sábado, março 04, 2006

Renascer


O final do filme “Requiem for a dream” (2000) é magnífico. Todas as personagens principais acabam deitadas e, ao contrário do que supostamente iria acontecer, vivos, em posição embrionária.
Pareceu-me bastante óbvio que Darren Aronofsky, o realizador, quisesse passar a ideia de que aquelas quatro pessoas estariam a nascer de novo, o que não deixa de ser surpreendente, já que tudo indicava que na continuação da espiral de loucura e de sofrimento (por quatro motivos distintos) incontrolável, que eram aquelas vidas, a tragédia seria o inevitável. Mas depois há aquele pequeno “milagre” mesmo no fim, que não é mais do que um sinal de esperança para todos.
E como se traduz isto para a nossa realidade? O que parece fácil de dizer mas não tanto de fazer: a solução para uma morte predeterminada, um suicídio, passa por dar uma nova oportunidade a esta vida (única, até prova em contrário). Renascer, portanto.

3 comentários:

Daniel J. Skråmestø disse...

curioso, eu intepreto mais as posições fetais como negações do ser, vontade de voltar ao ventre materno onde ainda se está protegido e onde ainda não se É.
Ou seja, mais vontade de nunca ter nascido do que de voltar a nascer.

Mário Gabriel disse...

"YOU SMUG FUCK!"

agent disse...

Daniel, é outra perspectiva... hey, li um (não sei se tens mais!?) dos teus livros há algum tempo atrás e achei-o bem porreiro. Congrats!