quarta-feira, abril 10, 2013

Tédio sem fronteiras


 



As escolhas que cada um faz ao longo da vida pode ter um ou mais propósitos, que por vezes não são muito evidentes... Até para o próprio, ou, pelo menos que ele o admita. Parece-me óbvio que o objectivo final é a felicidade plena, seja lá o que isso signifique. O que é preciso é ir à procura dela e, como em tudo, há uns que vão, literalmente, mais longe que outros.

É este, aparentemente, o espírito de “Portugueses Pelo Mundo” (RTP1). Há quem emigre por força das circunstâncias e há quem emigre por uma grande vontade de “mudança” na sua vida.
Ao que parece os motivos de ordem profissional podem servir de justificação para uma estratégica mudança de nacionalidade. Poderá certamente ser um desafio estimulante com a promessa de uma carreira promissora... Mas será só mesmo isto? A esse nível, face o que cada um desses países pode oferecer actualmente, será que um homem português começa uma nova vida num país de leste ou no Brasil só com o intuito de “estimular” o seu percurso profissional? Se não conhecesse algumas características de uma boa parte da “fauna” feminina desses países, até acreditaria. Aliás, com essa junção da “fome” com a “vontade de comer”, já ninguém devia ficar surpreendido com a facilidade com que o típico ’tuga encontra a sua alma gémea em Bucareste, em Praga, em Rio de Janeiro, etc.

Não deixa de ser interessante constatar ao longo desta longa série de programas o facto das pessoas mudarem de país, para depois passarem uma boa parte do seu tempo livre à procura de vestígios e semelhanças culturais com o seu país de origem. Olha o vinho alentejano e o azeite português, é a noite de “fado amador” no clube nocturno da zona, é aquela colega de trabalho que aprendeu, com alguma dificuldade, umas palavras na lingua de Camões, etc. A realidade da multiculturalidade (e da globalização) das grandes cidades cosmopolitas é algo que parece continuar a surpreender alguns destes “Portugueses Pelo Mundo”.

Depois chega a vez das rotinas servidas em “menu” local: as refeições, as festas privadas, as partidas de futebol com o círculo de novos amigos (a maioria também estrangeiros), jantar fora com o/a namorado/a, assistir a um concerto de música clássica ou ir à discoteca mais “in” da cidade (vejam tanta luz e tanta gente bonita a posar para as câmaras e oiçam este som moderno enquanto bebemos uma taça de champanhe), ou então é hora de ficar pelo bar a emborcar shots, ... Portanto, tudo coisas estranhas, inéditas e impossíveis de ser concretizadas em Portugal.
Ok, eu entendo, o mundo mudou, os tempos e as dificuldades de adaptação são outras e a fase de integração foi perfeitamente superada. Ainda bem.
Ainda bem para todos: eles que estão nitidamente mais felizes e nós mais esclarecidos, já que ficamos a saber como é ser feliz a fazer praticamente as mesmas coisas que se fazia no país em que eram “tristes”. E pelo meio ainda temos a sorte de poder apreciar alguns monumentos locais.

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