terça-feira, novembro 02, 2010

Como o inter-relacionamento continuado pode estar longe de produzir unanimidade

Já se sabe que o melhor que se pode aproveitar de alguns reality shows é a sua vertente sociológica e comportamental. Há outros que nem isso. Não é o caso de Unan1mous.
Nove estranhos são fechados num bunker com o objectivo de encontrar, por sistema de votação anónima através de uma decisão unânime, um e só um justo merecedor de um prémio chorudo - 1,5 de milhões de dólares (na versão original da FOX). Se algum concorrente não conseguir superar o isolamento, entre outros obstáculos, que o desafio possui, e desistir, o prémio é cortado automaticamente para metade - uma das regras do programa.
É sobretudo curioso ver, ao longo da evolução do concurso, a dispersão do sentido de voto do grupo e, assim, este afastar-se cada vez mais do seu objectivo principal: a unanimidade na “simples” escolha de um vencedor.
Este concurso prova que, acima de tudo e ao contrário do que se possa pensar, com o aumento do tempo de convívio entre as pessoas, elas tem mais tendência a afastar-se do que a solidarizar-se. Bom, os interesses monetários e uma produção especializada a criar conflitos também terão alguma influência.

5 Comments:

Blogger O Puto said...

Caro Agent, nessa conclusão que tiras há que salientar que o convívio é entre pessoas que supostamente não se conhecem, pelo que a formação do grupo não é espontânea. Este tipo de programas apenas servem para salientar alguns dos piores comportamentos individuais e de grupo. Temo que muita gente se revê neles.

6:30 da tarde  
Blogger agent said...

Exacto. São justamente esses "defeitos comportamentais" que geram polémica e aumentam audiências. Daí o sucesso destes concursos e daí que, por vezes, seja necessário a intervenção da produção do programa para criar um certo ambiente natural propício para que esses "defeitos" se desenvolvam mais rapidamente.
Numa das partes que assisti, um dos concorrentes teve a sorte de se poder isolar numa sala para poder falar à vontade, por telefone, para a família e amigos. Isto, enquanto o restante grupo manteria um debate, justamente sobre o elemento isolado. Assim que chegou à tal sala à parte, este pegou no telefone e ouviu alguém dizer-lhe que poderia optar entre, de facto, falar com os seus entes ou ouvir a conversa entre os elementos do seu grupo. Não vale a a pena dizer qual foi a opção escolhida, pois não?

10:22 da manhã  
Blogger O Puto said...

Que perversidade, não achas?

12:44 da tarde  
Blogger agent said...

Perversidade, sim, e mais qualquer coisa. Quem se inscreve num concurso com estas condições sabe ao que vai, mesmo que prefira continuar a iludir (a si e a audiência) com a tão famosa citação: "vou ser eu próprio", que afinal mais não é do que: "vou ser tudo aquilo que quiserem que seja, desde que me paguem para isso". Ora, há um outro nome mais apropriado para definir isto e que não é perversidade, amigo.

2:35 da tarde  
Blogger O Puto said...

Concordo.

3:25 da tarde  

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