domingo, outubro 05, 2014

Até que a morte (ou a verdade) os separe




Um casamento pode ser uma farsa ou uma armadilha, ou ambas as coisas, ao mesmo tempo. Como o caso de “Gone Girl” (“Em Parte Incerta”). Mas esta história é tão recambolesca  - já há algum tempo que não via um twist que me deixasse boquiaberto por vários segundos - que faz-nos pensar exclusivamente neste casamento, em particular, quando ela podia ensinar-nos mais qualquer coisa do que podem ser alguns casamentos de “fachada” dos tempos modernos. Nesse sentido, fica, no entanto, bem patente o poder de influência da comunicação social na construção do embuste.
Aquele deve ser mesmo um dos poucos defeitos deste último filme de David Fincher (acredito que o “best-seller” de Gillian Flynn, em que o filme se inspira, haja mais espaço e tempo para aquelas personagens ganharem uma maior profundidade e, sobretudo, identificação por parte dos leitores), porque o resto, é entretenimento puro – diálogos inspirados e bem humorados, twists consecutivos mas convenientemente suportados, uma banda sonora (Trent Reznor dos Nine Inch Nails e Atticus Ross) de arrepiar a espinha e Rosamund Pike (excelente surpresa e até em modo “voz-off” ela soube iludir)... E o bom cinema também é isto.

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