segunda-feira, outubro 27, 2014

Da beleza da costa alentejana fora de época e das estradas de alcatrão




A pedalar e a caminhar, por entre caminhos pedestres, bravios e dunares assim se fez a minha última incursão à costa vicentina.
Com algum tempo disponível (nem lhe chamaria férias), já longe das grandes concentrações de veraneantes, em época baixa (a carteira agradece, sobretudo desde que a zona foi descoberta pelos especuladores imobiliários e não só), mas com a temperatura em alta, lá fui eu rumo a sul.

Há uma estrada de terra que acompanha paralelamente quase toda a velhinha estrada secundária entre Sines e Porto Covo, onde é logo possível encontrar pequenos e secretos paraísos balneares. Basta, para isso, estar atento e descer pelas várias “escadas naturais” que a força daquele mar foi construindo ao longo dos anos, sobretudo, sempre que foi arremessando grandes pedras contra a ravina. Alguns quilómetros mais adiante, antes de chegar a Porto Covo, esses meios de descida tornam-se mais seguros e recomendáveis a todos os visitantes, ou pelo menos aqueles que estejam dispostos a descer e (sobretudo) a subir umas boas dezenas de degraus. Por aí, as praias já ganham nome e até uma placa de azulejo. Ainda assim, até elas estavam praticamente desertas ao meio de uma manhã, atipicamente quente, de meados de Outubro.

Desci até ao bairro piscatório de Porto Covo para aceder à outra margem. Atravessei, para tal, um pequeno riacho que desagua no mar. Depois de uma íngreme subida, já lá no alto a vista é antagónica, de um lado é difícil não reparar nos contrastes do azul do mar com as marcas de civilização industrial de Sines, do outro, a bela Ilha do Pessegueiro, perdida algures no passado.
A estrada de terra batida que acompanha a costa - e que nos leva até a mais uma praia deserta (não assim tão distante da zona mais frequentada, só separadas por um vasto aglomerado de rochas) – acaba junto de uma estrada alcatroada. É esta que passa pelo parque de campismo da Ilha do Pessegueiro e acaba junto ao velho forte com o mesmo nome. Depois, novamente uma estrada de terra e (esta) em óptimas condições continua o caminho para sul, sempre com o mar no horizonte.

Aquele caminho leva a outros - uns que me levam, por engano, a habitações particulares, outros que levam a miradouros improvisados. Assim é até se começar a avistar um sistema de dunas de grandes dimensões que me levou até à zona dos Aivados. Até lá o percurso fez-se penosamente por entre estradas de areia ou pelos desníveis típicos de um sistema dunar. Pelo caminho descobri mais algumas praias secretas, ornamentadas em toda a sua extensão por um longo caminho de pedras arredondadas e de todos os tamanhos. Uma frequentada por alguns surfistas, outra por pescadores locais e as restantes por quem as quisesse descobrir.

Para regalo dos meus olhos, dos Aivados ao Malhão, a paisagem não muda muito. Tirando o facto de nunca ter encontrado uma zona de dunas que se assemelhasse tanto a um deserto, com toda a sua infinitude e magnificência, como aquela que abraça o Malhão.
Não fui a um deserto africano, mas com o calor “moderado” alentejano e algum espírito de sacrifício e de insignificância perante o que me rodeava, já deu para transformar umas “férias” fora de época numa espécie de viagem espiritual.











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