sábado, dezembro 15, 2012

Love hurts



“Amour” apresenta-nos um casal de octogenários, em que um se vê subitamente obrigado a cuidar do outro, que se vai debilitando ao longo do tempo. Portanto, à partida, obriga-nos a reflectir para além do envelhecimento, a debilidade, a doença e a morte.

Chega a ser um filme emocionalmente muito depressivo, sobretudo para quem tenha passado por uma experiência pessoal idêntica. Nesse ponto as excepcionais interpretações (sobretudo as do casal... se bem que é sempre bom ver a Rita Blanco a fazer de porteira prendada) são uma das grandes mais-valias da obra.



Por outro lado, “Amour” poderia ser só uma bonita história de devoção, na terceira idade, como tantas outras. Mas não o é porque temos que contar com as “impressões digitais” de Michael Haneke. São quase imperceptíveis, mas estão lá todas: a crueldade, a perversidade e o cinismo - para lá chegar é preciso compreender muito bem porque ele guardou para cena final aquela em que a filha entra no apartamento, já “limpo” e desabitado. 
São “só” três características humanas que o realizador tão bem conhece e tão bem reflecte no seu cinema. Mas quem quiser pode ficar-se só pela história de amor incondicional, que já não fica mesmo nada mal servido.

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