quarta-feira, julho 15, 2015

Isto de andar por aí no engate tem muito que se lhe diga



(...)
Vai então que ela diz aos amigos, em voz muito alta, que não queria sobremesa, que ia meter-se no carro e ficar sozinha em casa a ler. Disse aquilo tudo de maneira que ele a ouvisse e ficasse a saber que não havia marido nem filhos por perto. Ela conhecia o empregado do bar e sabia que ele passava ao tal sujeito o endereço dela. Foi para casa, enfiou um roupão e às tantas tocou a campainha e lá estava ele. E então mesmo ali na entrada ele desatou a beijá-la, a pôr a mão dela na piça dele e a despir as calças, mesmo ali na entrada, e então ela reparou que se ele era realmente muito bonito era também muito porco. Disse que ele não devia tomar um banho há mais de um mês. Mal lhe chegou aquele pivete, ela errefeceu um bocado e começou a pensar numa maneira de o levar para o duche. Então ele continuou aos beijos e a tirar a roupa e o cheiro cada vez pior e então ela sugeriu que talvez ele quisesse tomar um banho. Vai então ele ficou furioso e disse que o que precisava era de uma cona e não de uma mãe, que a mãe dele lhe dizia quando é que devia tomar banho, que não andava pelos bares à procura de putas para que elas lhe dissessem quando é que devia tomar banho ou cortar o cabelo ou lavar os dentes. E então vestiu-se e foi-se embora e ela contou-me tudo para me mostrar que isto de andar por aí no engate tem muito que se lhe diga.
(…)

Falconer”, John Cheever – Sextante Editora

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