quinta-feira, fevereiro 12, 2015

Porque é que eu acho que "As 50 sombras de Grey" é um produto culturalmente problemático e muito perigoso

A essência do “hype” está numa espécie de introdução ao mundo BDSM, mesmo que seja numa versão assumidamente “light”. A questão é que muito pouco do que se passa na história deste livro/filme tem a ver com esse mundo BDSM, onde há regras a cumprir e é exigida muita maturidade e responsabilidade aos seus intervenientes.
Se por um lado, esta “obra” passa uma série de ideias falsas quanto a essas responsabilidades inerentes ao mundo da dominação consciente e permitida, por outro (agora o lado perigoso da questão), dissimula um real problema de violência doméstica numa fábula moderna, escaldante e encantadora que, sobretudo, as telespectadoras (digamos) menos atentas, adorariam viver.
A essência do hype está numa espécie de introdução ao mundo BDSM, mesmo que seja uma espécie de versão "Disney", roubando a expressão que já li por aqui. A questão é que muito pouco do que se passa na história desse livro/filme tem a ver com esse mundo BDSM, onde há regras a cumprir e é exigida muita maturidade e responsabilidade aos seus intervenientes.
Na minha opinião "As 50 sombras de Grey" é um produto culturalmente problemático e muito perigoso. Se por um lado passa uma série de ideias falsas das responsabilidades inerentes ao mundo da dominação consciente e permitida, por outro, dissimula um real problema de violência doméstica numa fábula moderna e encantadora. - See more at: http://forum.autohoje.com/off-topic/443-topico-cinefilo-v2-0-balanco-2012-podem-votar-max-3-escolhas.html#post1068365077
A essência do hype está numa espécie de introdução ao mundo BDSM, mesmo que seja uma espécie de versão "Disney", roubando a expressão que já li por aqui. A questão é que muito pouco do que se passa na história desse livro/filme tem a ver com esse mundo BDSM, onde há regras a cumprir e é exigida muita maturidade e responsabilidade aos seus intervenientes.
Na minha opinião "As 50 sombras de Grey" é um produto culturalmente problemático e muito perigoso. Se por um lado passa uma série de ideias falsas das responsabilidades inerentes ao mundo da dominação consciente e permitida, por outro, dissimula um real problema de violência doméstica numa fábula moderna e encantadora. - See more at: http://forum.autohoje.com/off-topic/443-topico-cinefilo-v2-0-balanco-2012-podem-votar-max-3-escolhas.html#post1068365077

quarta-feira, fevereiro 04, 2015

Como alguns meios de comunicação social da era moderna utilizam as nossas obsessões visuais para ganhar mais uns trocos






Diz que uma das fórmulas de sucesso das mais recentes séries para TV, históricas ou fantasia, passa por muita pancadaria, pseudo-erotismo e nudez feminina.
No início ainda pensei que os seus realizadores, ao utilizarem tais fáceis "argumentos", estariam a passar um atestado de "depravação" (ou obsessão?) a todos os telespectadores  - “para ver umas mamas de jeito tenho mesmo que gramar com aquela seca "histórica"”?; ou: “e não é que se vai aprendendo um pouco de história nos intervalos destas interessantes sessões eróticas?”. Entretanto, pensei um pouco mais, e cheguei à conclusão que eles não podiam estar a subestimar assim tanto os seus “clientes” e, na verdade, a nudez ou o sexo, de tão espontâneos que são (ou deviam ser), estão a ser cada vez mais (despreconceituosamente) revelados nas séries modernas (mesmo que incidam sobre outros tempos)... Mesmo que esta tendência para fazer sentido tenha que ser igualitária, isto é, existir nudez masculina na mesma proporção, o que, como bem sabemos, está um bocadinho longe de acontecer. Mas isto pode ter haver com problemas de casting ou disputas de caché...  
É justamente neste tipo de séries (históricas ou do mundo irreal), onde parece ser mais fácil justifcar a nudez feminina ou até mesmo a subjugação da mulher, pois, aparentemente, tal é feito de uma forma “irónica”. Ou seja, como se trata de um produto “retro” ou de “fantasia”, mostra-se nudez ou misoginia sem pudor, só porque faz parte do enredo e não porque as produtoras estão a ser levadas pelos seus instintos sexistas a satisfazer as obsessões dos seus telespectadores... Ufa! Graças aos meus queridos cromossomas evitei uma queda fatal na lógica do falso puritanismo. Obrigadinhos oh XY!

terça-feira, fevereiro 03, 2015

quarta-feira, janeiro 28, 2015

Dos pilares da memória



Muitas das casas da região oeste, construídas no século passado, têm tijolos produzidos nesta antiga Fábrica de Cerâmica. Segundo a ficha informativa do imóvel (e “terrenos rústicos”), em questão, à venda por 190 mil euros, ela era composta por: “A - Fábrica com 4 pisos, fornos, casa das máquinas e secagem| B - telheiro para arrecadação de materiais| C - cozinha, refeitório, posto médico e oficina| D - central eléctrica| E - barracão para depósito de barros| F - habitação do pessoal| G - balneário e vestiário”.



A vida também é feita destas coisas - um dia foram imponentes, hoje estão decadentes. Ainda assim, vão resistindo os alicerces, como que a sustentar a ideia de que um dia, subitamente, volte tudo a erguer-se, ou um mero suporte para a memória de quem viveu aqueles tempos.












sexta-feira, janeiro 16, 2015

O Melhor de 2014 - Cinema - "Force Majeure"




Uma quase-tragédia desencadeia uma série de questões no seio de uma família aparentemente equilibrada. Até esse momento vivia-se pacatamente umas férias de neve e uma relação mais ou menos controlada. Até ao momento em que o casal é confrontado com esse súbito descontrolo – como uma avalanche -  e, ao depararem-se com os instintos de sobrevivência da sua cara-metade, surgem as divergências, as desconfianças e as inseguranças.
Mais do que realçar as diferenças entre sexos em situação de crise/acidente, o realizador sueco Ruben Östlund manobrou com mestria, neste seu “Force Majeure”, as suas duas principais personagens no sentido de demonstrar que qualquer uma delas (ou qualquer um de nós) pode ser vítima dos seus próprios instintos. Será por isso que todas as personagens deste filme (e os seus telespectadores), quase no final, são levados para dentro de um autocarro, que vai circulando, desastrosamente, à beira do abismo. É o derradeiro teste aos instintos primários de todos ou, talvez, para que questionemo-nos de quanto eles (os instintos) devem ser representativos daquilo que realmente somos.
Para reforçar o ambiente gélido e angustiante vivido dentro de portas, no quarto da estância de ski, Östlund mostra também imagens do exterior (excelente fotografia – é uma das razões que faz com que nunca nos queixemos de um certo abuso dos planos fixos), ao som dos pungentes violinos de “Le Quattro Stagioni, L'Estate” de Vivaldi.
Um filme incrível e um retrato inteligentíssimo da mente humana. De longe, o melhor que vi da colheita de 2014... (E sim, eu também vi todas as propostas “indie” americanas: Boyhood, Birdman, The Grand Budapest Hotel, etc.)

quarta-feira, janeiro 14, 2015

Ainda têm alguma esperança de que o realizador M. Night Shyamalan* faça mais alguma coisa boa nesta vida?

Parece que 2015 poderá ser um daqueles anos em que ele pretende provar qualquer coisa... Ou não tivesse já programado duas estreias, em duas frentes: para além de um filme, "The Visit", já adquirido pela Universal e com estreia marcada para Setembro; a surpresa pode estar na sua estreia, em Maio, numa produção para TV - "Wayward Pines", uma série de 10 episódios para a FOX com Matt Dillon, Terrence Howard, Juliette Lewis, ... que só pela amostra do trailer parece ser um "mash-up" de outras séries, como "Twin Peaks", "Identity", "Lost", com o filme "The Truman Show"... Ninguém sabe se será de facto bom ou - como nos tem habituado nos últimos tempos - péssimo, mas toda a gente já sabe que vai ter, pelo menos, um grande "twist" lá para o final.
Já que falo nisso, talvez este realizador esteja mesmo amaldiçoado por tanto "twist" e, assim sendo, não vale a pena perdermos tempo com o que anda a fazer, pois só o seu derradeiro filme será (de novo) brilhante.

(*Sexto Sentido, Sinais, A Vila, etc)








terça-feira, janeiro 06, 2015

Portugal, um país de estruturas falhadas, tão imperfeito quanto inspirador


Não é novidade para ninguém. Portugal é um país especial para muita gente. Curiosamente (ou nem por isso), não tanto para os portugueses que sempre por cá viveram e que acabam por ser um reflexo do "estado de alma" da sua economia, como para os estrangeiros, nomeadamente, os artistas que andam à procura de um certo “empurrão” no seu método criativo. Mais do que o Sol, a Caparica, as sardinhas ou os Jerónimos, talvez seja esse nosso lado mais imperfeito, deprimente ou decadente que serve agora de inspiração a estes artistas contemporâneos.



Ainda no ano passado tivemos o caso de Grouper, aka Liz Harris, que se refugiou em Aljezur para gravar, com o mínimo de condições, o seu mais recente (e belíssimo) disco. Sublinho o que disse ela sobre esse processo de gravação:








A obra, entitulada justamente por “Ruins”, acabou por ser, como ela almejava, um reflexo dos locais por onde passeou e, sobretudo, da solidão de uma casa perdida algures num monte do Alentejo.





O mais recente artigo da Pitchfork começa mais ou menos assim: “Por uma década, Noah Lennox tem vivido dentro do brilho e sombra de Lisboa”. Pois é, “o” Panda Bear, ex-membro dos Animal Collective, já é um artista residente e, certamente, tudo o que foi vendo e adquirindo nos últimos anos está reflectido nas suas obras.

Destaca-se deste artigo uma paixão por uma cidade renascida de um sismo e por um país com muitas cicatrizes do passado:





São as nossas irregularidades que captam a atenção de Mr. Noah. Das Torres das Amoreiras... aos surfistas desajeitados:




Quem diria que são portanto todos essas falhas e limitações que nos tornam tão populares e inspiradores! Portugal (e os seus portugueses) não é assim tão diferente de qualquer outro país, mas às tantas são alguns desses pequenos e amáveis defeitos, tão condenáveis e tão humanos, que torna este país acolhedor e onde um estrangeiro mais facilmente se reconhece. Tendo em conta os resultados finais (este último disco de Panda Bear também é estupendo), talvez deva até sentir algum orgulho deste país que me viu nascer.