quinta-feira, julho 16, 2015

Isto de andar por aí no engate tem muito que se lhe diga (II)



(...)
Mas eu também fiz algumas coisas lixadas. Uma vez em que voltei da estrada, disse olá e subi para aliviar a tripa e quando estava ali sentado reparei numa grande pilha de revistas de caça e de pesca ao lado da sanita. E então quando acabei, puxei as calças para cima e saí a perguntar aos berros quem era o pescador de rolha no cu com quem ela andava a foder. Fartei-me de berrar. É mesmo o teu género, ir sacar um panhonhas incapaz de fazer um lançamento com mosca ou de largar um cagalhão. Estou mesmo a vê-lo ali sentado, a cara toda vermelha, a ler alguma coisa sobre a perigosa pesca ao lúcio nas águas tempestuosas do Norte. Disse-lhe que era o que ela merecia, que bastava olhar para ela para ver que o destino dela era ser fodida por um daqueles gasolineiros borbulhentos que vão à pesca nas revistas e que são incapazes de largar um cagalhão. Então ela pôs-se a chorar, a chorar e passado uma hora lembrei-me que eu é que tinha feito uma assinatura de todas aquelas revistas de caça e de pesca e quando lhe pedi desculpa ela não quis saber e eu fiquei mesmo na merda.
(...) 

Falconer”, John Cheever – Sextante Editora

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