quarta-feira, janeiro 30, 2013

Por um Norte sem desnorte



Muito se falou em tirar outros proveitos económicos do nosso mar, para além da pesca e do turismo algarvio, mas foi preciso vir alguém de fora (patrocinado por alguém de dentro) para nos dar uma lição de como fazer bem as coisas.

Eu até tenho medo de perguntar: quando é que os governantes deste país vão perceber que se realizarem as obras de ordenamento da costa em prol da criação de spots de surf estão a criar uma mina de ouro para o pais?

O problema é que há muito boa gente com responsabilidades sobre o assunto que entende (ou lhe é feito entender a troco de "qualquer coisa") que essas "obras de ordenamento da costa" também podem ser sinónimo de "aprovação da licença de construção de um grande condomínio fechado com vista para o mar". Veja-se um caso recente que se passou na zona da Ericeira.

O que os nossos governantes devem entender, antes demais ou antes de assinar seja lá o que for, é que a razão que leva os turistas a visitarem este tipo de zonas é, precisamente, a natureza, no seu estado mais puro. Se é para verem aglomerados de betão - mesmo aqueles que dizem que ficam muito bem enquadrados na paisagem - aposto que preferem ficar lá na terra deles.

Se por um lado acho toda esta publicidade gratuita à Nazaré ou, para ser mais específico, à Praia do Norte, devido às grandes proezas do McNamara (com respectivo patrocínio da ZON), muito positiva para a zona. Por outro, temo o pior. E o pior não é a especulação (e exploração) imobiliária na Nazaré e, já por falta de espaço desta, do Sítio, pois isso é um dado mais que adquirido desde há muitos anos para cá. O que me preocupa verdadeiramente é que toda aquela zona de vegetação que protege uma das mais bonitas praias “selvagens” deste país comece a ser posta em causa... E isso, depois do que tenho visto por lá, sinceramente, acho que já esteve muito mais longe de acontecer.

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