sexta-feira, março 13, 2009

O jogo dos estereótipos


Revi Elephant de Gus Van Sant. Convém referir o nome do realizador pois o nome da obra pode ser confundido com um telefilme da BBC, com o mesmo título, realizado por Alan Clark. Obra experimental, esta, que serviu de inspiração para fazer um filme (a sério) que retrata o tiroteio ocorrido no liceu de Columbine (EUA). Mas os dois filmes têm diferenças abissais.
Van Sant aproveita a ideia da visão pelas várias perspectivas e dos longos planos - os travellings - que acompanham as personagens, mas introduz-lhe uma característica mais contemplativa sobre os momentos que antecedem o massacre. Em vez de tentar procurar as causas daquelas mortes, Elephant é antes uma espécie de homenagem às vidas (que se perderam). Só um dos principais protagonistas acaba por sobreviver: o louro que - parecia até prever tais acontecimentos - termina o filme, tristíssimo, a contemplar a sua escola de fora, com a mão do pai sobre as suas costas. Redenção e/ou esperança?
O mais curioso deste filme americano é que segue o argumento de acordo com grande parte dos factos noticiados na altura mas depois “brinca” com alguns estereótipos básicos daquela realidade – os miúdos assassinos, no filme de Gus, gostam (e tocam) música clássica, é o exemplo mais descarado.
Muita gente deve ter levantado algumas questões com a ocorrência, esta semana, de um semelhante caso num liceu alemão: Que música ouviria Tim? Que jogos colocava na sua PlayStation? Ninguém questiona se o pai lhe dava tanto carinho como acesso às suas armas.

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