Foi um prazer...
quinta-feira, janeiro 22, 2026
segunda-feira, janeiro 12, 2026
Best of 2025 - Films
10. Nickel Boys, RaMell Ross
9. Misericordia, Alain
Guiraudie
8. Sirāt, Óliver Laxe
7. One Battle After Another,
Paul Thomas Anderson
6. The Girl with the Needle
(Pigen med nålen), Magnus von Horn
5. Father (Otec), Tereza Nvotová
4. The Brutalist, Brady
Corbet
3. No Other Choice (어쩔수가없다), Park Chan-wook
2. The History of Sound,
Oliver Hermanus
1. It Was Just an Accident (یک تصادف ساده), Jafar Panahi
terça-feira, dezembro 30, 2025
Best of 2025 - Albums
sábado, dezembro 27, 2025
Best of 2025 - EPs
terça-feira, dezembro 23, 2025
É a economia, imbecis!
Há verdades incómodas que insistem em sobreviver a governos, programas eleitorais e conferências de imprensa. Uma delas é a lei da oferta e da procura. Outra é que ignorá-la não a faz desaparecer — apenas torna os resultados mais caros. Ainda assim, a política de habitação em Portugal parece empenhada em testar até onde vai a paciência da economia.
O atual Governo decidiu enfrentar o problema dos preços da habitação com uma estratégia engenhosa: facilitar a compra de casas esperando que isso as torne mais baratas. Para tal, isentou jovens do IMT e do Imposto do Selo e acrescentou uma garantia pública de até 15% do valor do crédito à habitação. A ideia implícita parece ser a de que, se mais pessoas conseguirem comprar casa, então — por algum mecanismo místico ainda não descrito em manuais de economia — os preços acabarão por cair.
A economia, ingrata como sempre, recusou colaborar.
Num mercado onde a oferta de habitação é estruturalmente escassa e reage lentamente, reduzir impostos sobre a compra não torna as casas mais acessíveis; torna os compradores capazes de pagar mais por elas. O resultado não é uma descida de preços, mas sim a sua adaptação ascendente. O subsídio não desaparece: é incorporado no preço. O jovem agradece, o vendedor agradece ainda mais, e o mercado segue imperturbável.
Esta conclusão não é fruto de cinismo ideológico, mas de evidência empírica. Um estudo citado pelo jornal Público mostra que a poupança proporcionada pela isenção de IMT é totalmente absorvida pela subida dos preços em poucos meses — três a quatro meses nos imóveis mais baratos, cerca de quinze meses nos mais caros. Ou seja, o Estado alivia o jovem hoje para que o mercado lhe cobre amanhã, com juros implícitos.
O mais fascinante nesta abordagem é a insistência em tratar um problema de escassez de oferta como se fosse um problema de falta de procura. Em vez de construir mais, libertar solo urbano, reformar seriamente o licenciamento ou investir de forma consistente em habitação pública, opta-se por tornar o crédito mais fácil e os impostos mais baixos. É como tentar baixar o preço dos bilhetes para um concerto esgotado… oferecendo cartões de crédito a quem ainda está na fila.
Há ainda a ironia suprema: estas medidas são apresentadas como combate à especulação. Na prática, fazem exatamente o contrário. Aumentam a concorrência entre compradores, reforçam expectativas de preços mais elevados e sinalizam ao mercado que o Estado está disponível para apoiar a procura sempre que os preços sobem — uma garantia implícita que qualquer especulador entende perfeitamente.
Nada disto significa que apoiar jovens seja errado. Significa apenas que subsidiar a procura não é política de controlo de preços. É política de redistribuição disfarçada, frequentemente regressiva, e quase sempre ineficaz num mercado rígido. Ajuda alguns a entrar hoje, empurra outros para fora amanhã, e não resolve o problema central: há poucas casas para muitas pessoas.
No fim, a lei da oferta e da procura mantém-se teimosamente intacta, apesar dos comunicados de imprensa. E a habitação em Portugal continua extremamente cara não porque a economia falhou, mas porque se insiste em legislar como se ela não existisse.
sexta-feira, novembro 07, 2025
Perdóname Rosalía
Estou a ouvir o novo albúm da Rosalía nuns medicocres headsets de escritorio e parece que, mais do que cometer um pecado sem perdão, estou a perpetrar o maior dos desrespeitos sobre uma obra e a sua artista.
segunda-feira, junho 16, 2025
Hardcore is the new sentimental
Na (provavelmente) melhor edição de sempre do Festival Primavera Sound no
Porto, os Turnstile vieram mostrar como têm adaptado a sua actuação perante grandes massas e ao
vertiginoso crescimento da sua popularidade.
Uma coisa é certa, por maior distanciamento ou fosso que criem (literalmente) entre a banda e o seu (novo) público, os seus sentimentos de generosidade e afectuosidade continuam intactos.




