terça-feira, março 05, 2013

O golpe contra a Galp



Já nem há uma segunda-feira digna desse nome sem que os nossos “telejornais” façam uma reportagem sobre a alteração semanal de preços dos combustíveis em Portugal. A gasolina pode subir ou descer que o resultado da peça é sempre o mesmo: as mesmas perguntas e as mesmas indignações dos entrevistados. Consta que a solução passa por utilizar os postos de abastecimento low-cost, sobretudo aqueles com marca de hipermercado. Chego a ouvir alguém a jurar vingança: “Galp, nunca mais!”.

Ri-me. Portanto a revolta face à variação sistemática no preço dos combustíveis tem um nome. E esse nome por acaso “só” é a única fornecedora de combustível dos postos de abastecimento portugueses. A Petrogal/Galp é a única entidade a fazer a refinação (transformação do crude em combustível, energia, outros produtos) em território nacional, o que faz dela a única fornecedora do produto em Portugal. Isto transforma todas as outras gasolineiras em revendedoras e/ou distribuidoras dos seus produtos. O resultado final, com o qual abastecemos os nossos carros, só se destingue numa característica: os aditivos. E o respectivo preço – como a Galp, a Repsol ou a BP não têm produtos/marcas de hipermercado para promover, que interesse têm em diminuir preços?

Muitos portugueses continuarão a acreditar que ao abastecer os seus carros num outro posto não-Galp estarão a lesar aquela empresa, pelo menos até ao dia em que constatarem pelos seus próprios olhos que o camião cisterna que abastece a sua bomba predilecta do Jumbo, do Pingo Doce ou do Intermarché é exactamente o mesmo que vai encher os depósitos da Galp mais próxima e tem exactamente a mesma origem (Sines ou Matosinhos, passando depois ou não pelo centro de logística em Aveiras de Cima, via CLC). Se ainda assim restar dúvidas, nada como entender a coisa pela perspectiva financeira.

Portanto o pior está para vir. Sobretudo quando descobrirem que a única forma de lutar contra as consequências de um negócio monopolizado, com fortes indícios de cartel/conluio de preços (apesar da autoridade que analisou o caso ter dito que nem por sombras) e altamente taxado pelo nosso estado, passa por deixar o carro em casa e pegar na bicicleta ou apanhar o transporte público (se não tiver em greve, claro).

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