sexta-feira, agosto 31, 2007
Companheiros desta vida atribulada,
por pouco mais que uma semana este blogue encerra as suas portas para balanço e umas merecidas férias do seu dono. No entanto, deixa uma janela aberta para virem cá espreitar sempre que vos apetecer.
quarta-feira, agosto 29, 2007
Gaijas! Gaijas! Gaijas!
Não me estou a lembrar de nada mais sensual, que tenha passado pela TV, que a Ana do Carmo a tocar no “bicho”, a Maria João Abreu a lutar pela “perservação” da revista e as pernas da Fátima Medina e da Sandra Cóias. Ficou no ar, para uns próximos posts, os decotes dos elementos do restante grupo da “geração de ouro”: Manuela Moura Guedes, Isabel Bahía e Helena Ramos. Obrigado, bzi99.
Oh Herdeiro e esta? Mas é que se estava mesmo a ver, pá!
Na “Guilhotina” de ontem por pouco mais de 20 mil “euricos” só pediam que se soubesse o primeiro nome do presidente do Tribunal de Contas, do presidente da Câmara de Matosinhos e de Júlio Dinis. Mas se os nossos conhecimentos não chegassem a tanto, davam-nos ainda a possibilidade de associar a pista Encontro a um disco da Anabela e de Carlos Guilherme. Depois era só retirar o apelido deste último senhor e obtínhamos a solução final. Mais fácil que isto só uma “bifa” na praia da rocha, cambada de ignorantes!
segunda-feira, agosto 27, 2007
Uma herança deturpada
Já nos tempos do Malato, o jogo da “Guilhotina Final”, gerou polémica. Nessa altura, por vezes, também era muito difícil desvendar o enigma e sair um pouco mais rico daquele concurso. Na versão “Herança de Verão” 2007 tornou-se ridiculamente difícil. Esclareço: não é a palavra-solução que é rocambolesca, são as respectivas pistas. Para soluções tão óbvias como “(Os) Lusíadas”, “Índia” ou mesmo “Pai” arranjaram 5 palavras (pistas) com elas relacionadas que só com muita capacidade de imaginação se chegaria lá. Exige-se um esforço sobre-humano: para acertar no “enigma” é preciso ter uma capacidade imaginativa a quintuplicar! Ou seja, é perfeitamente notório que a RTP quer tanto que aqueles concorrentes, que se sujeitam a tal processo de fustigação intelectual, ganhem o valor do prémio final (que com os cortes da “guilhotina” facilmente pode passar de mais de 100 mil para uns míseros cinco mil euros), como eu quero mergulhar num lago cheio de piranhas.
Por outro lado, há dias (poucos) em que o “enigma” é muito fácil, até parece que a RTP decide inverter os papéis e ser uma “mãos largas”. Aconteceu recentemente com um concorrente que tinha previamente prometido dar parte do que ganhasse a dois dos concorrentes que tinham sido derrotados por ele. Nada contra gestos de solidariedade. No entanto depois de serem apresentadas 4 pistas semi-óbvias e aparecendo um “Jack Sparrow”, pareceu-me demasiado evidente – sobretudo se compararmos com o grau de exigência (e de imaginação) de outras “guilhotinas”* - que a solução final só pudesse ser “Pirata”. E era, claro. E o senhor acertou, como não podia deixar de ser. Ainda bem. Mas se a minha teoria tiver certa e se um concurso só for ganho, não por inteligência ou perspicácia, mas sim por simples caridade ou simpatia, não há regras que lhe valham! Ainda digo mais (como isto supostamente é um jogo): estaremos, nem mais nem menos, no domínio da pura batotice.
*Ainda numa das sessões da semana passada, as últimas pistas a serem colocadas na mesa foram: “XIX” e “Tony Ramos”. Exigia-se que a concorrente associasse o famoso actor brasileiro a uma novela do “tempo da Maria Cachucha”, chamada “Pai herói” e que com uma numeração romana - que induzia um provável século - se chegasse a uma data importante: 19 (de Março), dia do Pai. Quem falou em batotice?
Gostei de ver a cara da concorrente depois de a apresentadora mostrar o cartão com a solução, parecia mesmo querer dizer: “Não há “Pai” para esta palhaçada!”.
Por outro lado, há dias (poucos) em que o “enigma” é muito fácil, até parece que a RTP decide inverter os papéis e ser uma “mãos largas”. Aconteceu recentemente com um concorrente que tinha previamente prometido dar parte do que ganhasse a dois dos concorrentes que tinham sido derrotados por ele. Nada contra gestos de solidariedade. No entanto depois de serem apresentadas 4 pistas semi-óbvias e aparecendo um “Jack Sparrow”, pareceu-me demasiado evidente – sobretudo se compararmos com o grau de exigência (e de imaginação) de outras “guilhotinas”* - que a solução final só pudesse ser “Pirata”. E era, claro. E o senhor acertou, como não podia deixar de ser. Ainda bem. Mas se a minha teoria tiver certa e se um concurso só for ganho, não por inteligência ou perspicácia, mas sim por simples caridade ou simpatia, não há regras que lhe valham! Ainda digo mais (como isto supostamente é um jogo): estaremos, nem mais nem menos, no domínio da pura batotice.
*Ainda numa das sessões da semana passada, as últimas pistas a serem colocadas na mesa foram: “XIX” e “Tony Ramos”. Exigia-se que a concorrente associasse o famoso actor brasileiro a uma novela do “tempo da Maria Cachucha”, chamada “Pai herói” e que com uma numeração romana - que induzia um provável século - se chegasse a uma data importante: 19 (de Março), dia do Pai. Quem falou em batotice?
Gostei de ver a cara da concorrente depois de a apresentadora mostrar o cartão com a solução, parecia mesmo querer dizer: “Não há “Pai” para esta palhaçada!”.
sexta-feira, agosto 24, 2007
quinta-feira, agosto 23, 2007
Diferenças
As empresas de telecomunicações, bancos, seguradoras, etc. disponibilizam aos seus clientes uma linha de telefone específica para lhes dar apoio. Essa linha também serve para “apoiar” os potenciais futuros clientes e para dar todo o tipo de informação. A pequena diferença está na posterior marcação de um número que entretanto uma senhora com uma voz nasalada (mas aparentemente muito simpática) nos pede para marcar, a grande diferença reside no tempo de espera até sermos assistidos por alguém. É que no caso de sermos clientes esse tempo de espera aumenta disparatadamente. Não dá logo vontade de deixar de ser cliente?
segunda-feira, agosto 20, 2007
O mistério dos preservativos encontrados no esgoto
De vez em quando mantenho umas discussões com um amigo sobre uma função que temos em comum: a administração do condomínio. Moramos praticamente na mesma rua e como os prédios são muito semelhantes, a troca de experiências, na gestão de condomínio, são muito proveitosas.
No entanto já lhe aconteceu algo que eu prefiro não passar, para mal do meu currículo de administrador, mas para o bem da minha sanidade mental. Contava-me ele que no inverno passado, deparou-se com uma situação de entupimento de esgotos lá no seu prédio. As consequências começaram a ser visíveis na cave, o andar das garagens, onde toda a “porcaria” do prédio foi desaguar. Disse-me que era uma paisagem terrível, com um cheiro ainda pior. Aprontou-se a chamar um piquete de intervenção e passados alguns minutos, já tinha alguns especialistas na garagem do seu prédio a resolver o problema. Por mais que lhe pudesse custar, manteve-se no local a assistir a ser evacuado dos esgotos todo o tipo de coisas que nunca imaginaria que, e apesar de todos os conselhos que se possam dar e do bom senso que deveria existir, se mandasse sanita abaixo. Por exemplo: fraldas descartáveis. Ficou furioso mas também frustrado, pois havia mais que um apartamento no seu prédio onde habitavam recém-nascidos. Não conseguia, por mais que quisesse, acusar alguém em concreto. Outro exemplo: preservativos. “Muitos preservativos”, contava-me ele indignado, “Como é possível...?”. Logo a seguir percebi que a indignação não era tanto pelo acto em si mas mais por não conseguir descortinar o caso. Num prédio de 4 andares, com dois apartamentos por andar, em que todos eles, sem excepção, vivem casais, “Como é possível usarem preservativo?”. Eu ri-me e começou, logo de seguida, a nossa "discussão".
Para ele a descoberta de preservativos nos esgotos do seu prédio é um claro indicador de infidelidades, para mim, e sem ter outras “provas” ao alcance, será mais uma questão de sensatez, pela protecção ou segurança (e porque não deve ser só a mulher incumbida dessa tarefa)...
No entanto já lhe aconteceu algo que eu prefiro não passar, para mal do meu currículo de administrador, mas para o bem da minha sanidade mental. Contava-me ele que no inverno passado, deparou-se com uma situação de entupimento de esgotos lá no seu prédio. As consequências começaram a ser visíveis na cave, o andar das garagens, onde toda a “porcaria” do prédio foi desaguar. Disse-me que era uma paisagem terrível, com um cheiro ainda pior. Aprontou-se a chamar um piquete de intervenção e passados alguns minutos, já tinha alguns especialistas na garagem do seu prédio a resolver o problema. Por mais que lhe pudesse custar, manteve-se no local a assistir a ser evacuado dos esgotos todo o tipo de coisas que nunca imaginaria que, e apesar de todos os conselhos que se possam dar e do bom senso que deveria existir, se mandasse sanita abaixo. Por exemplo: fraldas descartáveis. Ficou furioso mas também frustrado, pois havia mais que um apartamento no seu prédio onde habitavam recém-nascidos. Não conseguia, por mais que quisesse, acusar alguém em concreto. Outro exemplo: preservativos. “Muitos preservativos”, contava-me ele indignado, “Como é possível...?”. Logo a seguir percebi que a indignação não era tanto pelo acto em si mas mais por não conseguir descortinar o caso. Num prédio de 4 andares, com dois apartamentos por andar, em que todos eles, sem excepção, vivem casais, “Como é possível usarem preservativo?”. Eu ri-me e começou, logo de seguida, a nossa "discussão".
Para ele a descoberta de preservativos nos esgotos do seu prédio é um claro indicador de infidelidades, para mim, e sem ter outras “provas” ao alcance, será mais uma questão de sensatez, pela protecção ou segurança (e porque não deve ser só a mulher incumbida dessa tarefa)...
"E a confiança entre o casal?"
E a saúde de cada um?
Ele está a ser demasiado maldoso... Ou sou eu que estou a ser demasiado ingénuo.
Ele está a ser demasiado maldoso... Ou sou eu que estou a ser demasiado ingénuo.
sexta-feira, agosto 17, 2007
A teoria da atracção não correspondida e da auto-estima excessiva
O livro “Última saída para Brooklyn” de Hubert Selby Jr. (autor, entre outras obras, de “Requiem for a Dream”, que, tal como o referido, foi adaptado para cinema) é um clássico alternativo – a bolinha vermelha no canto superior direito da capa do livro é simbolicamente esclarecedora - da literatura americana da década de 60. Trata-se de um conjunto de contos protagonizado por um grupo de jovens marginais, um grupo de travestis, um grupo de trabalhadores de uma fábrica e pouco mais. Todos eles se vão inter-relacionando ao longo dos vários contos por entre as ruas, bares e clubes nocturnos de Brooklyn. Revela um interessante estudo sociológico sobre as classes mais desfavorecidas a viver naquela zona da cidade Nova Iorque, durante os anos 50. No entanto, qualquer grupo social abordado ao longo das histórias acaba por ser meramente um pretexto para se demonstrar que a psique de cada um dos seus elementos é reconstituída dentro da dinâmica das relações de poder e de desejo sexual.
O conto mais longo chama-se “Greve” e relata a história de um grupo de trabalhadores de uma fábrica que, coadjuvados por um grupo sindical bastante influente, decidem iniciar uma greve por melhores condições salariais. Harry Black é o verdadeiro impulsionador desta luta. É ele que faz a ligação da classe trabalhadora (onde se inclui) com os dirigentes sindicais. Supostamente tomaria-se Harry como uma personagem autoritária e respeitada. Julga ser, mas não o é. É um mero peão nesta guerra de interesses: trabalhadores e sindicato versus patronato. Os primeiros tratam-lhe com indiferença e só estabelecem relações com este anti-herói por necessidades de ordem profissional (Harry é o responsável pelo carimbo das cadernetas do sindicato que os trabalhadores teriam que apresentar todos os dias da greve, sempre que se manifestavam em frente à fábrica); os segundos (sindicato) só precisam basicamente de um “bufo” – e este é um papel que ele desempenha muito bem - entre os operários; e, por fim, o patronato abomina-o. Para juntar ao lote, Harry também se relaciona com um bando de marginais. Ele sente-se bem na sua companhia; eles, só pretendem beber a cerveja que o sindicato fornece, desprezam-no.
Harry é casado mas não suporta a mulher que o ama (e que se deslustra por aquele casamento). Ele, quando não lhe bate, trata-a com indiferença. E este era justamente e curiosamente o tratamento que ele leva pelos já referidos colegas da fábrica, pelos marginais e pelos travestis que ele tanto admira - sobretudo a sua feminilidade - e engata num clube nocturno. “Elas” só se interessam pelo seu sexo e, sobretudo, pelo seu – do sindicato - dinheiro. Despacham-no logo que ele começa com a conversa fiada.
O principal interesse das personagens deste livro está nesta disparidade de pólos de atracção não correspondidos e nas ilusões de poder e de supremacia auto-criadas (que dão origem, por exemplo, à excessiva auto-estima de Harry face ao grupo social onde está inserido).
É de um realismo arrepiante: não valorizamos a admiração que alguém tem por nós, em contrapartida veneramos alguém que não nos conhece, ou que nem sequer dá pela nossa presença, ou mesmo que até nos chega a tratar mal. Por vezes, também criamos ilusões de excessivo poder e controlo, quando no fundo tudo isso tem origem num conjunto de interesses por parte dos outros. Eles são os “interesseiros” mas só nós (as “vítimas” dos seus interesses) é que não vemos isso. Ou não queremos ver.
Óbvio, a história de Harry acaba surrealmente (como todos os contos deste livro) mal.
Não conheço a versão original, no entanto parece-me assim um pouco para o despropositado, nesta versão portuguesa, o excessivo uso da designação “bicha”, sempre que o autor dos vários contos pretende fazer referência a um travesti. Como acontece, quando descreve a fauna num baile de travestis: há “as bichas vestidas de mulheres” e “há os homens que não estavam vestidos de mulher”, que eram no fundo, “os larilas que deambulavam com as outras bichas”. Este é só um pequeno exemplo como este tradutor, consegue ser “claríssimo” nos seus propósitos descritivos (e catalogativos).
O conto mais longo chama-se “Greve” e relata a história de um grupo de trabalhadores de uma fábrica que, coadjuvados por um grupo sindical bastante influente, decidem iniciar uma greve por melhores condições salariais. Harry Black é o verdadeiro impulsionador desta luta. É ele que faz a ligação da classe trabalhadora (onde se inclui) com os dirigentes sindicais. Supostamente tomaria-se Harry como uma personagem autoritária e respeitada. Julga ser, mas não o é. É um mero peão nesta guerra de interesses: trabalhadores e sindicato versus patronato. Os primeiros tratam-lhe com indiferença e só estabelecem relações com este anti-herói por necessidades de ordem profissional (Harry é o responsável pelo carimbo das cadernetas do sindicato que os trabalhadores teriam que apresentar todos os dias da greve, sempre que se manifestavam em frente à fábrica); os segundos (sindicato) só precisam basicamente de um “bufo” – e este é um papel que ele desempenha muito bem - entre os operários; e, por fim, o patronato abomina-o. Para juntar ao lote, Harry também se relaciona com um bando de marginais. Ele sente-se bem na sua companhia; eles, só pretendem beber a cerveja que o sindicato fornece, desprezam-no.
Harry é casado mas não suporta a mulher que o ama (e que se deslustra por aquele casamento). Ele, quando não lhe bate, trata-a com indiferença. E este era justamente e curiosamente o tratamento que ele leva pelos já referidos colegas da fábrica, pelos marginais e pelos travestis que ele tanto admira - sobretudo a sua feminilidade - e engata num clube nocturno. “Elas” só se interessam pelo seu sexo e, sobretudo, pelo seu – do sindicato - dinheiro. Despacham-no logo que ele começa com a conversa fiada.
O principal interesse das personagens deste livro está nesta disparidade de pólos de atracção não correspondidos e nas ilusões de poder e de supremacia auto-criadas (que dão origem, por exemplo, à excessiva auto-estima de Harry face ao grupo social onde está inserido).
É de um realismo arrepiante: não valorizamos a admiração que alguém tem por nós, em contrapartida veneramos alguém que não nos conhece, ou que nem sequer dá pela nossa presença, ou mesmo que até nos chega a tratar mal. Por vezes, também criamos ilusões de excessivo poder e controlo, quando no fundo tudo isso tem origem num conjunto de interesses por parte dos outros. Eles são os “interesseiros” mas só nós (as “vítimas” dos seus interesses) é que não vemos isso. Ou não queremos ver.
Óbvio, a história de Harry acaba surrealmente (como todos os contos deste livro) mal.
Não conheço a versão original, no entanto parece-me assim um pouco para o despropositado, nesta versão portuguesa, o excessivo uso da designação “bicha”, sempre que o autor dos vários contos pretende fazer referência a um travesti. Como acontece, quando descreve a fauna num baile de travestis: há “as bichas vestidas de mulheres” e “há os homens que não estavam vestidos de mulher”, que eram no fundo, “os larilas que deambulavam com as outras bichas”. Este é só um pequeno exemplo como este tradutor, consegue ser “claríssimo” nos seus propósitos descritivos (e catalogativos).
segunda-feira, agosto 13, 2007
Os detalhistas
Sabem o que é um detalhista? Eu confesso toda a minha ignorância e até há muito pouco tempo desconhecia por completo a existência desta casta que vive para o embelezamento do seu veículo. É uma comunidade em crescimento, através de fóruns próprios na internet e dos consequentes encontros. Têm regras próprias, não vinculativas, mas sugeridas.
Esqueçam o “Mercedes” que o vosso vizinho cuida como um filho e que, ao contrário do vosso chaço, parece estar imune à sujidade, porque por aqui entramos noutro nível de “obsessão”.
Aparentemente um adepto do detalhe pode ser confundido com um fã do tuning. Mas há uma imensidão de diferenças. Apesar de até poder haver algum ponto de contacto no objectivo primordial – embelezamento e, já agora, endeusamento da sua viatura – mas a forma como ambos o põem em prática é bastante dispare. Ao contrário do adepto de tuning, o detalhista não pretende modificar a estrutura física do carro, limita-se a conservá-la ou a aperfeiçoá-la. Para além disso e aproveitando o ritmo das comparações: sempre que um tuninguense em início de carreira entra na secção “auto” de qualquer hipermercado ou em qualquer loja especializada tem orgasmos múltiplos, um detalhista, por sua vez, fica nauseado e o máximo de tempo que consegue manter-se naquela zona são dois segundos (um para entrar e outro para sair). No dia em que um grama de massa de polir da Norauto ou uma borrifadela de spray de limpeza de habitáculo do Continente tocar num carro do detalhista ou é porque o carro efectivamente já não lhe pertence, ou por um gravíssimo erro de outrem com consequências psicológicas para o seu dono. Passe o exagero desta última afirmação, é certo que o detalhista só compra produtos numa “loja de detalhe”. Também não é mentira que esses produtos têm qualidade autenticada, acima de tudo pelos próprios, e não são muito mais caros que os seus semelhantes adquiridos num hipermercado ou numa loja de produtos para automóveis. Tal como, por exemplo, é verdade que um carro só fica perfeitamente lavado, se tal for feito à mão e se for usada a meticulosa técnica dos dois baldes e os respectivos produtos apropriados. Isto e muito mais estão incluídos no “manual do detalhe”, disponível, habitualmente, em qualquer fórum da especialidade. Na prática, pretendem demonstrar que um carro pode ficar bem mais atraente sem utilizar produtos e técnicas que aparentemente o podem danificar a curto, a médio ou a longo prazo, a um custo razoável.
No fundo, o que os distingue de todos nós, “descuidados e insensíveis” perante as nossas “máquinas”, é essa demonstração de carinho e, porque não assumi-lo, de amor perante a sua, reflectido num enorme trabalho manual que lhe é adjacente. E porque falamos de um bem que não custa propriamente meia dúzia de tostões, isso também fará toda a diferença e acabará por ser muito mais que um mero pormenor. Ou um detalhe.
Esqueçam o “Mercedes” que o vosso vizinho cuida como um filho e que, ao contrário do vosso chaço, parece estar imune à sujidade, porque por aqui entramos noutro nível de “obsessão”.
Aparentemente um adepto do detalhe pode ser confundido com um fã do tuning. Mas há uma imensidão de diferenças. Apesar de até poder haver algum ponto de contacto no objectivo primordial – embelezamento e, já agora, endeusamento da sua viatura – mas a forma como ambos o põem em prática é bastante dispare. Ao contrário do adepto de tuning, o detalhista não pretende modificar a estrutura física do carro, limita-se a conservá-la ou a aperfeiçoá-la. Para além disso e aproveitando o ritmo das comparações: sempre que um tuninguense em início de carreira entra na secção “auto” de qualquer hipermercado ou em qualquer loja especializada tem orgasmos múltiplos, um detalhista, por sua vez, fica nauseado e o máximo de tempo que consegue manter-se naquela zona são dois segundos (um para entrar e outro para sair). No dia em que um grama de massa de polir da Norauto ou uma borrifadela de spray de limpeza de habitáculo do Continente tocar num carro do detalhista ou é porque o carro efectivamente já não lhe pertence, ou por um gravíssimo erro de outrem com consequências psicológicas para o seu dono. Passe o exagero desta última afirmação, é certo que o detalhista só compra produtos numa “loja de detalhe”. Também não é mentira que esses produtos têm qualidade autenticada, acima de tudo pelos próprios, e não são muito mais caros que os seus semelhantes adquiridos num hipermercado ou numa loja de produtos para automóveis. Tal como, por exemplo, é verdade que um carro só fica perfeitamente lavado, se tal for feito à mão e se for usada a meticulosa técnica dos dois baldes e os respectivos produtos apropriados. Isto e muito mais estão incluídos no “manual do detalhe”, disponível, habitualmente, em qualquer fórum da especialidade. Na prática, pretendem demonstrar que um carro pode ficar bem mais atraente sem utilizar produtos e técnicas que aparentemente o podem danificar a curto, a médio ou a longo prazo, a um custo razoável.
No fundo, o que os distingue de todos nós, “descuidados e insensíveis” perante as nossas “máquinas”, é essa demonstração de carinho e, porque não assumi-lo, de amor perante a sua, reflectido num enorme trabalho manual que lhe é adjacente. E porque falamos de um bem que não custa propriamente meia dúzia de tostões, isso também fará toda a diferença e acabará por ser muito mais que um mero pormenor. Ou um detalhe.
quinta-feira, agosto 09, 2007
Volta Mário filhe, tás aperdoade!
Devemos estar a passar por uma das mais proveitosas silly seasons dos últimos anos. Dois exemplos:
“Sou contra maus tratos a animais...”
Pedrito de Portugal in Sol
"A Praia da Rocha está civilizada. Tem uma coisa que eu odeio, que são os ecopontos, isso é mais uma bimbalhada à portuguesa."
Paula Bobone in Flash
Com concorrência deste calibre, o ministro Mário Lino vai continuar de férias?
quarta-feira, agosto 08, 2007
Tudo pela família
Contaram-me que numa destas noites durante as tradicionais festas da Nossa Senhora dos Remédios, na bonita cidade de Lamego, o cantor popular José Malhoa deu um grande espectáculo e partilhou o palco com a sua filha, a Ana Meloas, perdão, Malhoa. Também tinha ouvido dizer, há uns tempos atrás, que eles estavam de relações cortadas.
Consta que o autor das “24 rosas” durante o seu show, naqueles habituais momentos em que o artista põe à prova a capacidade de berraria do seu público, terá exclamado:
"Quero ouvir os homens a gritar...
Agora quero ouvir as mulheres...
Agora os maricas!"
Fiquei, afinal de contas, a saber que esta família de cantores, “felizmente”, está mais unida que nunca e que o pai deve ter doado a sua massa encefálica para encher as mamas e os lábios da filha. Há mais bela prova de amor que esta?
Consta que o autor das “24 rosas” durante o seu show, naqueles habituais momentos em que o artista põe à prova a capacidade de berraria do seu público, terá exclamado:
"Quero ouvir os homens a gritar...
Agora quero ouvir as mulheres...
Agora os maricas!"
Fiquei, afinal de contas, a saber que esta família de cantores, “felizmente”, está mais unida que nunca e que o pai deve ter doado a sua massa encefálica para encher as mamas e os lábios da filha. Há mais bela prova de amor que esta?
domingo, agosto 05, 2007
“Este verão não vá de férias sem eles”.
Mas “eles” quem? Só pode ser os animais. E se fosse os neurónios? Também dá jeito, mas há quem nem sequer os tenha. Portanto, é muito natural que vá de férias, ou vá para qualquer outro lado, sem “eles”.
Ainda esta semana vi por aqui na vizinhança um cão que (ainda) não tinha marcas muito visíveis de “abandono”. Mas, no entanto, o seu ar completamente desesperado e intimidado por estar a ser confrontado com um ambiente para o qual não foi previamente ensinado, revelavam o seu triste fado. Por uns escassos centímetros que não foi atropelado por um carro. Ainda consegui ouvir alguém dizer do seu interior: “Oh palhaço vê lá se prendes o cão!”, o qual não podia ficar sem resposta: “Oh palhaço, o cão não é meu e vê lá se te preocupas mazé a cumprir o código da estrada”. Ainda tentei chamar o pobre cachorro, mas o desnorte era tanto que ele limitou-se, do outro lado da estrada, a olhar-me com os seus olhos esbugalhados. Continuou a andar apressadamente e eu peguei no meu telemóvel e liguei para o canil da zona. Era um cão de raça e se o meu “faro” não me engana, deve ter vindo de uma zona de grandes vivendas germinadas localizado perto do local onde moro.
Pode ter fugido, pode ter sido abandonado. De qualquer forma, tira-se duas conclusões:
1) a distracção e a estupidez não escolhem classe social:
2) há pessoas em que o único animal que podiam domesticar, seria o galo/galinha com quem dormem todas as noites.
Ainda esta semana vi por aqui na vizinhança um cão que (ainda) não tinha marcas muito visíveis de “abandono”. Mas, no entanto, o seu ar completamente desesperado e intimidado por estar a ser confrontado com um ambiente para o qual não foi previamente ensinado, revelavam o seu triste fado. Por uns escassos centímetros que não foi atropelado por um carro. Ainda consegui ouvir alguém dizer do seu interior: “Oh palhaço vê lá se prendes o cão!”, o qual não podia ficar sem resposta: “Oh palhaço, o cão não é meu e vê lá se te preocupas mazé a cumprir o código da estrada”. Ainda tentei chamar o pobre cachorro, mas o desnorte era tanto que ele limitou-se, do outro lado da estrada, a olhar-me com os seus olhos esbugalhados. Continuou a andar apressadamente e eu peguei no meu telemóvel e liguei para o canil da zona. Era um cão de raça e se o meu “faro” não me engana, deve ter vindo de uma zona de grandes vivendas germinadas localizado perto do local onde moro.
Pode ter fugido, pode ter sido abandonado. De qualquer forma, tira-se duas conclusões:
1) a distracção e a estupidez não escolhem classe social:
2) há pessoas em que o único animal que podiam domesticar, seria o galo/galinha com quem dormem todas as noites.
quarta-feira, agosto 01, 2007
Dona de um restaurante desesperada

Lynette era muito feliz. Para além de casada e mãe de quatro filhos, sentia-se muito atraída pelo cozinheiro do seu restaurante. Ela gostava especialmente dos finais da noite em que ele lhe preparava um prato especial e mantinham-se sentados durante o resto do serão, só os dois, a conversar. Ele ficava ali sentado à sua frente, a vê-la saborear a sua comida, ao mesmo tempo que lhe contemplava a beleza e tentava controlar o desejo de avançar... Na noite em que isso quase aconteceu, no momento em que ele confrontou-a com a verdade: a atracção era correspondida, ela despediu-o, foi para casa (ter com o marido e os filhos) e fechou-se na casa-de-banho. Pôs a água da banheira a correr para abafar o choro...
O desejo morre automaticamente mal se concretiza; esmorece ao satisfazer-se. O amor, pelo contrário, é um eterno desejo insatisfeito. José Ortega Y Gasset (1883-1955)
O desejo morre automaticamente mal se concretiza; esmorece ao satisfazer-se. O amor, pelo contrário, é um eterno desejo insatisfeito. José Ortega Y Gasset (1883-1955)
terça-feira, julho 31, 2007
Mãããee, eu quero um detector, de um detector, de um detector... de radares!
Os radares e tudo começou com os malditos radares! Podia ser uma longa fila de trânsito, mas não, o verdadeiro pesadelo dos “aceleras”, foi essa invenção demoníaca que a nossa autoridade usa para controlar os limites de velocidade mais comumente designados por radares. Fala-se actualmente muito dos novos, os fixos, que se encontram espalhados pela cidade de Lisboa. Alguns deles muito discutíveis, outros absurdos. Existe alguma unanimidade na sua condenação, mas se há quem nada faça contra esta ditadura da velocidade também há quem faça algo mais para tentar contornar o problema, para além de mandar “postas de pescada” para o vizinho do lado. Já existem petições para alargar os tais limites a circular pela internet, por exemplo. Estes estão previamente assinalados, mas convém não esquecer de todos os outros. Pela nossa saúdinha (financeira e não só), convém mesmo não esquecer, mesmo com as dezenas de e-mails recebidos denunciando a sua localização. Aqueles que todos tememos, aqueles que não se vêm, uma espécie de Kinder Surpresa, em que o ovo é um carro não identificado da Brigada de Trânsito (BT) e a surpresa está lá dentro: um radarzinho fantástico que regista a nossa matrícula mesmo que passemos por ele a mais de 200 Km/H e o brinde é logo entregue alguns metros mais à frente por um senhor agente da autoridade. Não há volta a dar: estamos todos bem controlados e tramados!
Estamos? Obviamente que neste país ninguém gosta de fazer figura de parvo, muito menos a 50 Km/H. Não é que afinal já encontraram solução para isto. Eureka: os detectores de radares! Já se vende por tudo o que é lado. Um amigo meu comprou um sistema Home Cinema por um sítio de venda online e não é que veio um aparelhito desses como oferta? E não é que eu experimentei-o? E não é que aquilo funciona mesmo? Pelo menos apita que se dana, aliás, qual Júlia Pinheiro em dia de menstruação, o meu carro com aquele aparelho passou a ser oficialmente a viatura com mais barulhos irritantes à face da terra. São os sensores de estacionamento, são os sensores de portas e vidros abertos, de chave na ignição, de cintos não encaixados, de luzes acesas... Não há um quilómetro percorrido, uma manobra feita, em que não se oiça um barulho agudo! Aquele detector detecta mesmo tudo: radares fixos e móveis, nem os radares das portagens escapam – não fossemos nós esquecer de pagar a portagem. Para quem não quiser arriscar e tentar fazer a coisa menos “ilegal”, há quem já tenha tido a ideia de inserir toda a informação das coordenadas dos radares espalhados pelo país nos mui úteis sistemas GPS. Para isso basta fazer o download dos packs disponíveis em alguns sites da net. Pode ser um meio menos ilegal mas é, também, certamente o método menos eficaz.
Claro que a polícia sempre atenta a todos os meios de fuga não podia ficar a ver-nos passar (literalmente, a apitar) e ficar de braços cruzados. (Como se aqueles apitos estridentes não fossem por si só uma forma de auto-denúncia.) Consta que já há por aí carros da BT artilhados com detectores de detectores de radares!
E por aí a fora... Vamos chegar a um ponto em que um carro irá deixar de ser somente avaliado pelo seu motor, segurança e conforto de condução, para ser escolhido com base na capacidade de detecção dos detectores, dos detectores, dos detectores... de radares. Ah, e tudo começou com os malditos radares!
Estamos? Obviamente que neste país ninguém gosta de fazer figura de parvo, muito menos a 50 Km/H. Não é que afinal já encontraram solução para isto. Eureka: os detectores de radares! Já se vende por tudo o que é lado. Um amigo meu comprou um sistema Home Cinema por um sítio de venda online e não é que veio um aparelhito desses como oferta? E não é que eu experimentei-o? E não é que aquilo funciona mesmo? Pelo menos apita que se dana, aliás, qual Júlia Pinheiro em dia de menstruação, o meu carro com aquele aparelho passou a ser oficialmente a viatura com mais barulhos irritantes à face da terra. São os sensores de estacionamento, são os sensores de portas e vidros abertos, de chave na ignição, de cintos não encaixados, de luzes acesas... Não há um quilómetro percorrido, uma manobra feita, em que não se oiça um barulho agudo! Aquele detector detecta mesmo tudo: radares fixos e móveis, nem os radares das portagens escapam – não fossemos nós esquecer de pagar a portagem. Para quem não quiser arriscar e tentar fazer a coisa menos “ilegal”, há quem já tenha tido a ideia de inserir toda a informação das coordenadas dos radares espalhados pelo país nos mui úteis sistemas GPS. Para isso basta fazer o download dos packs disponíveis em alguns sites da net. Pode ser um meio menos ilegal mas é, também, certamente o método menos eficaz.
Claro que a polícia sempre atenta a todos os meios de fuga não podia ficar a ver-nos passar (literalmente, a apitar) e ficar de braços cruzados. (Como se aqueles apitos estridentes não fossem por si só uma forma de auto-denúncia.) Consta que já há por aí carros da BT artilhados com detectores de detectores de radares!
E por aí a fora... Vamos chegar a um ponto em que um carro irá deixar de ser somente avaliado pelo seu motor, segurança e conforto de condução, para ser escolhido com base na capacidade de detecção dos detectores, dos detectores, dos detectores... de radares. Ah, e tudo começou com os malditos radares!
segunda-feira, julho 30, 2007
Muito para além do bacalhau assado
Gostando-se ou não deles – eu fico-me num “nim” absoluto, pois se há canções que muito admiro, há outras que acho medíocres – há que congratulá-los pela forma como investiram as suas carreiras. Os The Gift arriscaram e venceram. São um sucesso a nível nacional e segundo a reportagem especial que passou na noite passada na SIC, também começam-no a ser em Espanha. Pelo menos já esgotam salas com mais de 1500 pessoas em Madrid. É um óptimo indicador ou não nos podemos esquecer o feito que é conseguir penetrar num mercado discográfico como o espanhol. Mas tal aplica-se tanto ao som tuga como a qualquer outra língua que não seja o castelhano. De qualquer forma a música da banda mais internacional de Alcobaça é, como diz o último disco, “fácil de entender”, tem boas orquestrações, os refrães ficam no ouvido e a voz da Sónia é forte e não deixa ninguém indiferente. Não quero dizer com isto que a fórmula usada seja razão suficiente para ir além fronteiras. Nem por sombras. É preciso muita força de vontade, alguns contactos e ainda mais investimentos. Foi basicamente isso que os The Gift fizeram e, que aparentemente, conseguiram e, por exemplo, que o Pedro Abrunhosa, fez e não conseguiu.
Antes dos The Gift, houve a Amália, os Madredeus e a Marisa (e o Rui da Silva, lol, porque não?). Estes pelo menos foram os casos mais mediáticos. Numa leitura superficial: o que destinge aquela banda de todos os outros exemplos está relacionado com o seu registo pop. Também não é facil entrar em mercados externos onde o único “produto” pop comercializável é o proveniente dos “States” ou de Inglaterra. Quase tudo o resto que possa sair daqui insere-se na catalogação mais generalista que existe (à face da terra) e que alguém teve a infeliz ideia de chamar: World Music! Como se tudo o que não estivesse nessa lista não fosse música deste mundo! Bem há uns certos casos... Adiante. As letras em inglês poderiam ser um pormenor a ter em consideração mas não o é – e tal já ficou provado pelos “outros nossos motivos de orgulho” – como factor preferencial para uma exportação de sucesso.
A qualidade também deveria ser o tal “factor”. Mas poderíamos exportar José Mário Branco, Sérgio Godinho, Sam the kid ou os Clã? Há “produtos” por mais bons que sejam que parecem perder todo o seu sentido fora do seu contexto e realidade social. No entanto pensando desta forma nunca Antônio Carlos Jobim e Caetano Veloso teriam dado a conhecer a sua MPB (Música Popular Brasileira) ao resto do mundo.
Não nos falta por aqui material em condições para competir lá fora. Actualmente, os Buraka Som Sistema, por exemplo, já conseguem tirar algum proveito do seu kuduro progressivo em algumas zonas da Europa. E o rock? Em 1998 uma banda de Vila do Conde lançou um disco chamado “The privilege of making the wrong choice” (título por si só brilhante!). A banda chamava-se (e chama-se, mas não com os mesmos elementos da constituição original) Zen, eu tive (e tenho) o privilégio de ouvir aquele CD e achar que este foi (e é) o melhor disco rock feito jamais por cá e se ouve alguma má escolha, terá sido a de não o mostrarem a quem de direito no estrangeiro, ou de lhe terem colocado o muito usual rótulo: “É português? Não presta!”.
Um representante da EMI espanhola que foi entrevistado durante a reportagem, num momento de maior exaltação pós-concerto dos The Gift, exclama: “Ainda bem que os portugueses arranjaram algo de muito bom para nos oferecer... Para além de bacalhau assado...” O nosso triste “fado” também pode ser esse: o de não nos querem ver para além do nosso rico “bacalhau assado”. Assim não há “iguaria”, por melhor que seja, que consiga vingar.
Antes dos The Gift, houve a Amália, os Madredeus e a Marisa (e o Rui da Silva, lol, porque não?). Estes pelo menos foram os casos mais mediáticos. Numa leitura superficial: o que destinge aquela banda de todos os outros exemplos está relacionado com o seu registo pop. Também não é facil entrar em mercados externos onde o único “produto” pop comercializável é o proveniente dos “States” ou de Inglaterra. Quase tudo o resto que possa sair daqui insere-se na catalogação mais generalista que existe (à face da terra) e que alguém teve a infeliz ideia de chamar: World Music! Como se tudo o que não estivesse nessa lista não fosse música deste mundo! Bem há uns certos casos... Adiante. As letras em inglês poderiam ser um pormenor a ter em consideração mas não o é – e tal já ficou provado pelos “outros nossos motivos de orgulho” – como factor preferencial para uma exportação de sucesso.
A qualidade também deveria ser o tal “factor”. Mas poderíamos exportar José Mário Branco, Sérgio Godinho, Sam the kid ou os Clã? Há “produtos” por mais bons que sejam que parecem perder todo o seu sentido fora do seu contexto e realidade social. No entanto pensando desta forma nunca Antônio Carlos Jobim e Caetano Veloso teriam dado a conhecer a sua MPB (Música Popular Brasileira) ao resto do mundo.
Não nos falta por aqui material em condições para competir lá fora. Actualmente, os Buraka Som Sistema, por exemplo, já conseguem tirar algum proveito do seu kuduro progressivo em algumas zonas da Europa. E o rock? Em 1998 uma banda de Vila do Conde lançou um disco chamado “The privilege of making the wrong choice” (título por si só brilhante!). A banda chamava-se (e chama-se, mas não com os mesmos elementos da constituição original) Zen, eu tive (e tenho) o privilégio de ouvir aquele CD e achar que este foi (e é) o melhor disco rock feito jamais por cá e se ouve alguma má escolha, terá sido a de não o mostrarem a quem de direito no estrangeiro, ou de lhe terem colocado o muito usual rótulo: “É português? Não presta!”.
Um representante da EMI espanhola que foi entrevistado durante a reportagem, num momento de maior exaltação pós-concerto dos The Gift, exclama: “Ainda bem que os portugueses arranjaram algo de muito bom para nos oferecer... Para além de bacalhau assado...” O nosso triste “fado” também pode ser esse: o de não nos querem ver para além do nosso rico “bacalhau assado”. Assim não há “iguaria”, por melhor que seja, que consiga vingar.
sexta-feira, julho 27, 2007
A/C da TVI
Enquanto decidem se vão ou não começar a passar a série “The Office” (versão americana) como têm vindo a anunciar há duas semanas consecutivas (para as “noites” de quinta-feira) em tudo o que é programação, inclusive na vossa respectiva página de teletexto podiam ir pensando em:
- aumentar o volume do microfone da Júlia Pinheiro nos vossos estúdios de Queluz. É que, mesmo abrindo as janelas todas, não a consigo ouvir em perfeitas condições aqui em Oeiras;
- acrescentar meio minuto ao período de publicidade no intervalo dos filmes que passam no vosso canal, assim dá tempo de assar um frango e fazer uma saladita e digerir esta refeição lentamente. Depois da digestão bem feita, antes de o filme recomeçar, preciso do meio minuto para preparar umas pipocas, pois entretanto o estômago já começa a pedir algum aconchego.
- aumentar o volume do microfone da Júlia Pinheiro nos vossos estúdios de Queluz. É que, mesmo abrindo as janelas todas, não a consigo ouvir em perfeitas condições aqui em Oeiras;
- acrescentar meio minuto ao período de publicidade no intervalo dos filmes que passam no vosso canal, assim dá tempo de assar um frango e fazer uma saladita e digerir esta refeição lentamente. Depois da digestão bem feita, antes de o filme recomeçar, preciso do meio minuto para preparar umas pipocas, pois entretanto o estômago já começa a pedir algum aconchego.
terça-feira, julho 24, 2007
Os “fanáticos” religiosos norte-americanos são perigosos?
Não é novidade que todo o tipo de fanatismo religioso pode ser perigoso. Ontem à noite na RTP2, passou um documentário da HBO que mostrava isso numa prespectiva americana. Levanta-se a questão: os “fanáticos” religiosos norte-americanos são perigosos? Se interpretarmos o que aconteceu em Jonestown (ver o documentário de hoje à noite, no mesmo canal), por exemplo, como uma das possíveis consequências, sim, muito!
O caso dos “sacerdotes” ultra-conservadores mediáticos quererem misturar a religião com a política vigente para além de ser muito previsível, se não é perigoso, é, no mínimo, desastroso para a sociedade “moderna” americana.
Viu-se neste “Amigos de Deus” o poder da influência imposta pela fé de mãos dadas com a obsessão em estado puro, bem como:
- as palavras de ordem dos grupos pro-life afirmando que o aborto é o holocausto americano, com cartazes bem explícitos nesse sentido;
- os concertos da “battlecry.org” onde se juntam uns bons milhares de teenagers a saltar/berrar/chorar - não me pareciam estar sob influência de qualquer substância que se justifique ficarem naquele estado, nem que tivesse em cima daquele palco o Joe Satriani!;
- o crescimento da cadeia “drive-in prayers”, que consiste em rezar dentro do carro em sintonia com uma senhora do outro lado de uma cabine fechada – hilariante (também)!;
- a associação de envagelistas “Pro-Creationism/Anti-Evolution” dando uma palestra numa grande sala repleta de crianças: “Did your grandaddy seems like this? (O vosso avô é parecido com isto? e mostra-se numa tela gigante a foto de um primata). Resultado: risada geral da assistência.
(...)
Que cada um tire as suas próprias conclusões.
O caso dos “sacerdotes” ultra-conservadores mediáticos quererem misturar a religião com a política vigente para além de ser muito previsível, se não é perigoso, é, no mínimo, desastroso para a sociedade “moderna” americana.
Viu-se neste “Amigos de Deus” o poder da influência imposta pela fé de mãos dadas com a obsessão em estado puro, bem como:
- as palavras de ordem dos grupos pro-life afirmando que o aborto é o holocausto americano, com cartazes bem explícitos nesse sentido;
- os concertos da “battlecry.org” onde se juntam uns bons milhares de teenagers a saltar/berrar/chorar - não me pareciam estar sob influência de qualquer substância que se justifique ficarem naquele estado, nem que tivesse em cima daquele palco o Joe Satriani!;
- o crescimento da cadeia “drive-in prayers”, que consiste em rezar dentro do carro em sintonia com uma senhora do outro lado de uma cabine fechada – hilariante (também)!;
- a associação de envagelistas “Pro-Creationism/Anti-Evolution” dando uma palestra numa grande sala repleta de crianças: “Did your grandaddy seems like this? (O vosso avô é parecido com isto? e mostra-se numa tela gigante a foto de um primata). Resultado: risada geral da assistência.
(...)
Que cada um tire as suas próprias conclusões.
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