quarta-feira, outubro 30, 2013

Casa do Desespero




Aquela casa serve para marcar o único cruzamento na quase interminável estrada florestal da Mata Nacional de Quiaios. Mas também serve para deixar pequenos "desabafos intimistas" ou mensagens desconsoladas a quem passe por lá.



Pelos menos até enquanto sobrar pelas suas paredes um espaço branco e livre para escrever, já sem portas e sem janelas, ela será sempre uma casa aberta, disponível para receber e oferecer o desespero a cada um dos seus visitantes: deixam o seu e levam o dos outros.

terça-feira, outubro 22, 2013

É só afecto, é só afecto



(...) Chegar aqui (táxi) e não ter rádio, (é como ) chegar a casa e não ter lá a minha mulher, é um vazio, é um vazio.

Não estou a ver um melhor elogio a oferecer a uma esposa, do que aquele em que a compara com um sistema de comunicação que funciona por ondas electromagnéticas, que repete cinquenta vezes a mesma música durante um dia e põe-nos ao corrente das novidades de hora a hora.
Se aquela mulher não se identificasse com a metáfora e tivesse direito de antena diria: “então pede à rádio comercial para te passar a ferro as camisas e fazer-te o jantar, porque eu cá fui transmitir para outra frequência!”