quarta-feira, março 21, 2012

Preocupemo-nos com o acessório (enquanto o essencial continua por resolver)


Na semana passada o ministro Miguel Relvas impôs um prazo a todas as Câmaras para que elas lhe enviassem a sua "situação financeira". Ora eu, completamente leigo na matéria, até poderia questionar se tal situação já não deveria estar muito bem controlada pela administração central. Mas não, prefiro perguntar: como é que, sem se saber a “situação financeira” das autarquias, já se conhece quais são as várias dezenas de freguesias do alentejo, do interior norte e do centro do país que devem ser extintas? Outra (bem melhor): para conhecer a realidade das regiões afectadas, o ministro, deslocou-se ao local ou usou o google earth?

No dia seguinte ao pedido do ministro, a RTP, através do programa "Sexta às 9", chegou-se à frente, e deu de bandeja (ao ministro e aos restantes portugueses) dois bons exemplos do (des)controlo nas contas autárquicas.

Com toda a informação disponível e a disponibilizar, esperamos que o ministro fique um pouco mais elucidado da "situação financeira" dos seus municípios e que, sobretudo, entenda onde poderão estar os maiores desperdícios de dinheiros públicos. Por aqui, continuam as dúvidas: quanto é mesmo que vão poupar com a extinção de 27 freguesias do distrito de Beja? E isso chegará para pagar que centésima parte dos 146 milhões da dívida do município de Aveiro?

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