terça-feira, dezembro 30, 2025

Best of 2025 - Albums


                

 20. Death in Vegas - Death Mask
19. Faouzia - Film Noir
18. Audrey Hobert - Who's the Clown?
17. Anna von Hausswolff - Iconoclasts 
16. Loaded Honey - Love Made Trees
 
15. Greet Death - Die in Love
14. Maruja - Pain to Power
13. Alison Goldfrapp - Flux
12. Florence + the Machine - Everybody Scream
11. Marie Davidson - City Of Clowns
 
10. Mei Semones - Animaru
9. Deafheaven - Lonely People with Power
8. CMAT - EURO-COUNTRY
7. So Below - Afterthought
6. Carminho - Eu Vou Morrer de Amor ou Resistir
 
5. Ethel Cain - Willoughby Tucker, I'll Always Love You
4. Natalia Lafourcade - Cancionera
3. Pulp - More.
2. nyxy nyx - Cult Classics Vol. I
1. Rosalía - LUX

sábado, dezembro 27, 2025

Best of 2025 - EPs

 

10. Kelly Lee Owens - KELLY
9. she's green - Chrysalis
8. Maruja -Tír na nÓg
7. Cler. – Poem A 
6. Chloe Qisha - Modern Romance
 
5. Sofia Kourtesis - Volver
4. Naomi Sharon - The Only Love We Know
3. Lemondaze - subtext
2. aron! - cozy you (and other nice songs)
1. Cut Cult - First Three  



terça-feira, dezembro 23, 2025

É a economia, imbecis!

Há verdades incómodas que insistem em sobreviver a governos, programas eleitorais e conferências de imprensa. Uma delas é a lei da oferta e da procura. Outra é que ignorá-la não a faz desaparecer — apenas torna os resultados mais caros. Ainda assim, a política de habitação em Portugal parece empenhada em testar até onde vai a paciência da economia.

O atual Governo decidiu enfrentar o problema dos preços da habitação com uma estratégia engenhosa: facilitar a compra de casas esperando que isso as torne mais baratas. Para tal, isentou jovens do IMT e do Imposto do Selo e acrescentou uma garantia pública de até 15% do valor do crédito à habitação. A ideia implícita parece ser a de que, se mais pessoas conseguirem comprar casa, então — por algum mecanismo místico ainda não descrito em manuais de economia — os preços acabarão por cair.

A economia, ingrata como sempre, recusou colaborar.

Num mercado onde a oferta de habitação é estruturalmente escassa e reage lentamente, reduzir impostos sobre a compra não torna as casas mais acessíveis; torna os compradores capazes de pagar mais por elas. O resultado não é uma descida de preços, mas sim a sua adaptação ascendente. O subsídio não desaparece: é incorporado no preço. O jovem agradece, o vendedor agradece ainda mais, e o mercado segue imperturbável.

Esta conclusão não é fruto de cinismo ideológico, mas de evidência empírica. Um estudo citado pelo jornal Público mostra que a poupança proporcionada pela isenção de IMT é totalmente absorvida pela subida dos preços em poucos meses — três a quatro meses nos imóveis mais baratos, cerca de quinze meses nos mais caros. Ou seja, o Estado alivia o jovem hoje para que o mercado lhe cobre amanhã, com juros implícitos.

O mais fascinante nesta abordagem é a insistência em tratar um problema de escassez de oferta como se fosse um problema de falta de procura. Em vez de construir mais, libertar solo urbano, reformar seriamente o licenciamento ou investir de forma consistente em habitação pública, opta-se por tornar o crédito mais fácil e os impostos mais baixos. É como tentar baixar o preço dos bilhetes para um concerto esgotado… oferecendo cartões de crédito a quem ainda está na fila.

Há ainda a ironia suprema: estas medidas são apresentadas como combate à especulação. Na prática, fazem exatamente o contrário. Aumentam a concorrência entre compradores, reforçam expectativas de preços mais elevados e sinalizam ao mercado que o Estado está disponível para apoiar a procura sempre que os preços sobem — uma garantia implícita que qualquer especulador entende perfeitamente.

Nada disto significa que apoiar jovens seja errado. Significa apenas que subsidiar a procura não é política de controlo de preços. É política de redistribuição disfarçada, frequentemente regressiva, e quase sempre ineficaz num mercado rígido. Ajuda alguns a entrar hoje, empurra outros para fora amanhã, e não resolve o problema central: há poucas casas para muitas pessoas.

No fim, a lei da oferta e da procura mantém-se teimosamente intacta, apesar dos comunicados de imprensa. E a habitação em Portugal continua extremamente cara não porque a economia falhou, mas porque se insiste em legislar como se ela não existisse.

sexta-feira, novembro 07, 2025

Perdóname Rosalía

Estou a ouvir o novo albúm da Rosalía nuns medicocres headsets de escritorio e parece que, mais do que cometer um pecado sem perdão, estou a perpetrar o maior dos desrespeitos sobre uma obra e a sua artista.



segunda-feira, junho 16, 2025

Hardcore is the new sentimental

 

Na (provavelmente) melhor edição de sempre do Festival Primavera Sound no Porto, os Turnstile vieram mostrar como têm adaptado a sua actuação perante grandes massas e ao vertiginoso crescimento da sua popularidade.

Uma coisa é certa, por maior distanciamento ou fosso que criem (literalmente) entre a banda e o seu (novo) público, os seus sentimentos de generosidade e afectuosidade continuam intactos.


quinta-feira, maio 15, 2025

Magnólia

Tendo em conta as restantes 14 performances da 1ª semifinal do ESC, não me chocou mesmo nada que Portugal tenha passado à final.  

Na verdade, até acabou por ser uma boa surpresa que, por entre tanta desafinação e várias canções parolas, aquele palco tenha sido invadido, por cerca de 3 minutos, pelo espírito de uns novos The Beatles wannabes.

Enquanto isso, num comício, durante um dos seus discursos alucinados, o líder do Chega tinha uma espécie de um espasmo e foi levado desmaiado para o hospital. Em matéria de fatalidades a acontecer aos nossos extremismos, isto é o melhor que temos para oferecer ao mundo.

Portugal às vezes chega a ser tão alternativo que por momentos penso que estou só a assistir a umas cenas de um filme do Paul Thomas Anderson.

sábado, abril 19, 2025

Pergunta para um milhão (e 118 mil) de euros

Há diferença entre ser alvo de humor e de bullying, ou para ser mais claro, há diferença entre as acções de ridicularizar um mau momento "artístico" (ou só mais um ego inflado) e uma humilhação? 

Diz que sim e é abismal, não só ao nível da capacidade das "vítimas" recepcionar as mesmas, mas sobretudo nas verdadeiras intenções de quem as executa.