quarta-feira, maio 06, 2015

Esta vida é um paradoxo que (para o bem da nossa sanidade mental) não deve ser controvertido




Os seres humanos são contraditórios por natureza, mas essa situação tem tendência a agravar-se quando o mundo à sua volta torna-se ainda mais incoerente. Como alguém que deseja a serenidade absoluta ao mesmo tempo que vai exaltando a anarquia.

Assim foi Kurt Cobain. Alguém que utilizou o isolamento, a humilhação e a (consequente) raiva como impulsionadores do seu processo criativo. O seu rancor não se deveu tanto a um reconhecimento ou uma integração tardia (sobretudo depois de ter encontrado algum aparo na pior das suas companhias – não, nem foi a Courtney Love, foi mesmo a heroína), mas sobretudo porque esse reconhecimento/integração surgiu subitamente de uma forma estrondosa, em modo de fenómeno musical à escala global: os Nirvana. Ninguém estaria a espera disso, principalmente o Kurt Cobain. Num dia vives atrapalhadamente numa pequena cidade do estado de Washington, no outro já és a porta-voz de uma geração! É aqui que a anarquia, a pacatez e o mediatismo se tornam totalmente incompatíveis. Um conflito que a constituição de uma família e o nascimento de uma filha não resolveram. Recordo: era um conflito interior.

O documentário “Cobain: Montage of Heck” também é uma viagem até ao interior da mente de um dos últimos grandes génios da cultura norte-americana. A questão é que nem todos estaremos preparados para uma viagem tão atormentada. Aliás, como se sabe pelo final “desta história”, nem o próprio estaria.


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