura e ao mesmo tempo é estranho como as coisas podem ser tão diferentes como imaginamos.

Era apenas uma criança quando o clube 4-H montou uma linda e gigante “roda gigante” que iluminava o céu à noite. Chamavam-lhe “O Montro”.
Achei que era a coisa mais fixe que já tinha visto.
E eu estava ansiosa por andar nela. Mas quando pude fazê-lo, fiquei com tanto medo e enjoada, que me vomitei toda, antes mesmo de ter completado uma volta.

Eu amava-a.
E uma coisa que jamais alguém conseguiu perceber em mim... ou acreditar, é que eu era capaz de aprender. Eu era capaz de me treinar para qualquer coisa.
As pessoas sempre desconfiaram das prostitutas. Nunca nos deram hipóteses, acham que escolhemos o caminho mais fácil. Mas ninguém podia imaginar a força da vontade necessária para fazer o que nós fazemos. Andar pelas ruas, noite após noite... sermos agredidas e levantarmo-nos de novo. Mas eu sabia. E passou-lhes completamente ao lado.
Não faziam ideia que eu era capaz de me disciplinar quando acreditava em algo. E eu acreditava nela.

O amor conquista tudo...
Tudo tem um lado positivo...
A fé pode mover montanhas...
O amor encontra sempre um caminho...
Tudo acontece por uma razão...
Enquanto há vida, há esperança...
Têm de nos dizer qualquer coisa, não é?

Ailleen Wuornos, prostituta, interpretada brilhantemente neste filme por Cherlize Theron, foi executada em Outubro de 2002, depois de ter confessado o assassínio de seis homens, seus clientes (incluindo um polícia). Há quem a recorde por ter sido a primeira mulher serial killer na história dos E.U.A., eu prefiro recordá-la com este filme e acima de tudo com estas palavras.

sexta-feira, julho 14, 2006

Nós, os hipertensos

O pior das sensações que se pode ter é percebermos que o mundo que nos rodeia não circula ao nosso ritmo.

A hipertensão arterial não é mais que o aumento da pressão com que o sangue circula pelas artérias do corpo humano. É, por isso, mais uma doença circulatória e nem tanto, e ao contrário do que à partida se poderia julgar, uma doença “cardíaca”. Para além de que, cerca de 95% dos casos de hipertensão, não é identificada a sua causa e chamam-na, por isso, de “essencial”.
Os hipertensos são pessoas normais, só que vivem tudo com mais intensidade e, simultaneamente, precaução que as outras pessoas, digamos, mais “normais”. Eu sou hipertenso.
Não conseguimos lidar com as situações com calma ou ligeireza. Para nós tudo é mais complexo do que aquilo que aparenta e tudo tem que ser feito o mais rapidamente e o melhor possível. Os hipertensos também são perfeccionistas e digerem os erros e as falhas de uma maneira bem diferente das outras pessoas que possuem uma tensão arterial normal ou baixa. Nós fazemos uma auto-avaliação dos nossos actos e raramente essa setença nos é favorável. O stress já nem é um problema, é um modo de vida.
Uma das piores consequências da hipertensão é a ansiedade. É terrível! Um ataque cardíaco pode matar-nos de uma vez, a ansiedade mata-nos aos poucos. É muito instável a nível da sua intensidade, mas está sempre presente e só é controlável, tal como a doença que a origina, através do uso de medicação.
E ainda há quem diga que a tensão arterial alta não causa qualquer sintoma... ou que, de certa forma, não se sinta nada?
A minha hipertensão é hereditária e essencial, não está relacionada com qualquer outra doença, tenho colesterol baixo, não tenho diabetes, nem excesso de peso, não gosto de comida salgada e os meus consumos de álcool e de tabaco sou pouco relevantes. As minhas análises, que faço dois em dois anos, são um mimo. Sou um rapazinho bastante saudável, só que ao contrário de outros em que o seu pai lhes herda um duplex num condomínio de luxo no Algarve, ou um conjunto bem razoável de dívidas para pagar, o meu passou-me uma doença incurável mas, quase, perfeitamente controlável.

Às vezes quando me sinto mais exaltado e deveria procurar acalmar-me, nem penso nos riscos consequentes desse estado de euforia. Sinto o meu coração a bater, forte e depressa, e também nem penso que ele possa estar tão perto de parar de vez.

quarta-feira, julho 12, 2006

Os Keane

Os Keane lançaram há cerca de um mês atrás um disco novo. Como seria de esperar, e tal como tinha sucedido com “Hopes and Fears”, foi completamente arrasado pela crítica especializada. Houve algumas excepções como a Entertainment Weekly e a Slant Magazine, que não fazem parte do grupo de revistas mais credíveis no mercado.
“Under the Iron Sea” é um disco pop, simples, modesto e despretencioso. Aliás, tal como o seu disco anterior. Ou seja, não desilude (mas também não surpreende).
Os Keane têm tudo para ser uma boa banda a abater. A odiar, portanto. Fazem melodias que dificilmente esquecemos e as suas canções são fáceis de trautear, são um sucesso junto do grande público e isso, consequentemente ou não, assusta a crítica, mesmo aquela que acaba por passar os seus ouvidos pelos discos deste trio e afasta os ouvintes mais exigentes de música, nem que seja pelo simples facto de que os seus singles passam na RFM! No entanto, estes elitistas esquecem-se que essa mesma estação também inclui ou já incluiu nas suas playlists Pixies, Lloyd Cole e Prefab Sprout...
Ainda está para nascer alguém que me explique, sem ser por motivos preconceituosos, que não é possível gostar da pop melancólica dos Keane e simultaneamente vibrar com coisas tão díspares como o post-metal dos Isis, o art-punk dos Les Savy Fav ou indie-rock dos Tapes n’Tapes.
A penúltima faixa de “UTIS”, “Broken Toy”, com uma letra (ainda) mais deprimente e cantada por Thom Yorke seria o single alternativo do ano, mas como é cantada por um tipo que parece ter saído directamente de uma história popular da autoria de J. R. R. Tolkien, não passará, para os experts musicais, de lixo pop.
Há claras influências de U2? Sim e daí? Também me pareceu que os moços andaram a ouvir, com alguma regularidade, os discos dos anos 80 dessa banda irlandesa e não me parece que tenham tido assim uma tão má opção – no entanto, para mim, o melhor álbum dos U2 só apareceu na década seguinte e baptizaram-no de “Achtung Baby”. Continuando esta onda de comparações e por mais que custe admiti-lo, a verdade tem que ser dita: a pop dos Keane é bem mais interessante que a pop ou o rock (ou aquilo que quiserem chamar; eu tinha um nome giro, mas não se costuma inserir na classe das categorias musicais) que os U2 fazem actualmente.

segunda-feira, julho 10, 2006

Ganda Crómio

A grande máquina lucrativa de encher chouriços da TVI, que é a novela “Morangos com Açúcar”, também já é a maior "escola" de onde sai os nossos novos “cantores”. Nem o Crómio escapou!

quinta-feira, julho 06, 2006

E o prémio a-coerência-ficava-te-tão-bem 2006 vai para...



Jorge Larrionda (árbito do jogo Portugal-França)!

terça-feira, julho 04, 2006

Brenda & Billy

"Ao longo desta vida ficamos cada vez mais sozinhos e... tornamo-nos cada vez mais indisponíveis."

Six Feet Under termina já para a semana, dia 10, às 22:30 na 2:.