quarta-feira, maio 02, 2007

Amor sem limites



Actualmente passa um filme na sala 6 do cinema Alvaláxia, em Lisboa, do qual ainda não tinha ouvido falar até ao momento que passei os olhos pelo folheto de distribuição gratuita dos cinemas Millenium. “Amor Sinistro” (Grimm Love, de Martin Weisz) teve uma estreia bastante discreta (só estreou nesta sala em Lisboa e em duas no Porto). Depois de o ver, de certa forma, entendi a razão. Trata-se de um filme perturbador e de difícil “digestão”.
Lembram-se daquele caso de canibalismo que chocou a Alemanha (e o resto do mundo), há poucos anos atrás, em que um homem colocou um anúncio na internet à procura de um outro homem para o comer (acrescento: literalmente)? Pois bem, “Amor Sinistro” baseia-se neste episódio macabro. Não é um filme de terror, ou pelo menos, e para desilusão de muitos fãs do gore que rumarão até aquela sala de cinema, não há cenas visivelmente muito chocantes ou aterrorizantes mas não deixa de ser um thriller muito tenso e psicologicamente agonizante. Tentar entender as razões pela qual uma pessoa desejaria tanto comer outra e, principalmente a predisposição desta a sujeitar-se a tal acto, deve ter sido o principal objectivo do argumentista de “Amor Sinistro”. Por isso incluiu no enredo uma estudante americana, com a missão de fazer uma tese sobre o caso. Do interesse à obsessão a distância vai ser muito curta. Ela acaba por acrescentar muito pouco à história (apesar do facto de ela assumir, no início do filme, as suas dificuldades em encontrar o seu próprio amor ser um dado muito curioso) mas vai ser através dela que vamos descobrir tais causas (como não poderia deixar de ser: lá teremos que regressar ao período de infância do canibal e da sua “vítima” para entender que estavam predestinados um para o outro) e é com ela que vamos ver (e sofrer com) o vídeo do acto de canibalismo filmado pelo seu perpetuador. Ela simbolicamente representará então o nosso lado mais voyeur e perverso. Sinceramente imaginar alguém a cortar, a cozinhar e posteriormente a comer um pénis não fará parte das minhas fantasias mais recônditas e muito menos incluiria tal acto como um ritual ou sacrifício de “amor” a seguir, mas penso que tenha alcançado a ideia geral do realizador deste estranho filme.

1 comentário:

Anónimo disse...

Interessante.